O que o Brasil pode aprender com Espanha e Argentina na final da Copa do Mundo
Espanha e Argentina se enfrentam neste domingo no MetLife Stadium pela final da Copa do Mundo. O Brasil, eliminado nas oitavas pela Noruega, pode tirar lições de defesa e continuidade de trabalho dos finalistas.
O que o Brasil pode aprender com Espanha e Argentina na final da Copa do Mundo
Espanha e Argentina se enfrentam neste domingo (19), no MetLife Stadium, pela final da Copa do Mundo. Bilhões de pessoas ao redor do mundo acompanharão a partida ao vivo. No Brasil, que teve de se contentar com a eliminação precoce para a Noruega ainda nas oitavas de final com uma atuação nada convincente, o jogo também pode ser uma oportunidade de avaliar o que a Seleção pode tirar de lição dos finalistas.
O Brasil pode aprender com a Espanha a importância de um sistema defensivo sólido, a equipe de Luis de la Fuente sofreu apenas um gol em toda a Copa. Com a Argentina, a lição é sobre construir um elenco que se doa por seu líder, como Messi, que participou de 12 dos 19 gols da equipe.
O sistema defensivo espanhol: solidez que faltou ao Brasil
Durante a Copa do Mundo, a Espanha evoluiu jogo após jogo. Do empate sem gols com Cabo Verde na estreia à vitória por 2 a 0 sobre a favorita França na semifinal. Luis de la Fuente montou a melhor defesa desta Copa do Mundo, sofrendo apenas um gol em toda a competição, na vitória sobre a Bélgica, por 2 a 1, nas quartas de final.
O treinador, que assumiu em 2022, "aposentou" alguns dos nomes que defenderam a seleção no Mundial do Catar para isso. Com Aymeric Laporte e Pau Cubarsí, a Espanha conquistou solidez na linha da zaga, e consegue conciliar ataque e defesa com os laterais Marc Cucurella e Pedro Porro. Mais do que o sistema defensivo, pesa também a ótima participação sem bola de toda a equipe, nos encaixes de marcação e na pressão sobre o homem da bola.
O contraste com a defesa brasileira
Carlo Ancelotti teve apenas um ano para trabalhar com a equipe nesta Copa do Mundo. Entre maio e julho, o principal ponto de atenção para o treinador italiano foi a defesa. Ele chegou a afirmar que, durante os treinamentos, se preocupava em trabalhar as jogadas defensivas em vez do ataque. À frente de Alisson, foi diferente. Mesmo treinando isso a exaustão, o Brasil não corrigiu todas as suas falhas, cedendo muitos espaços contra Marrocos e sendo vazado diante de Japão e Noruega. Em 2026, o Brasil disputou nove partidas e foi vazado em sete.
Continuidade de trabalho: a base que deu certo na Espanha
De La Fuente não foi escolhido à toa para substituir Luis Enrique em 2022. O treinador havia trabalhado nas categorias de base da Espanha e levado a seleção à medalha de prata na Olimpíada de Tóquio-2020, quando perdeu a final justamente contra o Brasil. Cinco anos depois, a forma como Brasil e Espanha utilizaram suas categorias de base ajuda a explicar o nível em que cada uma se encontra.
Dos 11 titulares de André Jardine naquela ocasião, somente Matheus Cunha e Bruno Guimarães disputaram o Mundial de 2026. Do lado espanhol, De La Fuente manteve os principais nomes na seleção: Pedri, Unai Simón, Dani Olmo, Mikel Oyarzabal, Mikel Merino, Martín Zubimendi, Eric García e Cucurella. O trabalho continuado permitiu que a Espanha levasse o entrosamento do elenco desde as categorias de base, conquistando a Eurocopa de 2024 e voltando a uma final de Copa do Mundo, algo que não ocorria desde 2010.
O tempo de trabalho de Ancelotti
Cada modelo tem seus pontos fortes e fracos. A questão com Ancelotti, e que deu certo com De La Fuente, é o tempo de trabalho. O treinador da Espanha teve dois anos para maturar seu esquema tático na Eurocopa, e já conhecia a maioria dos jogadores desde a base. Com o italiano, levará um tempo maior para consolidar suas ideias, e é por isso que a CBF já assegurou o contrato do treinador até 2030.
O legado de Messi e a entrega coletiva argentina
Nas declarações dos jogadores e dentro de campo, é possível notar como Lionel Messi é o líder da seleção argentina. Desde a chegada de Scaloni, em 2019, o elenco passou a se doar ainda mais pelo camisa 10. A ideia deu resultado com os títulos da Copa América (2021 e 2024) e da Copa do Mundo, em 2022.
Messi é um dos jogadores que menos corre em campo nesta Copa do Mundo. Aos 39 anos, o atacante se preserva para atacar o adversário quando necessário. É assim que soma oito gols no Mundial e quatro assistências, duas contra a Inglaterra, na semifinal. O camisa 10 do Inter Miami tem algo que Neymar, em seu auge, não teve: uma equipe que se doasse por ele, além de ótimos coadjuvantes.
A ideia do elenco argentino é mais "visceral" e "passional" do que lógica. Em diversas ocasiões, os jogadores se entregaram publicamente em apoio ao capitão. Rodrigo De Paul e Emiliano Martínez, por exemplo, chegaram a dizer que "dariam a vida" pelo principal jogador do elenco. É assim que, sem precisar correr mais do que o necessário, Messi é responsável por 12 dos 19 gols marcados pela Argentina nesta Copa do Mundo, melhor ataque da competição.
Perguntas Frequentes
Qual a principal lição defensiva que o Brasil pode tirar da Espanha?
A Espanha sofreu apenas um gol em toda a Copa, mostrando que um sistema defensivo bem trabalhado, com solidez na zaga e participação coletiva sem bola, é fundamental.
Como a continuidade de trabalho ajudou a Espanha?
Luis de la Fuente manteve jogadores desde as categorias de base, garantindo entrosamento e maturação tática, resultando na Eurocopa de 2024 e na final do Mundial.
O que a Argentina ensina sobre liderança?
A entrega coletiva em torno de Messi, mesmo aos 39 anos, mostra como um elenco pode potencializar um líder, com o camisa 10 participando de 12 dos 19 gols da equipe.
Carlo Ancelotti terá tempo para implementar suas ideias?
Sim, a CBF já assegurou o contrato do treinador até 2030, permitindo que ele consolide seu estilo relacional com mais tempo de trabalho.
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