CBF avança em projeto de liga única e fará reuniões com clubes até dezembro
A CBF retomou o projeto de criação de uma liga única de clubes no futebol brasileiro, com reuniões presenciais agendadas até dezembro de 2026. A proposta, que divide opiniões entre dirigentes, esbarra em questões financeiras e de governança. Entenda os bastidores e as chances rea
CBF avança em projeto de liga única e fará reuniões com clubes até dezembro
A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) retomou as tratativas para a criação de uma liga única de clubes, com reuniões presenciais agendadas até dezembro de 2026. A proposta, que já foi discutida em 2023 e 2024 sem avanço, ganhou novo fôlego sob a gestão do presidente Ednaldo Rodrigues. A CBF convocou representantes de clubes das Séries A e B para debater o modelo de governança, a distribuição de receitas de transmissão e o calendário unificado. Até agora, não há consenso sobre a divisão do poder de voto nem sobre a fatia dos direitos comerciais que caberá à entidade.
A CBF avança em projeto de liga única e fará reuniões com clubes até dezembro, segundo comunicado oficial da entidade divulgado em outubro de 2026. A ideia central é substituir o atual modelo fragmentado, em que cada clube negocia individualmente seus direitos de transmissão, por uma estrutura centralizada, nos moldes da Premier League inglesa ou da La Liga espanhola. A proposta prevê que a liga seja administrada por um conselho com representantes dos clubes, mas a CBF manteria um assento permanente e poder de veto em decisões estratégicas.
Os entraves financeiros e de governança
O principal ponto de atrito é a divisão das receitas. Clubes grandes, como Flamengo, Corinthians e Palmeiras, defendem que a fatia seja proporcional ao tamanho da torcida e à audiência gerada. Já clubes de menor expressão pedem um modelo mais equitativo, com um piso mínimo garantido. Em 2023, uma proposta semelhante naufragou justamente por falta de acordo nesse ponto. A CBF, por sua vez, quer garantir que 10% da receita bruta da liga seja destinada a investimentos em categorias de base e futebol feminino.
Outro entrave é a governança. A CBF propõe que a liga tenha um presidente eleito pelos clubes, mas com mandato de quatro anos e possibilidade de reeleição. Críticos apontam que isso pode perpetuar a influência da entidade sobre o futebol nacional. Em agosto de 2026, o clube dos 13, que reúne as principais agremiações do país, emitiu nota pública defendendo que a liga seja "independente e gerida exclusivamente pelos clubes". A nota não foi endossada pela CBF.
A resistência dos clubes e o calendário
Apesar do avanço nas conversas, a resistência de alguns clubes permanece. O Atlético Mineiro, por exemplo, manifestou publicamente que só aceitará a liga única se houver garantias de que as receitas de transmissão não serão reduzidas em relação ao modelo atual. Já o Santos, que enfrenta dificuldades financeiras, vê na proposta uma chance de aumentar sua arrecadação. Em outubro de 2026, o presidente do clube, Marcelo Teixeira, afirmou à imprensa que "a liga única é o caminho, mas precisa ser justa para todos".
As reuniões presenciais devem ocorrer até o fim de dezembro, em datas ainda não divulgadas. A CBF informou que, após as reuniões, será elaborado um relatório com as propostas finais, que será submetido à aprovação dos clubes em assembleia geral. Caso aprovado, o novo modelo pode entrar em vigor a partir da temporada 2028.
O que falta para o negócio se concretizar
Para que a liga única saia do papel, é preciso superar três obstáculos principais. O primeiro é o acordo financeiro: definir a divisão das receitas de transmissão e patrocínios. O segundo é a governança: estabelecer o peso do voto de cada clube e o papel da CBF. O terceiro é o calendário: compatibilizar as datas dos campeonatos estaduais, da Copa do Brasil e da Libertadores com o novo modelo. Até agora, nenhum desses pontos foi resolvido.
A CBF aposta na pressão do calendário para forçar um acordo. Em 2027, a entidade pretende lançar uma nova edição do Campeonato Brasileiro com formato unificado, independentemente da liga. Se os clubes não se unirem, correm o risco de perder o controle sobre a organização do torneio. O prazo até dezembro é curto, e a chance de um acordo total é considerada baixa por analistas de mercado.
O impacto nos direitos de transmissão
A centralização dos direitos de transmissão é o principal atrativo da liga única. Atualmente, cada clube negocia individualmente com emissoras e plataformas de streaming, o que gera disparidades enormes de receita. Em 2025, o Flamengo faturou cerca de R$ 300 milhões com direitos de TV, enquanto o Cuiabá recebeu menos de R$ 50 milhões. Com a liga única, a expectativa é que o bolo total cresça, mas a divisão ainda é motivo de disputa.
A CBF estima que a receita combinada dos clubes da Série A pode chegar a R$ 3 bilhões por ano com a liga única, valor superior aos atuais R$ 2,2 bilhões. No entanto, esse número depende de negociações com as emissoras, que ainda não foram iniciadas. A entidade já sinalizou que pretende abrir concorrência internacional para os direitos de transmissão, o que pode elevar o valor.
Perguntas Frequentes
O que é a liga única proposta pela CBF?
É um modelo de organização centralizada do futebol brasileiro, em que os clubes das Séries A e B negociam coletivamente direitos de transmissão e patrocínios, sob uma governança compartilhada com a CBF.
Quando as reuniões com os clubes vão acontecer?
As reuniões presenciais estão agendadas para ocorrer até dezembro de 2026, em datas ainda não divulgadas pela CBF.
Quais clubes são contra a liga única?
Clubes como Atlético Mineiro e Corinthians manifestaram resistência, principalmente em relação à divisão de receitas e ao poder de voto da CBF.
A liga única vai aumentar as receitas dos clubes?
A CBF estima que a receita total pode subir de R$ 2,2 bilhões para R$ 3 bilhões por ano, mas o valor depende de negociações com emissoras.
Quando a liga única pode começar a valer?
Se aprovada, a liga única pode entrar em vigor a partir da temporada 2028, após a elaboração do relatório final e assembleia geral dos clubes.
Qual o papel da CBF na liga única?
A CBF manteria um assento permanente no conselho da liga e poder de veto em decisões estratégicas, além de receber uma fatia das receitas para investir em base e futebol feminino.