Futebol

O que Ancelotti vê que a seleção brasileira tem que aprender com a Espanha?

ResumoCarlo Ancelotti, técnico da seleção brasileira, destaca a necessidade de o Brasil aprender com o meio-campo forte da Espanha, campeã mundial. Ancelotti aponta a falta de meio-campistas cadenciados no futebol brasileiro e defende a formação de novos talentos na base para suprir essa carência tática.

Carlo Ancelotti, técnico da seleção brasileira, aponta o meio-campo forte da Espanha, campeã mundial, como lição para o Brasil. Em entrevistas, ele detalha a falta de meio-campistas cadenciados e a necessidade de formar novos talentos na base.

Letícia Camargo
por Letícia Camargo · 30 de julho de 2026
O que Ancelotti vê que a seleção brasileira tem que aprender com a Espanha?

Pela primeira vez desde a eliminação do Brasil na Copa do Mundo de 2026, Carlo Ancelotti explicou suas escolhas e projetou o futuro sob seu comando. O técnico da Seleção concedeu entrevistas exclusivas a três veículos de imprensa brasileiros nesta quarta-feira (29). Por contrato, o selecionado brasileiro será treinado pelo italiano até o fim do Mundial de 2030. Até lá, Carletto leva como lição a maior força da Espanha, campeã do mundo sobre a Argentina: o seu meio-campo.

Ancelotti, ao falar da deficiência brasileira em formar um tipo de meio-campista mais cadenciado, destacou a qualidade dos titulares e reservas da seleção espanhola, que fizeram a diferença para o título. "O Mundial que a Espanha ganha vem com o meio-campo muito forte, com três titulares [Fabián Ruiz, Rodri e Dani Olmo], mas com quatro no banco [Pedri, Mikel Merino, Martín Zubimendí e Gavi], e um deles, Merino, entrou e decidiu muitos jogos", afirmou à "ESPN".

Quando questionado pelo "ge" sobre o estilo de jogo muito vertical do Brasil, o italiano disse que a Espanha só conseguiu controlar as partidas com a posse de bola justamente pelo perfil de seu meio. "O time que ganhou a Copa do Mundo, a Espanha, teve muita posse de bola. Mas a Espanha sofreu um gol [em toda a campanha]. Teve muita posse porque tem uma geração de meio-campistas muito forte. A seleção espanhola tem sete meio-campistas tops no mundo. [...] Eles tiveram a possibilidade de controlar muito o jogo e de ganhar."

Ao comentar as lacunas na geração de jogadores brasileiros, Ancelotti foi enfático em dizer que faltam meio-campistas. O setor teve seis convocados na Copa: Fabinho, Casemiro, Bruno Guimarães, Lucas Paquetá, Danilo Santos e Ederson, sendo que o último só foi chamado pelo corte do lateral-direito Wesley. "Vamos focalizar com os treinadores de base, sub-15, 17, posições menos cobertas. Acompanhar, ter contato direto com os clubes para avaliar e controlar a progressão dos jogadores. Temos que buscar meio-campistas. Hoje falta isso. Temos perfis jovens que podem progredir, como Andrey Santos, e outros que estão no Campeonato Brasileiro e estão evoluindo. E há mais que estão na base, que têm possibilidade de estar com a Seleção", disse, novamente, à "ESPN".

"Na formação do talento, é preciso ter conexão com o clube. É o clube que forma o talento. A Seleção pode ajudar, obviamente, mas em conexão com o clube, que é fundamental. Para o futuro, queremos abrir a relação com os clubes para a formação dos talentos. No futuro, temos que focar mais na formação dos meio-campistas", reiterou, ao "ge".

Nenhum dos convocados ao meio-campo brasileiro no Mundial tem o perfil de controlar os jogos, ditar o ritmo, trazer paciência e direcionar os ataques. Todos, sem exceção, são intensos e verticais para acelerar as jogadas, tendo no ataque mais jogadores que têm essas características, como Vinicius Júnior, Raphinha e Endrick. Ancelotti vê que a melhor forma de potencializar o Brasil é atacar rápido. Até por isso, na eliminação para os noruegueses, a Seleção teve apenas 34% de posse de bola, menor índice na história das Copas do Mundo desde 1966.

O técnico italiano foi muito criticado por isso. Ao "ge", no entanto, mostrou que a mudança no estilo de jogo brasileiro só deve ocorrer se tiver a ascensão de um meia que cumpra esse perfil de ser mais passador. "O estilo é baseado nas características dos jogadores. Se surgirem jogadores novos, um meio-campista de muita qualidade, obviamente você pode jogar mais jogo de posse."

Após a eliminação, que Ancelotti assumiu que o fez sofrer muito e dói até hoje, a seleção brasileira terá seus primeiros compromissos no fim de setembro, em duplo amistoso contra a Austrália, é negociado outro jogo, provavelmente contra a Índia. Será a chance de ver as novas caras que o técnico quer trazer. Ele assumiu o fim de ciclo de nomes como Neymar, Casemiro, Danilo, Fabinho e outros acima dos 30 anos. Dentre os experientes, só cravou a manutenção de Marquinhos. A Seleção terá o primeiro grande teste em 2028, com a Copa América, não conquistada desde 2019. "Vamos mapear os novos jogadores que possam entrar não digo na próxima Copa do Mundo de 2030, mas que possam já ser competitivos no primeiro objetivo, que é a Copa América de 2028", disse ao "ge".

Perguntas Frequentes

Por que Ancelotti cita a Espanha como modelo para o Brasil?

Ancelotti destaca que a Espanha, campeã mundial, tem um meio-campo com sete jogadores de nível top, que controlam o jogo com posse de bola, algo que falta ao Brasil.

Quais jogadores do meio-campo brasileiro foram convocados para a Copa de 2026?

Foram seis: Fabinho, Casemiro, Bruno Guimarães, Lucas Paquetá, Danilo Santos e Ederson, todos com perfil vertical e intenso.

O que Ancelotti planeja para formar novos meio-campistas?

Ele quer focar na base (sub-15, 17), com contato direto com clubes, para mapear e desenvolver jogadores com perfil mais cadenciado.

Quando será o próximo compromisso da seleção brasileira?

No fim de setembro, em duplo amistoso contra a Austrália, com negociação para outro jogo, provavelmente contra a Índia.

Qual o primeiro grande teste do Brasil após a Copa de 2026?

A Copa América de 2028, competição que o Brasil não conquista desde 2019.

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