Dirigentes da Fifa aumentam pressão sobre Infantino
Dirigentes da Fifa, incluindo Arsène Wenger e Mattias Grafstrom, se distanciam de Infantino após o fracasso do projeto FFE. Pressão interna e externa cresce antes da reeleição de 2027.
Dirigentes da Fifa aumentam pressão sobre Infantino
Vários dirigentes da Fifa, incluindo o técnico Arsène Wenger e o secretário-geral Mattias Grafstrom, se distanciaram do presidente Gianni Infantino e do polêmico projeto de abertura da entidade a investidores privados. A reeleição do ítalo-suíço, única candidatura para março de 2027, segue em aberto em meio à pressão interna e externa.
O que aconteceu com o projeto FFE
A proposta de criar a empresa Fifa Forward Enterprise (FFE) era uma aposta de Infantino para arrecadar US$ 4,2 bilhões (R$ 21,3 bilhões, na cotação atual) com a venda de 20% das ações a investidores privados. A avaliação da FFE foi estimada em US$ 20 bilhões (R$ 101,4 bilhões).
O plano, anunciado há uma semana, gerou uma onda de críticas contra Infantino e foi rejeitado por três confederações. No sábado, o presidente recuou de forma definitiva.
Wenger se posiciona contra o projeto
"A decisão de retirar o projeto era absolutamente necessária e incontestável", declarou Wenger em comunicado nesta terça-feira (4). Desde 2019, ele atua como diretor de desenvolvimento do futebol mundial.
O ex-treinador do Arsenal afirmou não ter tido envolvimento no projeto, do qual tomou conhecimento "por meio da imprensa". "Acredito firmemente em uma Fifa independente que serve ao nosso jogo com compromisso, transparência e integridade", acrescentou.
Grafstrom lamenta episódios
Em e-mail interno enviado a funcionários da entidade, ao qual a AFP teve acesso, o secretário-geral Mattias Grafstrom lamentou uma "triste e repreensível série de eventos", que "felizmente terminou com o abandono permanente" do projeto.
"Indivíduos, momentos instáveis e episódios infelizes vêm e vão. A instituição, sua missão e sua responsabilidade com o futebol mundial continuam", concluiu o suíço de 45 anos, secretário-geral da Fifa desde 2024.
Renúncia de Carlos Cordeiro
Na sexta-feira, o americano Carlos Cordeiro, principal assessor de Infantino, renunciou ao cargo. Ele afirmou sua oposição "categórica" ao projeto, que considerava "ruim para o futuro de longo prazo" do futebol.
A renúncia de Cordeiro é um sinal claro de que a crise atingiu o núcleo próximo ao presidente.
Pressão externa: Uefa e Concacaf
A oposição dentro da entidade soma-se à forte pressão externa, liderada pela Uefa e apoiada pela Concacaf, a Confederação da América do Norte, Central e Caribe.
Na semana passada, a Concacaf pediu uma "revisão completa" da liderança de Infantino. A Uefa afirmou ter "perdido a confiança" no presidente.
Em carta enviada à Fifa na sexta-feira, consultada pela AFP, a União das Associações Europeias de Futebol "notifica oficialmente que planeja de forma ativa iniciar uma ação judicial".
Com esse objetivo, a entidade europeia pediu para "identificar, localizar e preservar todos os documentos e informações armazenadas eletronicamente" sobre a FFE, para evitar que sejam destruídos elementos que prejudiquem um processo judicial.
Copa do Mundo de Clubes ameaçada
O descontentamento também aumentou em relação à Copa do Mundo de Clubes, realizada pela primeira vez em 2025 com 32 equipes, um desejo de Infantino.
A próxima edição, prevista para 2029, pode estar ameaçada. Ainda não há qualquer acordo entre a Fifa e os clubes participantes, afirmou um dirigente à AFP. Este mesmo responsável indicou que o sentimento europeu é de que é necessário "uma mudança estrutural" na governança da entidade.
A reeleição de Infantino
Apesar das pressões, Infantino é o único candidato à presidência da Fifa nas eleições previstas para março de 2027.
Ele precisará do apoio de 106 das 211 federações-membro para um novo e último mandato de quatro anos. Até agora, quatro federações, todas europeias (Finlândia, País de Gales, Sérvia e Suécia), retiraram seu apoio a ele.
O que falta para a crise se resolver
A situação segue indefinida. Infantino mantém a candidatura única, mas a pressão interna e externa continua. O projeto FFE foi abandonado, mas a Uefa planeja ação judicial. A Copa do Mundo de Clubes de 2029 segue sem acordo com os clubes.
O desfecho depende de como a Fifa responderá às demandas por transparência e mudança estrutural. As federações que retiraram apoio podem influenciar outras a fazer o mesmo antes de março de 2027.
Perguntas Frequentes
Por que Wenger se distanciou de Infantino?
Wenger declarou que a retirada do projeto FFE era "absolutamente necessária e incontestável" e afirmou não ter tido envolvimento no plano, do qual tomou conhecimento pela imprensa.
O que é a Fifa Forward Enterprise (FFE)?
Era uma proposta de empresa da Fifa para arrecadar US$ 4,2 bilhões com a venda de 20% das ações a investidores privados, com avaliação de US$ 20 bilhões. O projeto foi abandonado após rejeição de três confederações.
A Uefa vai processar a Fifa?
A Uefa notificou oficialmente que planeja iniciar uma ação judicial e pediu a preservação de documentos sobre a FFE para evitar destruição de elementos que prejudiquem um processo.
Infantino pode perder a reeleição?
Infantino é o único candidato para 2027, mas precisa de 106 das 211 federações. Quatro federações europeias já retiraram apoio, e a pressão interna e externa continua.
O que acontece com a Copa do Mundo de Clubes de 2029?
A edição pode estar ameaçada, pois ainda não há acordo entre a Fifa e os clubes participantes, segundo um dirigente ouvido pela AFP.
crise na fifa e impacto no futebol mundial como funciona a governanca da fifa copa do mundo de clubes 2025 e o futuro da competicao