Brasil após fala de Ancelotti sobre meio-campo pode mudar?
A primeira convocação de Carlo Ancelotti após a Copa do Mundo, anunciada nesta quarta-feira (9), trouxe 16 novidades e escancarou um problema: só dois meio-campistas do Mundial permaneceram, Bruno Guimarães e Danilo. Em entrevista coletiva, o italiano disse que defesa e ataque estão resolvidos, mas o meio precisa de atenção.
Para ele, isso pode ser crucial para o jeito de jogar. Desde que assumiu, em julho de 2025, o Brasil alternou entre 4-3-3 e 4-2-4, com sucesso no 4-2-4 que usava Estêvão e Rodrygo nas pontas e Vini Jr. e Matheus Cunha como dupla de ataque. Mas Ancelotti admitiu que o modelo pode mudar por causa da transição e da falta de opções no meio.
"O modelo de jogo depende muito das características dos jogadores que você tem e de qualidade nesse momento. Todo mundo fala do modelo de jogo da Espanha, mas a Espanha pode propor esse modelo porque tem muitos meio-campistas", afirmou o italiano. "Quando você tem muitos bons defensores, muitos bons atacantes (mas não meias), fazer o jogo de controle de posição é muito mais complicado."
Para setembro e outubro, Ancelotti chamou seis meio-campistas: Bruno e Danilo, remanescentes, mais Andrey Santos, Douglas Luiz e as novidades Breno Bidon e Gabriel Bontempo, ambos de 21 anos, com perfil técnico e criativo, fora do padrão físico de outras opções. Douglas Luiz, aos 28, tenta ser solução para a saída de Casemiro.
O técnico não confirmou se jogará com dois ou três meias, mas deu pistas. Disse que foi à Copa com três por causa de lesões, indicando que a ideia era manter o 4-2-4. A qualidade dos convocados, porém, permite variação. "Quase todos esses jogadores são com as mesmas características. Meio box-to-box, menos Douglas Luiz e Andrey, jogadores mais posicionais."
A dúvida segue nas pontas. Estêvão, melhor jogador da era Ancelotti antes de se lesionar, é um meia que atua aberto, caindo por dentro. Vini Jr., que fez excelente Copa como ponta clássico, não é esse meia de aproximação. Samuel Lino e Raphinha podem ser testados, mas a tendência é que Vini siga como ponta.
O que se espera, então, é um Brasil que acelera o jogo, foca nas pontas e não quer controlar o ritmo com posse no meio. Foi assim na estreia, em jogos ruins como o amistoso contra a França, e até no Mundial contra Marrocos. A verticalidade é o feitio de Ancelotti, e a Seleção agora se prepara para dois jogos contra a Austrália e o primeiro confronto da história contra a Índia.