Duplistas manifestam preocupação com proposta da ATP para reduzir premiações e chaves a partir de 2028
Duplistas manifestam preocupação com a proposta da ATP para reduzir premiações e chaves a partir de 2028
Duplistas manifestam preocupação com a proposta da ATP para reduzir premiações e chaves a partir de 2028. A medida, que ainda está em fase de consulta, prevê cortes de até 30% nas premiações de torneios ATP 250 e 500, além da redução do número de duplas em eventos Masters 1000. Tenistas como Marcelo Melo e Bruno Soares já se posicionaram contra.
A proposta da ATP, divulgada em maio de 2026, sugere que as chaves de duplas em torneios Masters 1000 caiam de 32 para 24 pares, enquanto nos ATP 250 e 500, as premiações seriam reduzidas em até 25% (ATP, OneVision proposal, mai/2026). A justificativa oficial é liberar espaço no calendário para torneios de simples e reduzir a sobrecarga de jogos.
Por que os duplistas estão preocupados?
A principal queixa é que a redução de premiações e chaves desvaloriza a modalidade. Jogadores que vivem exclusivamente das duplas, muitos deles no top 100 mundial, podem perder até 40% da renda anual (ATP, relatório financeiro, 2025).
Além disso, a redução de chaves em Masters 1000 limita as oportunidades de entrada. Hoje, um par ranqueado fora do top 50 tem chances reais de jogar um Masters 1000. Com 24 pares, a barreira sobe para o top 30, excluindo duplas emergentes.
O impacto na base do tênis
A preocupação não é só financeira. A base do tênis de duplas no Brasil, por exemplo, depende de torneios internacionais para ganhar experiência. Com menos vagas, jovens duplistas terão menos exposição. "Se a proposta passar, muitos vão ter que repensar a carreira", afirmou Marcelo Melo em entrevista ao UOL Esporte em junho de 2026.
O que a ATP propõe exatamente?
A ATP chama o plano de "OneVision 2028". Os principais pontos são:
- Redução de chaves de duplas em Masters 1000 de 32 para 24 pares.
- Corte de 25% a 30% nas premiações totais de duplas em ATP 250 e 500.
- Criação de um "circuito de duplas paralelo" com 10 torneios independentes, com premiação própria.
Segundo a ATP, a mudança geraria economia de 15 milhões de dólares anuais, que seriam reinvestidos em simples e em torneios de base (ATP, comunicado oficial, mai/2026).
Críticas dos jogadores
Bruno Soares, ex-número 1 do mundo, classificou a proposta como "um tiro no pé". Ele argumenta que as duplas têm audiência fiel e geram receita em bilheteria. "Reduzir premiação é desestimular quem faz o esporte acontecer", disse em live no Instagram em junho de 2026.
Já o americano Rajeev Ram, atual número 3 do mundo, lembrou que muitos torneios têm patrocínios específicos para duplas. "Cortar premiação pode quebrar contratos", alertou.
Alternativas apontadas por especialistas
Analistas sugerem que a ATP poderia ajustar o calendário sem cortar premiações. Uma ideia é concentrar torneios de duplas em semanas específicas, como já ocorre com os Grand Slams. Outra é aumentar o prize money em torneios menores para compensar a redução em Masters 1000.
A Associação dos Tenistas Profissionais (ATP) abriu consulta pública até agosto de 2026. Jogadores podem enviar sugestões pelo portal oficial.
O que esperar para 2028
A decisão final deve sair no fim de 2026, após análise das contribuições. Se aprovada, a redução de chaves começa em janeiro de 2028, com os cortes de premiação escalonados até 2029.
Para quem vive de duplas, o momento é de mobilização. A carreira de duplistas no tênis depende de uma estrutura que valorize a modalidade. Sem ela, o caminho fica mais estreito.
Perguntas Frequentes
Quando a proposta da ATP começa a valer?
Se aprovada, a redução de chaves em Masters 1000 começa em janeiro de 2028. Os cortes de premiação serão escalonados até 2029.
Quais torneios serão afetados?
Todos os ATP 250, 500 e Masters 1000. Grand Slams não são afetados, pois são organizados pela ITF.
Os duplistas podem barrar a proposta?
Sim. A consulta pública permite que jogadores e associações enviem sugestões. A ATP precisa de maioria simples no conselho para aprovar.
Como fica o ranking de duplas?
O ranking continuará existindo, mas com menos pontos em torneios reduzidos. A ATP estuda criar um ranking específico para o circuito paralelo.
Há risco de extinção das duplas?
Não. A proposta não elimina a modalidade, mas reduz sua presença em torneios combinados. O circuito paralelo pode manter a relevância.