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Como o Barcelona acumulou R$ 12 bilhões em dívidas

ResumoO Barcelona acumulou dívida de 1,84 bilhão de euros, cerca de R$ 12 bilhões, apesar de superar 1 bilhão de euros em receitas na temporada 2025/26. O clube fechou o exercício com prejuízo de 17,8 milhões de euros, e as obras do novo Camp Nou explicam boa parte desse endividamento.

O Barcelona superou 1 bilhão de euros em receitas na temporada 2025/26, mas fechou o exercício com prejuízo de 17,8 milhões de euros e dívida de 1,84 bilhão. O novo Camp Nou explica boa parte da conta.

Vinícius Portela
por Vinícius Portela · 14 de setembro de 2026
Como o Barcelona acumulou R$ 12 bilhões em dívidas

O Barcelona está prestes a ultrapassar 2 bilhões de euros (R$ 12 bilhões) em dívidas. Na temporada 2025/26, o clube rompeu pela primeira vez a barreira de 1 bilhão de euros em receitas, feito antes alcançado apenas pelo Real Madrid. Faturar alto, porém, não significa ter caixa sobrando.

O endividamento chegou a 1,84 bilhão de euros em junho de 2026 e tende a crescer. Mais de 1,2 bilhão está ligado diretamente ao Espai Barça, o projeto de reforma e modernização do Camp Nou, apresentado há 12 anos e muito mais caro do que o planejado. O clube estima precisar de mais 300 milhões de euros em empréstimos para concluir as obras. Se a autorização for aprovada, o orçamento total do projeto chegará a cerca de 1,8 bilhão de euros, aproximadamente três vezes o valor previsto no início.

A aposta é que o estádio se pague no futuro. O Camp Nou reformado terá capacidade para cerca de 105 mil torcedores e, com o Espai Barça totalmente operacional, o clube projeta 250 milhões de euros adicionais em receitas por ano. O cronograma, porém, atrasou: o time voltou ao estádio em novembro do ano passado com apenas 45.401 lugares disponíveis, capacidade que subiu para mais de 62 mil em março, ainda longe do potencial concluído, previsto para 2028. A bilheteria cresceu só 3 milhões de euros na última temporada, enquanto a receita com hospitalidade disparou mais de 30 milhões.

A dívida não é barata. O Barcelona gastou mais de 90 milhões de euros em juros na última temporada, com vencimentos altos à frente: 149 milhões em 2026/27 e 345 milhões em 2027/28. A folha salarial chegou a 573,7 milhões de euros em 2025/26, alta de 63,7 milhões em um ano, sendo cerca de 421,6 milhões só no futebol masculino e nas categorias de base. Nos últimos sete anos, o déficit total somou aproximadamente 348 milhões de euros.

Para gerar caixa, a diretoria de Joan Laporta recorreu às alavancas financeiras. Em 2022, vendeu 25% dos direitos de TV de LaLiga pelos 25 anos seguintes ao fundo Sixth Street por 667,5 milhões de euros, mas precisa repassar ao fundo cerca de 40 milhões por ano. Depois do fechamento do exercício, o clube ainda emitiu 105 milhões de euros em títulos de dívida, com vencimento em dez anos e juros fixos de 5,14% ao ano, aproximando o total da marca de 2 bilhões. Cerca de 600 milhões não têm relação direta com o Espai Barça.

O mercado de transferências pesa menos: a dívida com outros clubes era de 82,3 milhões de euros ao fim da última temporada. O clube, no entanto, passou a financiar parcelas com empréstimos bancários, como na chegada de Anthony Gordon, quando adiou o pagamento inicial ao Newcastle e tomou dinheiro emprestado para que o clube inglês recebesse. Para 2026/27, o Barcelona projeta receitas acima de 1,1 bilhão de euros e folha salarial recorde de 648,9 milhões. O clube voltou a faturar como gigante, mas ainda precisa operar financeiramente como um.

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