Análise: São Paulo cai na Sul-Americana e dá adeus ao título
Empurrado por mais de 55 mil torcedores no Morumbis, o São Paulo empatou em 1 a 1 com o Boca Juniors e foi eliminado nas quartas da Sul-Americana. A ansiedade na saída de bola e a dificuldade no meio-campo explicam o adeus ao último título do ano.
Empurrado por mais de 55 mil torcedores no Morumbis e precisando da vitória para seguir vivo na Copa Sul-Americana, o São Paulo esbarrou na própria ansiedade e foi eliminado nas quartas de final. O Tricolor empatou em 1 a 1 com o Boca Juniors na última terça-feira e deu adeus à competição com uma atuação irreconhecível.
O time de Dorival Júnior entrou nervoso, dominado no meio-campo e incapaz de transformar posse de bola em pressão efetiva. A eliminação não veio de um detalhe isolado: foi o retrato de uma equipe que produziu pouco, sofreu com falhas de concentração e encerrou sua última chance de título em um ano de instabilidade.
O que mudou no São Paulo
Dorival colocou em campo o que tinha de melhor. Depois de preservar os titulares no fim de semana, o treinador contou com força máxima. Iago, após sofrer dura entrada no clássico, saiu jogando. No meio, a surpresa: Pablo Maia foi sacado para a entrada de Danielzinho. Luciano, preservado no sábado por um edema na coxa esquerda, foi para o sacrifício. E Gustavo Santana substituiu Calleri, suspenso pelo acúmulo de cartões amarelos.
A mudança no meio-campo, porém, não resolveu o problema central. O São Paulo não conseguia se aproximar para trocar passes curtos diante da marcação forte do Boca no setor. Os lançamentos longos para Gustavo Santana viraram alternativa, e o rival cortou quase todos com facilidade.
Onde o jogo escapou
Se o São Paulo esperava um Boca Juniors recuado, enganou-se. O duelo começou truncado, com disputas no meio-campo e o time argentino dividindo a posse de bola com o Tricolor. A equipe mandante tomou decisões precipitadas na saída e apostou em bolas longas que não encontravam destino.
Foram 20 minutos de um Boca confortável em campo. A pressão tricolor não surtiu efeito, e o rival retomava a posse justamente nos erros cometidos pelo próprio São Paulo. Um início pobre dos donos da casa, que não criaram nada antes da parada técnica.
A fala de Dorival Júnior no banco resumiu o diagnóstico: "Tudo que poderíamos errar, nós já erramos. Calma agora, calma".
A leitura tática é clara. Sem aproximação entre linhas e com o meio-campo dominado, o São Paulo não sustentou o sistema de jogo que marcou seus melhores momentos na temporada. A rotação travou, o bloqueio não subiu e a equipe ficou refém do erro. Ponto a ponto, o título escapou.
O próximo compromisso decisivo do Tricolor é retomar a estabilidade no Brasileirão, onde a equipe precisa reagir para não encerrar o ano sem qualquer conquista. campanha do São Paulo no Brasileirão