Bastidores

Justiça determina fim de direito vitalício no Conselho do Corinthians

ResumoA Justiça de São Paulo declarou nulas as regras do estatuto do Corinthians que garantiam cargos vitalícios no Conselho Deliberativo e a carência de cinco anos para sócios votarem. A decisão, com efeito suspenso, exige reforma estatutária para alinhar o clube à legislação vigente. O Corinthians deverá adaptar seus procedimentos internos após o trânsito em julgado.

A Justiça de São Paulo declarou nulas as regras do estatuto do Corinthians que garantem cargos vitalícios no Conselho Deliberativo e a carência de cinco anos para sócios votarem. Decisão tem efeito suspenso.

Vinícius Portela
por Vinícius Portela · 31 de agosto de 2026
Justiça determina fim de direito vitalício no Conselho do Corinthians

A Justiça de São Paulo declarou nulas as regras do estatuto do Corinthians que garantem cargos vitalícios no Conselho Deliberativo e a carência de cinco anos para sócios votarem e serem votados. A decisão, proferida nesta segunda-feira pelo juiz Guilherme Augusto de Oliveira Barna, da 4ª Vara Cível do Foro Regional do Tatuapé, atende a ação movida pelo conselheiro Peterson Ruan Aiello do Couto Ramos e pelo sócio Caio César Domingues de Almeida contra o clube.

A sentença julga procedentes os pedidos e, na prática, acaba com a condição vitalícia prevista para 100 integrantes do Conselho Deliberativo. Os ocupantes atuais dessas cadeiras serão equiparados aos demais conselheiros, sujeitos a mandato, eleições periódicas e escolha da Assembleia Geral. Também foi declarada a nulidade da exigência de cinco anos de associação para que titulares de títulos patrimoniais possam votar e ser votados.

O efeito, porém, não é imediato. A própria sentença foi submetida a efeito suspensivo automático, e o juiz determinou que os efeitos executivos permaneçam suspensos até o trânsito em julgado ou ordem superior em contrário. Ou seja, conselheiros vitalícios não perdem a condição agora, e a regra dos cinco anos segue valendo. A eventual contestação depende do Corinthians, réu na ação. Caberá à gestão de Osmar Stabile decidir se recorre ao Tribunal de Justiça de São Paulo.

Na fundamentação, o magistrado entendeu que as 100 cadeiras permanentes contrariam princípios da Lei Geral do Esporte, citando gestão democrática, temporalidade dos mandatos e alternância no exercício do poder. Reservar um terço das cadeiras a membros permanentes, segundo a sentença, cria grupo imune ao controle eleitoral com poder relevante nas decisões internas. A carência de cinco anos foi considerada restrição excessiva aos direitos políticos de associados adimplentes. O Corinthians sustentou que as regras são escolhas históricas do estatuto, respaldadas pela autonomia das entidades esportivas, mas o juiz considerou que essa autonomia não é absoluta e deve respeitar normas de ordem pública, como o Código Civil.

Com a decisão em primeira instância, a Justiça deu razão aos autores. O futuro das duas regras, porém, depende do andamento do processo e de eventuais recursos. Se o clube não recorrer, a sentença pode se tornar definitiva após o prazo recursal, e as determinações passam a valer. Até lá, o cenário corintiano segue como estava, com o Conselho Deliberativo mantendo suas atribuições sobre questões orçamentárias e institucionais, enquanto a diretoria avalia os próximos passos próximos jogos do Corinthians.

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