# Análise: jovens da Ponte são jogados aos leões, mas mostram o que falta à diretoria

> A Ponte Preta escalou 18 pratas da casa contra o América-MG em Belo Horizonte, durante a pior crise em 126 anos. A atuação dos jovens revelou coragem e comprometimento, expondo a falta de planejamento e investimento da diretoria alvinegra. A partida serviu como diagnóstico das deficiências administrativas do clube.

*Esporte Notícia · Futebol · 31 de agosto de 2026 · Vinícius Portela*

Os 18 pratas da casa da Ponte Preta foram a Belo Horizonte e, mesmo na pior crise em 126 anos, entraram em campo contra o América-MG. A análise mostra o que falta à diretoria.

Não há outra forma de começar esta análise: os 18 jogadores da Ponte Preta que foram a Belo Horizonte para enfrentar o América-MG merecem enaltecimento. Os pratas da casa, que deveriam estar em formação para o futuro, foram jogados aos leões pelos dirigentes do clube. Diante da pior crise da história da Ponte em 126 anos, os responsáveis pela condução da instituição aumentaram a vergonha em cenário nacional. Há quem defenda que o W.O. seria pior para a imagem. Talvez fosse. Mas a discussão deveria ser outra: como deixaram chegar a este ponto?

A Ponte ultrapassou a barreira da crise esportiva. É uma crise trabalhista, financeira e humanitária. Os jogadores não têm condições adequadas de trabalho, a começar pelos meses de salários atrasados. E o problema chegou às categorias de base. Os garotos, que deveriam ser preparados para o profissional, foram colocados em situação que nenhum deles deveria enfrentar. Ainda assim, sobrou coragem a eles para encarar o problema. Bem diferente dos dirigentes.

Em uma das semanas mais turbulentas da história recente, o presidente Luiz Torrano sequer apareceu para assumir responsabilidade pública. Enquanto isso, os jogadores precisaram assumir a missão que seria da diretoria: colocar a Ponte em campo. Eles saíram do Independência extenuados. Honraram a camisa e entregaram o máximo, mesmo com as limitações de quem está em formação e foi colocado na fogueira diante de um adversário de Série B.

A derrota para o América-MG já era previsível. Não havia como exigir desses garotos o resultado que a Ponte precisava. O constrangimento do W.O. foi evitado por eles. Mas isso não torna a situação justa. Muito pelo contrário. Se os dirigentes tivessem a mesma determinação desses garotos, talvez a situação fosse diferente. Esses jogadores não criaram a crise, não atrasaram salários, não administraram o clube, não causaram a paralisação dos profissionais e não montaram o elenco que afunda na lanterna da Série B. Mesmo assim, foram eles que entraram em campo para impedir que a Ponte deixasse de disputar uma partida oficial.

Existe uma discussão que ultrapassa a Ponte: a CBF precisa olhar para esse tipo de situação. A crise de um clube não pode comprometer a integridade de uma competição inteira. O campeonato precisa de mecanismos para evitar que situações extremas se repitam. Contar a história da Ponte em 2026 no futuro será difícil. São muitos capítulos negativos em uma temporada que parece testar os limites do torcedor.

Mas há uma certeza: nos poucos parágrafos positivos, esses jovens serão lembrados. Porque, quando a Ponte mais precisou, eles foram. Foram para Belo Horizonte. Entraram em campo. Correram até o limite. E evitaram que a história terminasse ainda pior. É uma diferença brutal em relação a quem deveria proteger esses garotos. Luiz Torrano, Marco Antônio Eberlin, João Brigatti, Ricardo Koyama e tantos outros dirigentes que participaram da condução da Ponte em 2026 terão muito a explicar quando a temporada terminar. A Ponte ultrapassou todos os limites de uma crise. E, para o torcedor pontepretano, a maior vergonha do clube parece ser sempre a próxima.

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