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Cidades-sede da Copa nos EUA cobram milhões prometidos pela Fifa

Cidades-sede da Copa do Mundo nos EUA cobram milhões prometidos pela Fifa

Quatro cidades americanas que receberam jogos da Copa do Mundo de 2026 estão cobrando milhões de dólares que, afirmam, foram prometidos pela Fifa. A informação foi publicada pelo The Athletic nesta terça-feira. Os recursos, de US$ 1 milhão (R$ 5,1 milhões na cotação atual) por cidade, seriam destinados a projetos de legado, como infraestrutura para o futebol e apoio a iniciativas sociais. Até agora, nenhum valor foi repassado.

Resposta direta: Cidades-sede da Copa do Mundo de 2026 nos EUA cobram da Fifa US$ 1 milhão (R$ 5,1 milhões) cada, prometidos verbalmente para fundos de legado. Quatro executivos de comitês organizadores afirmam que a cúpula da entidade garantiu o pagamento em reuniões, mas os recursos não saíram. A Fifa, procurada pela AFP, não quis se pronunciar.

Por que as cidades cobram US$ 1 milhão da Fifa

A promessa, segundo os executivos, foi feita de forma verbal. Quatro dirigentes de comitês organizadores de cidades-sede, que falaram à imprensa sob condição de anonimato para proteger suas relações, disseram que representantes do alto escalão da Fifa garantiram repetidamente que cada cidade receberia US$ 1 milhão (R$ 5,1 milhões) em fundos de "legado". O dinheiro seria usado para construir infraestrutura voltada ao futebol e apoiar projetos sociais.

O The Athletic informou que as autoridades das cidades solicitaram os pagamentos depois que o presidente da Fifa, Gianni Infantino, anunciou contribuições semelhantes para as cidades-sede da Copa do Mundo de Clubes de 2025, também nos Estados Unidos. A diferença: para o Mundial de 2026, a entidade nunca fez um anúncio público sobre esse repasse.

"Segundo quatro executivos dos comitês organizadores de cidades-sede nos Estados Unidos, que pediram para não serem identificados para protegerem suas relações, a cúpula da Fifa garantiu repetidamente às cidades que elas receberiam a mesma contribuição de US$ 1 milhão para projetos de legado, embora a organização nunca tenha feito um anúncio público nesse sentido", escreveu o portal.

O que dizem os executivos e o que a Fifa responde

Os quatro executivos afirmaram que a promessa foi reiterada em diversas reuniões com dirigentes da entidade. Os recursos, porém, não foram repassados. Agora, várias cidades estão pedindo atualizações à equipe da Fifa sobre o andamento desses pagamentos. A cobrança não é pública: ela ocorre nos bastidores, por canais diretos com a organização.

Procurada pela AFP, a Fifa não quis se pronunciar sobre o assunto. O silêncio da entidade contrasta com a expectativa criada nas cidades-sede, que planejaram investimentos com base na promessa verbal. Sem confirmação oficial nem prazo, o impasse segue em aberto.

Quais cidades estão envolvidas na cobrança

A fonte não identifica nominalmente quais cidades estão cobrando os valores. O que se sabe é que dez cidades americanas sediaram jogos do Mundial: Seattle, San Francisco, Los Angeles, Dallas, Kansas City, Atlanta, Filadélfia, Miami, Boston e Nova York/Nova Jersey. A Copa foi organizada em conjunto por Estados Unidos, Canadá e México, e qualquer uma delas pode estar entre as que reivindicam o pagamento.

O valor total, se todas as dez recebessem o montante, chegaria a US$ 10 milhões (cerca de R$ 51 milhões), mas a fonte não confirma quantas cidades estão na cobrança nem se todas fizeram a mesma solicitação. O que os executivos relatam é que "várias cidades" pediram atualizações à Fifa.

O contexto financeiro do Mundial de 2026

A Copa do Mundo de 2026 foi a primeira a ser disputada por 48 seleções, ampliando o formato tradicional de 32 equipes. O torneio durou 39 dias, um recorde de duração. O impacto financeiro foi expressivo: as receitas da Fifa alcançaram US$ 15 bilhões (R$ 76,5 bilhões) durante o ciclo financeiro 2023-2026, um valor recorde para a entidade.

Esse número dá dimensão do que está em jogo. A cobrança de US$ 1 milhão por cidade representa uma fração mínima das receitas totais, mas o princípio é o que importa para os comitês locais: a palavra dada pela cúpula da Fifa. Para quem organizou a logística de um Mundial de 48 seleções, o valor prometido era uma compensação simbólica pelo trabalho e um investimento no futuro do futebol local.

O que isso significa para Gianni Infantino

A notícia chega em um momento delicado para o presidente da Fifa. Infantino já enfrenta críticas da Uefa e de outras confederações, além de setores internos da própria entidade, por sua proposta de abrir a Copa do Mundo a investimentos privados. A ideia, que foi retirada, gerou atrito com federações tradicionais. A cobrança das cidades-sede adiciona mais um capítulo de desgaste à gestão.

O episódio expõe uma fragilidade de comunicação: promessas feitas verbalmente, sem registro público, criam expectativa e, quando não cumpridas, geram crise de confiança. Para as cidades, o que vale é o contrato, não a declaração. No futebol, como no mercado, boato não é notícia, é torcida com pressa. E aqui, o que falta é justamente o papel assinado.

O que falta para o pagamento sair

O impasse não tem prazo nem solução à vista. As cidades cobram, a Fifa não responde publicamente. Para o pagamento ocorrer, seria necessário um anúncio oficial da entidade reconhecendo o compromisso, algo que não aconteceu até agora. Os executivos, por sua vez, seguem aguardando uma posição da equipe da Fifa sobre os repasses.

Enquanto isso, as cidades-sede ficam no limbo: planejaram projetos sociais e de infraestrutura com base em uma promessa verbal, mas sem garantia formal. A lição, para quem acompanha bastidores de futebol, é direta: contrato fala mais alto que declaração. E, neste caso, a declaração foi feita, mas o papel nunca apareceu.

Perguntas Frequentes

Quanto cada cidade-sede da Copa de 2026 cobra da Fifa?

Cada cidade cobra US$ 1 milhão (R$ 5,1 milhões na cotação atual), valor prometido verbalmente para fundos de legado, segundo quatro executivos de comitês organizadores.

A Fifa confirmou o pagamento às cidades-sede?

Não. A Fifa nunca fez um anúncio público sobre o repasse para as cidades da Copa de 2026. Procurada pela AFP, a entidade não quis se pronunciar.

Quais cidades americanas sediaram jogos da Copa de 2026?

Seattle, San Francisco, Los Angeles, Dallas, Kansas City, Atlanta, Filadélfia, Miami, Boston e Nova York/Nova Jersey.

Quando a Fifa prometeu o dinheiro às cidades?

A promessa foi feita verbalmente em reuniões, após o anúncio de contribuições para as cidades-sede da Copa do Mundo de Clubes de 2025, nos EUA.

O que as cidades pretendiam fazer com o dinheiro?

Construir infraestrutura voltada ao futebol e apoiar projetos sociais, segundo os executivos ouvidos pelo The Athletic.

Gustavo Pereira Lacerda
Editor de Mercado da Bola
Catarinense, editor especializado em transferências e bastidores do mercado do futebol com fonte e ceticismo.
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