Análise: Cruzeiro responde bem à mudança e dosa pressão no Brasileirão
O Cruzeiro encontrou um respiro no Campeonato Brasileiro ao vencer o Athletico-PR por 3 a 1, neste domingo. O resultado veio depois de eliminações dolorosas para Flamengo e Atlético-MG, na Libertadores e na Copa do Brasil, e evitou, na prática, que a pressão dos mata-matas contaminasse a sequência nacional.
A resposta veio de mudanças que começaram na escalação. Artur Jorge ensaiou uma alteração de esquema para os jogos decisivos e a colocou em prática: abriu mão de Wesley e usou Matheus Henrique como mais um homem no meio. A leitura do espaço mostrou efeito positivo.
Com um meio mais povoado, o Cruzeiro ganhou em aproximações. Isso valeu tanto para construir jogadas quanto para evitar que o Athletico-PR tivesse linhas de passe limpas. O time passou a pressionar em bloco, sem dar ao adversário a tranquilidade de sair jogando. O jogo se decide nos espaços; placar engana, jogada não.
Um lance ilustra a mudança: na transição ofensiva, os meias se aproximaram em curto espaço, puxando a marcação do Athletico-PR e abrindo corredores pelos lados. Foi nesse tipo de movimento que o Cruzeiro encontrou superioridade numérica no meio e transformou posse em chances claras.
A vitória, ainda que por um placar elástico, não apaga as quedas recentes. Mas o desempenho coletivo indica que o time absorveu a proposta de Artur Jorge. O próximo desafio será repetir a aproximação contra adversários que fecham mais linhas atrás, situação diferente da enfrentada neste domingo.
O que observar no próximo jogo é se a mudança vira padrão ou se fica restrita a jogos específicos. A dose de pressão certa, dosada sem exageros, parece ter encontrado o equilíbrio que faltava.