Bastidores

"Passei muito tempo sofrendo": árbitras acusam chefe de assédio sexual e estupro

ResumoA denúncia de árbitras de futebol feminino contra o chefe de arbitragem inclui acusações de assédio sexual e estupro. Os relatos descrevem anos de sofrimento e abuso de poder, com investigações em andamento para apurar os fatos. O caso expõe alegações graves de violência sexual no ambiente esportivo.

Árbitras de futebol feminino denunciam chefe de arbitragem por assédio sexual e estupro. Relatos de anos de sofrimento e abuso de poder vêm à tona, enquanto investigações apuram os fatos. Entenda o caso.

Letícia Camargo
por Letícia Camargo · 16 de julho de 2026
"Passei muito tempo sofrendo": árbitras acusam chefe de assédio sexual e estupro

Denúncias de assédio sexual e estupro contra um chefe de arbitragem do futebol feminino vieram a público, trazendo relatos de árbitras que afirmam ter sofrido abusos por anos. As acusações, que incluem desde assédio moral até violência sexual, revelam um ambiente de trabalho marcado pelo medo e pela submissão. A palavra de uma das vítimas ecoa: "Passei muito tempo sofrendo".

O caso, que agora tramita na justiça, expõe a fragilidade das estruturas de proteção às mulheres no esporte. As denúncias foram formalizadas junto ao Ministério Público e à Federação Paulista de Futebol (FPF), que abriu uma sindicância para investigar as acusações. A confederação brasileira de futebol (CBF) também foi notificada e acompanha o desenrolar das investigações.

As denúncias

As árbitras, que tiveram suas identidades preservadas, detalham em depoimentos uma série de condutas abusivas por parte do chefe de arbitragem. Entre as acusações, estão:

  • Assédio sexual: comentários de cunho sexual, toques indesejados e convites para encontros íntimos.
  • Estupro: uma das vítimas alega ter sido estuprada pelo acusado após uma partida.
  • Assédio moral: humilhações públicas, ameaças de demissão e perseguição profissional.

As atletas relatam que o medo de represálias as mantiveram em silêncio por anos. "Ele tinha o poder de escalar ou não a gente para os jogos. Quem não aceitasse as investidas, ficava de fora", conta uma das denunciantes.

O acusado

O chefe de arbitragem, que não teve o nome divulgado, nega todas as acusações. Em nota, sua defesa afirma que "as alegações são falsas e fazem parte de uma tentativa de desestabilizar sua carreira". Ele é investigado por assédio sexual, estupro e abuso de autoridade.

A FPF, por meio de comunicado, informou que "repudia qualquer tipo de violência contra a mulher e tomará as medidas cabíveis". A entidade também se colocou à disposição das vítimas para oferecer apoio psicológico e jurídico.

O contexto do futebol feminino

O caso expõe um problema estrutural no futebol feminino brasileiro: a falta de canais seguros para denúncias e a impunidade de agressores. Dados do Ministério dos Direitos Humanos indicam que, em 2023, foram registradas mais de 56 mil denúncias de violência contra a mulher no país. No esporte, o número é subnotificado.

Entidades como a CBF e a FPF têm implementado programas de combate ao assédio, mas a efetividade é questionada por atletas. "A gente ouve discurso, mas na prática, quem denuncia é perseguido", afirma uma jogadora que preferiu não se identificar.

O que diz a lei

A legislação brasileira prevê pena de reclusão de 6 a 10 anos para o crime de estupro (Art. 213 do Código Penal). O assédio sexual é tipificado no Art. 216-A, com pena de detenção de 1 a 2 anos. A lei também garante proteção à vítima, como a manutenção do sigilo de sua identidade.

O próximo passo

As investigações seguem em sigilo, e a expectativa é de que o inquérito seja concluído nos próximos meses. A FPF deve decidir sobre o afastamento do acusado de suas funções. As vítimas, por sua vez, pedem justiça e mudanças na cultura do futebol. "Não quero que outras meninas passem pelo que passei", desabafa uma das árbitras.

Perguntas Frequentes

Quem são as árbitras que denunciaram?

As identidades das vítimas foram preservadas para garantir sua segurança. Elas são árbitras de futebol feminino que atuam em competições estaduais e nacionais.

O que o chefe de arbitragem é acusado?

Ele é acusado de assédio sexual, estupro e assédio moral contra árbitras de futebol feminino.

O acusado foi afastado?

Até o momento, não há informação oficial sobre afastamento. A FPF investiga o caso e pode tomar medidas administrativas.

Como denunciar casos semelhantes?

Vítimas podem procurar a Delegacia da Mulher, o Ministério Público ou entidades como a CBF e a FPF, que possuem canais de denúncia.

Qual a pena para estupro no Brasil?

A pena para estupro é de reclusão de 6 a 10 anos, podendo ser aumentada em casos de violência ou grave ameaça.

O que a FPF está fazendo?

A FPF abriu uma sindicância para investigar as acusações e ofereceu apoio psicológico e jurídico às vítimas.

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