Por que México devolveu relógios na Copa 2022? Regras da FIFA explicadas
Por que México teve que devolver relógios de presente para evitar punição na Copa do Mundo?
A seleção mexicana devolveu relógios de luxo recebidos como presente durante a Copa do Mundo do Catar para escapar de punição da FIFA. O caso, revelado pelo jornal Reforma em novembro de 2022, expõe as regras rígidas que regem presentes e patrocínios no torneio.
Segundo o Código de Ética da FIFA, atletas e membros de delegações não podem aceitar presentes acima de US$ 300, valor que equivale a cerca de R$ 1.600 na cotação de novembro de 2022. A violação da regra pode resultar em suspensão, multa ou até exclusão do torneio.
O caso concreto: relógios de luxo e a devolução
Os relógios, da marca Hublot, patrocinadora oficial da Copa do Mundo, foram entregues a jogadores e comissão técnica da seleção mexicana. O valor estimado de cada peça superava os US$ 5 mil, bem acima do limite permitido pela FIFA (Reforma, nov/2022).
A federação mexicana (FMF) agiu rapidamente. Após receber alerta da FIFA sobre a irregularidade, determinou a devolução imediata dos itens. O porta-voz da FMF confirmou que todos os relógios foram recolhidos e devolvidos antes do início da partida contra a Polônia, em 22 de novembro de 2022.
O que diz o Código de Ética da FIFA
A regra é clara: presentes só podem ser aceitos se de valor simbólico, até US$ 300. Qualquer item acima disso configura conflito de interesse, especialmente se oferecido por parceiros comerciais da entidade. A FIFA cita o artigo 21 do Código de Ética, que proíbe "receber qualquer benefício financeiro ou material de terceiros relacionados à organização".
Casos anteriores incluem a devolução de smartphones e joias por seleções em Copas passadas. Em 2018, a seleção alemã devolveu relógios da marca IWC, também patrocinadora oficial, após pressão da FIFA.
Por que a FIFA regula presentes?
A regra existe para evitar que patrocinadores oficiais tenham vantagem sobre concorrentes. Se um atleta aceitasse um relógio de uma marca não parceira, isso poderia gerar conflito com os contratos milionários da FIFA. A entidade arrecadou US$ 7,5 bilhões no ciclo 2019-2022, com patrocínios representando 30% da receita.
Além disso, a medida protege a imagem do torneio. Atletas não podem ser usados como garotos-propaganda de marcas que não pagaram pelo direito de associação à Copa.
O impacto no México e na imagem da seleção
A devolução evitou punição imediata, mas o episódio gerou constrangimento. A seleção mexicana já enfrentava críticas por desempenho irregular, caiu na fase de grupos pela primeira vez desde 1978. Para torcedores e analistas, o caso dos relógios reforçou a percepção de desorganização fora de campo.
A FMF, por sua vez, afirmou que seguiu o protocolo e que a devolução foi voluntária. Nenhum jogador ou dirigente foi sancionado.
Casos similares no futebol mundial
O episódio não é isolado. Em 2014, a seleção brasileira devolveu relógios da marca TAG Heuer após reclamação da FIFA. Em 2010, jogadores da Inglaterra foram orientados a não usar fones de ouvido de marca não patrocinadora em entrevistas coletivas.
A regra vale para todos os membros da delegação: jogadores, técnicos, médicos e dirigentes. Presentes de familiares ou amigos próximos estão isentos, desde que não tenham relação com o torneio.
Como a FIFA fiscaliza?
A entidade conta com uma comissão de ética independente que investiga denúncias. No Catar, a fiscalização foi intensificada devido ao alto número de patrocinadores e à presença de marcas de luxo. A FIFA também exige que federações nacionais informem qualquer presente recebido acima de US$ 100.
A punição para quem não devolve pode chegar a suspensão de até dois anos e multa de US$ 1 milhão, segundo o Código Disciplinar da FIFA.
O que muda para as próximas Copas?
A expectativa é que a regra se mantenha. Para 2026, sediada por EUA, Canadá e México, a FIFA deve reforçar o treinamento de delegações sobre o código de conduta. A FMF já anunciou que criará um manual interno para evitar novos episódios.
Para o torcedor, fica a lição: na Copa, até um relógio de presente pode virar problema. A rigidez das regras busca proteger o valor comercial do torneio, que movimenta bilhões de dólares.
Perguntas Frequentes
Os jogadores foram punidos?
Não. A devolução voluntária antes do início da partida contra a Polônia evitou qualquer sanção.
Qual o valor máximo permitido para presentes?
US$ 300, conforme o Código de Ética da FIFA.
A Hublot é patrocinadora oficial da Copa?
Sim. A marca suíça é parceira da FIFA desde 2010 e fornece relógios para o torneio.
Outras seleções já devolveram presentes?
Sim. Alemanha em 2018 e Brasil em 2014 são exemplos recentes.
O que acontece se a regra for violada?
Suspensão de até dois anos, multa de até US$ 1 milhão e possível exclusão do torneio.
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