Análise: Santos demora a entrar no jogo, reage e falha quando precisava sobreviver
O Santos teve duas atuações distintas na Arena MRV e pagou caro pela pior delas. Depois de chegar a Belo Horizonte com vantagem de 2 a 0 construída na Vila Belmiro, o Peixe sofreu três gols no primeiro tempo, reagiu após as mudanças de Cuca e voltou a encaminhar a classificação, mas não conseguiu proteger o resultado nos acréscimos. A derrota por 4 a 2, seguida do revés por 3 a 1 nos pênaltis, expôs um contraste: houve capacidade para reconstruir um jogo que parecia perdido, mas faltou segurança nos momentos em que a equipe mais precisava controlar o confronto.
O gol aos 17 segundos e a fragilidade defensiva
A vantagem permitia ao Santos administrar o confronto. O gol sofrido aos 17 segundos desmontou qualquer possibilidade de começar a partida dessa maneira. A equipe errou na saída, foi castigada imediatamente e passou a atuar sob a intensidade de um Atlético-MG empurrado pela Arena MRV.
O problema não se limitou ao gol relâmpago. O Santos teve dificuldades para reduzir o ritmo dos donos da casa e proteger sua área. O segundo e o terceiro gols reforçaram essa fragilidade: Reinier apareceu livre para finalizar nas duas jogadas. Mesmo o gol contra de Lyanco, que devolveu momentaneamente uma margem confortável ao Peixe, não mudou o cenário. O time de Cuca continuou cedendo espaços e chegou ao intervalo perdendo por 3 a 1.
Arthur muda o jogo, mas a linha de cinco falha no fim
Cuca reagiu no intervalo com Lucas Veríssimo e Arthur nos lugares de Luan Peres e Gustavo Henrique. A entrada de Arthur, sobretudo, modificou o funcionamento do Santos. O Peixe passou a encontrar mais espaços no campo ofensivo, teve maior presença perto da área e criou chances suficientes para recuperar o controle da eliminatória.
Bontempo ganhou participação e Gabigol passou a receber em melhores condições. Antes de marcar, o camisa 9 já havia obrigado Gabriel Delfim a fazer boa defesa. Bontempo também parou no goleiro e na trave. O gol que recolocou o Santos em vantagem no agregado sintetizou a mudança: Arthur encontrou Gabigol com um passe que rompeu a defesa, e o atacante concluiu para fazer 3 a 2. Pouco depois, o próprio Arthur arriscou de fora da área, enquanto Gabigol teve outra oportunidade após passe de Rollheiser.
Mais do que reagir no placar, o Santos inverteu a dinâmica da partida. Depois de passar boa parte do primeiro tempo tentando sobreviver ao Atlético-MG, tornou-se a equipe mais perigosa em boa parte da etapa final.
A reação, porém, perdeu valor diante da incapacidade de fechar o confronto. Com a classificação novamente nas mãos, Cuca reforçou o sistema defensivo e montou uma linha de cinco para proteger a área. A escolha tinha lógica diante da necessidade do Atlético de buscar o gol, mas a execução falhou justamente na situação que a mudança pretendia evitar. Aos 46 minutos, Castaño levantou a bola de uma região intermediária e Cuello apareceu livre para cabecear. O Santos tinha jogadores suficientes para controlar a área, mas não conseguiu impedir a finalização que levou a disputa para os pênaltis.
É esse lance que melhor resume a eliminação. O Peixe mostrou repertório para reagir a um primeiro tempo muito ruim e personalidade para recuperar uma classificação que havia escapado. Quando precisou apenas sustentar essa vantagem, porém, voltou a cometer uma falha decisiva.
A queda deixa aspectos aproveitáveis, principalmente pela resposta apresentada depois do intervalo e pelo impacto de Arthur no meio-campo. Mas também reforça um alerta para a sequência do Brasileiro: reagir não basta se o Santos continuar oferecendo ao adversário oportunidades justamente nos momentos em que o jogo exige controle.