# Caso Ticketmaster expõe guerra política no São Paulo

> Caso Ticketmaster no São Paulo Futebol Clube expõe guerra política entre Massis e Olten Ayres a três meses da eleição presidencial. O contrato de R$ 140 milhões para gerir ingressos do Morumbis tornou-se novo front de disputa. A gestão do estádio e a bilheteria do clube paulista estão no centro do embate entre as duas chapas.

*Esporte Notícia · Futebol · 04 de setembro de 2026 · Juliana Prado*

A três meses da eleição presidencial, o contrato da Ticketmaster para gerir ingressos do Morumbis virou novo front da disputa entre Massis e Olten Ayres, com R$ 140 milhões em jogo.

A três meses da eleição presidencial do São Paulo, o contrato com a Ticketmaster para gerir os ingressos do Morumbis virou o novo front da guerra política entre o presidente Harry Massis e Olten Ayres, presidente do Conselho Deliberativo (CD). O pleito está marcado para a primeira quinzena de dezembro. O acordo, se aprovado pelos conselheiros, prevê antecipação de R$ 140 milhões ao clube ainda este ano, valor tratado pela diretoria como fundamental para quitar atrasos com o elenco, incluindo direitos de imagem com mais de dois meses de débito.

O contrato já passou pelo Conselho Administrativo, mas Olten Ayres impôs um empecilho antes de convocar a votação no CD. Na última terça-feira, ele delegou a criação de uma comissão especial, com quatro conselheiros, para analisar o documento. A motivação foi um e-mail de Cesar Sbrighi, gerente de país da NewC no Brasil, ao qual a reportagem teve acesso. A NewC disputava a gestão dos ingressos e questionou como se deu a escolha pela Ticketmaster, que venceu a concorrência para substituir a Total Acesso, cujo contrato termina no fim do ano. Em nota na quarta-feira, Massis repudiou a NewC e o Conselho, chamando o caso de "tentativa de prejudicar um processo estruturado", e disse que a oferta concorrente não foi apresentada formalmente.

A decisão de Olten não caiu bem na diretoria executiva. Em áudio vazado na terça-feira, com veracidade confirmada pela reportagem, Massis pediu apoio de grupos políticos para apressar a votação, afirmando: "Agora eu preciso que vocês ajudem a fazer o presidente [Olten Ayres] do CD colocar a pauta para ser votada. Porque, se segurar e não for votada, não vamos cumprir nada, pô! Não vai ter dinheiro para pagar nada". A antecipação é vista como essencial para o caixa: em julho, dirigentes prometeram regularizar os atrasos em até um mês, mas a meta não foi cumprida.

O racha entre Massis e Olten vem de fevereiro, quando Christina Massis, filha do presidente, foi alvo de denúncia por suposta revenda irregular de ingressos para shows no Morumbis. O Conselho Consultivo analisou o caso, mas Massis foi mantido. Em abril, Massis protocolou pedido de expulsão de Olten por suposta gestão temerária; em junho, os conselheiros reprovaram o afastamento cautelar de 120 dias. Massis também enfrentou pedido de expulsão, arquivado pela Comissão de Ética, após o transfer ban de 21 de julho.

A rejeição da reforma estatutária em 27 de agosto, com todas as 54 alterações reprovadas, foi tratada como vitória da gestão. A proposta, defendida por Olten, previa governança com nove integrantes no Conselho de Administração, cinco independentes, e estruturas de compliance. "A guerra política é pior, porque é uma guerra contra o São Paulo", disse Olten ao Metrópoles. Na eleição, seis grupos apoiam Massis; a oposição, de Olten, deve lançar Marcelinho Portugal Gouvêa, após Rogério Caboclo desistir. Massis não descarta concorrer.

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