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Estudo: 24,5% dos jogadores da NFL podem ter ETC

Pelo menos um quarto dos jogadores da NFL pode desenvolver encefalopatia traumática crônica (ETC), doença cerebral degenerativa ligada a golpes repetidos na cabeça. A conclusão é de um estudo liderado por Daniel Daneshvar, professor da Escola de Medicina de Harvard, publicado no British Medical Journal nesta terça-feira (25).

A ETC é causada por impactos repetidos na cabeça e seus sintomas incluem comprometimento cognitivo, dificuldade para caminhar, instabilidade emocional e pensamentos suicidas. A doença já foi associada a esportes de contato, como futebol americano e boxe, e também detectada em militares expostos a explosões. Por só poder ser confirmada por exame post-mortem, a extensão real entre jogadores segue incerta.

Os pesquisadores analisaram cérebros de jogadores falecidos que disputaram ao menos uma partida da NFL na era do capacete de plástico obrigatório, iniciada em 1949. Entre 2016 e 2021, das 878 mortes ocorridas, 235 indivíduos doaram seus cérebros para exame. A ETC foi confirmada em 215 deles. Isso indica taxa mínima de 24,5%, supondo que nenhum cérebro não analisado tivesse a doença. A estimativa máxima foi de 97,7%, com o valor real provavelmente entre os dois extremos.

O estudo também encontrou associação entre ETC de alto grau e demência, determinada por prontuários médicos e entrevistas com familiares. "Em conjunto, essas descobertas indicam que os jogadores da NFL apresentam uma maior prevalência de ETC no momento da morte do que a demonstrada anteriormente", escreveram os autores. Eles reconhecem limitações: nem todos os ex-jogadores falecidos no período foram incluídos, e familiares podem ter relatado sintomas de forma imprecisa.

Em editorial, Tobias Kurth, do Centro Médico Universitário de Berlim, e Richard Riley, do Instituto Nacional de Pesquisa em Saúde e Cuidados do Reino Unido, elogiaram o desenho do estudo. "Daneshvar e seus colegas apresentam uma das estimativas mais informativas até o momento", observaram. Para eles, é essencial comunicar periodicamente as evidências aos jogadores da NFL do passado, do presente e do futuro.

Juliana Prado
Repórter de Esportes Olímpicos
Mineira, cobre modalidades olímpicas e dá luz a atletas que só aparecem de quatro em quatro anos.
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