# Infantino abandona projeto de vender parte da Copa do Mundo

> Gianni Infantino abandonou o projeto Fifa Forward Enterprise, que previa vender parte da Copa do Mundo a investidores. A proposta, avaliada em US$ 20 bilhões, foi retirada após pressão de Uefa, AFC e Concacaf e críticas internas. A decisão encerra a tentativa de comercializar direitos do torneio.

*Esporte Notícia · Futebol · 03 de agosto de 2026 · Gustavo Pereira Lacerda*

Gianni Infantino recuou do projeto Fifa Forward Enterprise, que poderia vender parte da Copa do Mundo a investidores. Pressão de Uefa, AFC e Concacaf e críticas internas derrubaram a proposta avaliada em US$ 20 bilhões.

## Infantino abandona projeto que poderia vender parte da Copa do Mundo

Gianni Infantino sofreu um dos maiores reveses políticos de sua gestão à frente da Fifa. O presidente da entidade decidiu retirar a proposta de criação da Fifa Forward Enterprise (FFE), subsidiária que concentraria a exploração comercial dos principais ativos da organização, incluindo a Copa do Mundo. A decisão foi anunciada após forte resistência de confederações continentais, federações nacionais e até integrantes da própria administração da Fifa.

## O que era a Fifa Forward Enterprise?

A FFE foi apresentada como uma forma de ampliar as receitas da Fifa e, consequentemente, aumentar os investimentos destinados às suas 211 associações nacionais. O projeto previa a criação de uma empresa avaliada em cerca de US$ 20 bilhões, da qual pouco mais de 20% poderia ser vendido a investidores privados. A operação teria potencial para arrecadar aproximadamente US$ 4,2 bilhões, mantendo a Fifa como acionista majoritária.

Na defesa da proposta, Infantino argumentava que a medida não significava vender a Copa do Mundo, mas criar uma estrutura capaz de gerar mais recursos para acelerar o desenvolvimento do futebol, sobretudo em países com menor tradição na modalidade. Segundo ele, a ideia era fortalecer programas como o Fifa Forward e ampliar o apoio financeiro às federações nacionais.

## A reação das confederações

A Uefa liderou o movimento contrário ao projeto. A confederação europeia chegou a alertar que seus membros poderiam boicotar competições organizadas pela Fifa caso a iniciativa fosse mantida. A posição foi acompanhada pela Confederação Asiática de Futebol (AFC) e pela Concacaf, ampliando a pressão sobre Infantino.

Na América do Sul, a Conmebol preferiu adotar um tom menos contundente, mas também demonstrou preocupação. A entidade solicitou informações adicionais à Fifa e ressaltou que decisões comerciais jamais deveriam se sobrepor à essência esportiva do futebol.

## Críticas internas e a saída de Carlos Cordeiro

A pressão externa foi somente parte do problema. Nos bastidores da própria Fifa, o presidente também viu crescer a insatisfação com a forma como o projeto foi conduzido.

O principal sinal dessa ruptura veio com a saída de Carlos Cordeiro, um dos principais assessores de Infantino. Ele renunciou ao cargo e classificou a proposta como um "mau negócio", argumentando que a entidade não precisava abrir espaço para investidores privados diante de sua sólida situação financeira.

Pouco depois, o diretor de operações da Fifa, Kevin Lamour, endureceu ainda mais o discurso. Em nota pública, afirmou que a venda era "o projeto de uma pessoa só" e acusou Infantino de ter "enganado" integrantes da administração durante a elaboração da iniciativa.

## O recuo oficial

Diante do desgaste, o mandatário anunciou que o projeto será abandonado. Em comunicado, Infantino afirmou que a proposta foi concebida para fortalecer as Associações Membro da Fifa e o esporte em todo o mundo, especialmente onde o apoio é mais necessário. Ele ressaltou que a medida só seguiria adiante se a maioria das associações estivesse de acordo e sempre sujeito a um processo de consulta.

"Após ouvir atentamente todas as opiniões, ficou claro que o projeto gerou divisões de tal natureza que, independentemente do nível de apoio, já não estão alinhadas com o objetivo inicialmente estabelecido", declarou o presidente da Fifa.

Infantino também afirmou que o propósito da entidade sempre foi "unir e melhorar" e que a proposta não seguirá adiante. Ele sinalizou a intenção de reunir novamente todas as partes interessadas nos próximos dias e semanas, com o objetivo de continuar desenvolvendo o futebol em todos os lugares, particularmente nos países que mais necessitam de apoio.

## O que muda com a decisão

O recuo representa uma vitória das confederações que defendiam maior debate antes de qualquer mudança estrutural na exploração comercial dos ativos da organização. Com críticas vindas tanto de dentro quanto de fora da entidade, a Fifa perdeu sustentação política para levar adiante um dos projetos mais ambiciosos da atual gestão.

A decisão impõe a Infantino o desafio de reconstruir pontes com dirigentes. O episódio expõe a fragilidade do apoio interno e externo à sua condução, especialmente em um momento em que a entidade se prepara para novos ciclos de investimento no futebol mundial.

## Próximos passos

Ainda não há detalhes sobre como a Fifa pretende ampliar suas receitas sem a FFE. A entidade deve retomar o diálogo com as confederações e federações nacionais para definir prioridades. A expectativa é que o tema volte à pauta em reuniões futuras, mas com um formato que leve em conta as preocupações levantadas durante o processo.

Para os torcedores, a notícia é um alívio: a Copa do Mundo segue sob controle integral da Fifa, sem risco de venda de participação a investidores privados. A decisão também reforça o papel das confederações como contrapeso às iniciativas da cúpula da entidade.

## Perguntas Frequentes

### O que era a Fifa Forward Enterprise?

Era uma subsidiária proposta pela Fifa para concentrar a exploração comercial dos principais ativos da organização, incluindo a Copa do Mundo. A empresa seria avaliada em cerca de US$ 20 bilhões, com venda de pouco mais de 20% a investidores privados.

### Por que Infantino abandonou o projeto?

Após forte pressão de confederações continentais como Uefa, AFC e Concacaf, além de críticas internas, incluindo a renúncia do assessor Carlos Cordeiro, a Fifa perdeu sustentação política para levar adiante a proposta.

### Quem era contra a venda?

A Uefa liderou o movimento contrário, com ameaça de boicote a competições da Fifa. AFC e Concacaf acompanharam a posição. A Conmebol demonstrou preocupação e pediu mais informações.

### A Copa do Mundo será vendida?

Não. Com o abandono do projeto, a Copa do Mundo segue sob controle integral da Fifa, sem venda de participação a investidores privados.

### O que Infantino disse sobre o recuo?

Ele afirmou que o projeto gerou divisões que não estavam alinhadas com o objetivo inicial e que a proposta não seguirá adiante. Sinalizou a intenção de reunir as partes interessadas nos próximos dias e semanas.

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Fonte (canonical): https://www.esportenoticia.com.br/futebol/apos-forte-pressao-infantino-abandona-projeto-poderia-vender-parte-copa-mundo/
