Como a Copa América de 2021 moldou a Scaloneta e transformou Messi
A Copa América de 2021 não foi apenas o primeiro título de Lionel Messi pela Argentina. Foi o evento que solidificou a 'Scaloneta', um projeto tático e emocional que transformou o camisa 10 e a seleção. Analisamos os bastidores, os números e o legado.
Como a Copa América de 2021 moldou a Scaloneta e transformou Lionel Messi
A Copa América de 2021, encerrada com a vitória da Argentina sobre o Brasil por 1 a 0 no Maracanã, não foi apenas um título. Foi o ponto de inflexão que definiu a identidade tática da 'Scaloneta' e alterou permanentemente a relação de Lionel Messi com a seleção argentina. Antes daquele 10 de julho, Messi carregava o peso de quatro finais perdidas. Depois, tornou-se o líder incontestável de um projeto que uniu juventude e experiência.
A Copa América de 2021, vencida pela Argentina sobre o Brasil no Maracanã, foi o catalisador da 'Scaloneta'. O torneio consolidou o estilo de jogo coletivo de Lionel Scaloni, deu a Lionel Messi seu primeiro título com a camisa albiceleste e criou um núcleo de jovens talentos que redefiniu a identidade da seleção argentina.
A gênese da Scaloneta: do caos à identidade
Quando Lionel Scaloni assumiu a seleção argentina em 2018, após a Copa do Mundo da Rússia, o cenário era de desconfiança. A AFA passava por crise administrativa, e o técnico, sem experiência como principal, era visto como interino. Aos poucos, porém, Scaloni construiu um grupo baseado em mérito e coesão.
A Copa América de 2019, no Brasil, foi o primeiro teste. A Argentina caiu nas semifinais para o anfitrião, mas a derrota por 2 a 0 não apagou os sinais de evolução. Scaloni já havia começado a mesclar veteranos como Messi e Ángel Di María com jovens como Lautaro Martínez e Leandro Paredes. O ponto de virada veio na Copa América de 2021, quando a pandemia adiou o torneio para 2021 e deu mais tempo de trabalho à comissão técnica.
O torneio que mudou tudo
A campanha na Copa América de 2021 foi marcada por solidez defensiva e eficiência ofensiva. A Argentina terminou a fase de grupos invicta, com duas vitórias e dois empates. Nas quartas de final, eliminou o Equador nos pênaltis. Na semifinal, venceu a Colômbia também nos pênaltis, após um empate em 1 a 1 no tempo normal.
A final contra o Brasil, no Maracanã, foi o ápice. A Argentina não era favorita, mas controlou o jogo taticamente. O gol de Di María, aos 22 minutos do primeiro tempo, nasceu de um lançamento de Rodrigo De Paul e uma finalização precisa. A defesa, liderada por Nicolás Otamendi e Germán Pezzella, anulou Neymar e o ataque brasileiro. O título quebrou um jejum de 28 anos sem conquistas da seleção principal.
Lionel Messi: de gênio solitário a líder coletivo
Antes de 2021, Messi havia perdido três finais de Copa América (2007, 2015, 2016) e uma final de Copa do Mundo (2014). A carga emocional era pesada. A Copa América de 2021, porém, mostrou um Messi diferente. Ele não apenas foi eleito o melhor jogador do torneio, com quatro gols e cinco assistências, mas também assumiu um papel de liderança vocal no vestiário.
A transformação foi tática também. Sob Scaloni, Messi deixou de ser o único responsável pela criação e passou a atuar com mais liberdade, apoiado por um meio-campo combativo (De Paul, Paredes, Giovani Lo Celso) e laterais ofensivos (Nahuel Molina, Marcos Acuña). O time não dependia mais exclusivamente de seus lampejos, mas o potencializava.
O legado da Scaloneta pós-Copa América
A conquista de 2021 não foi um ponto final, mas o início de um ciclo vitorioso. A Argentina venceu a Copa do Mundo de 2022 no Catar, a Finalíssima de 2022 contra a Itália e a Copa América de 2024 nos Estados Unidos. A base da Scaloneta se manteve, com a adição de jovens como Enzo Fernández, Julián Álvarez e Alexis Mac Allister.
O que a Copa América de 2021 fez foi provar que o projeto de Scaloni era viável. Deu confiança ao grupo e mostrou que Messi podia ser campeão com a Argentina. A partir dali, a seleção deixou de ser refém da ansiedade e passou a jogar com a convicção de quem já venceu.
O que falta para a Scaloneta se consolidar ainda mais?
O ciclo atual já tem títulos, mas a pergunta que fica é sobre a renovação. Messi, aos 38 anos, se aproxima do fim da carreira. Scaloni precisa encontrar um novo equilíbrio sem o camisa 10. A Copa América de 2021 mostrou que o time funciona quando o coletivo supera o individual, mas a ausência de Messi em jogos decisivos ainda é uma incógnita.
Outro ponto é a reposição de peças. Di María se aposentou da seleção após a Copa América de 2024. Otamendi e Pezzella já passam dos 35. A base de 2021 envelhece, e a nova geração, embora talentosa, ainda não provou em torneios de alto nível. O legado da Scaloneta dependerá de como Scaloni administrará essa transição.
Perguntas Frequentes
Por que a Copa América de 2021 foi tão importante para Messi?
Porque foi seu primeiro título com a seleção principal, quebrando um jejum pessoal de quatro finais perdidas e dando a ele a confiança para liderar a Argentina na conquista da Copa do Mundo de 2022.
O que é a Scaloneta?
É o apelido dado à seleção argentina sob o comando de Lionel Scaloni, caracterizada por um estilo de jogo coletivo, defensivamente sólido e ofensivamente eficiente, que valoriza o grupo acima das individualidades.
Quem foram os destaques da Argentina na Copa América de 2021?
Além de Messi, eleito o melhor jogador, se destacaram Ángel Di María (autor do gol na final), Rodrigo De Paul (motor do meio-campo), Emiliano Martínez (goleiro decisivo nos pênaltis) e a dupla de zaga Otamendi-Pezzella.
A Scaloneta acabou após a Copa do Mundo de 2022?
Não. A base continuou e venceu a Copa América de 2024, mas enfrenta desafios de renovação com a saída de Di María e o envelhecimento de outros jogadores-chave.
Como Scaloni conseguiu transformar a Argentina?
Com um trabalho de longo prazo, mérito na convocação, coesão de grupo e um estilo de jogo que blindou defensivamente a equipe, dando a Messi as condições para decidir sem sobrecarga.
A história das Copas Américas vencidas pela Argentina A carreira de Lionel Scaloni como técnico A renovação da seleção argentina pós-Messi