Futebol

Copa do Mundo 2030: Crise migratória eleva pressão sobre candidatura

ResumoA candidatura conjunta de Espanha, Portugal e Marrocos para a Copa do Mundo de 2030 enfrenta pressão crescente após a crise migratória em Ceuta. Partidos europeus pedem reavaliação da parceria com Marrocos, citando tensões fronteiriças e questões humanitárias. A decisão final da FIFA sobre a sede permanece pendente, com o evento programado para ocorrer em três continentes.

A crise migratória em Ceuta reacendeu o debate sobre a candidatura conjunta da Copa do Mundo de 2030 entre Espanha, Portugal e Marrocos, com partidos europeus pedindo reavaliação da parceria.

Vinícius Portela
por Vinícius Portela · 06 de agosto de 2026
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Crise migratória em Ceuta reacende pressão sobre candidatura conjunta à Copa do Mundo 2030

A crise migratória em Ceuta voltou a colocar em xeque a candidatura conjunta da Copa do Mundo de 2030 entre Espanha, Portugal e Marrocos. Segundo o jornal espanhol "El Confidencial", partidos políticos dos dois países europeus passaram a defender uma reavaliação da parceria com o governo marroquino após os recentes acontecimentos na fronteira.

A pressão ganhou força depois da entrada de milhares de migrantes em território espanhol por meio da cidade autônoma de Ceuta. De acordo com o veículo, a tragédia deixou quase 200 mortos entre pessoas que tentavam atravessar o mar até a Espanha.

Partidos europeus questionam parceria com Marrocos

Em Portugal, o partido de esquerda LIVRE afirmou que o país deveria abandonar a organização conjunta do Mundial ao lado do Marrocos. Para o porta-voz da legenda, Jorge Pinto, os acontecimentos recentes demonstram que Portugal não deveria estar associado à realização do torneio com o país africano.

"O LIVRE fará tudo o que for possível para evitar que estejamos associados à organização do evento com um país que não demonstrou capacidade nem confiança", escreveu Pinto em uma publicação nas redes sociais.

Na Espanha, o partido Sumar também passou a questionar a parceria. O deputado Nahuel González classificou o Marrocos como um país que utiliza pessoas em situação de vulnerabilidade para atingir objetivos geopolíticos e defendeu que o Congresso solicite à Fifa, à Real Federação Espanhola de Futebol (RFEF) e ao governo português uma revisão do atual modelo de organização da Copa do Mundo de 2030.

Disputa pela final segue indefinida

Além das críticas à candidatura conjunta, o "El Confidencial" destaca que continua indefinido o local da final do Mundial. Embora a decisão caiba exclusivamente à Fifa, cresce a disputa entre Espanha e Marrocos para receber a principal partida do torneio.

O presidente da RFEF, Rafael Louzán, reconheceu recentemente que o Marrocos deseja sediar a decisão, mas afirmou que isso não significa que a entidade atenderá ao pedido.

Madri se mobiliza pelo Santiago Bernabéu

Enquanto isso, em Madri, prefeitura, governo regional e Real Madrid defendem que a final seja realizada no modernizado Santiago Bernabéu. Segundo o jornal, o presidente do clube, Florentino Pérez, o prefeito José Luis Martínez-Almeida e a presidente da Comunidade de Madri, Isabel Díaz Ayuso, estão alinhados na estratégia para levar a partida à capital espanhola.

Nos últimos meses, rumores indicaram que o presidente da Fifa, Gianni Infantino, teria prometido ao Marrocos o direito de sediar a final da Copa do Mundo 2030 em troca de apoio político. A informação, publicada pelo jornal britânico "The Times", foi negada pela entidade máxima do futebol.

Em comunicado, a Fifa afirmou que "é falso e enganoso" dizer que qualquer promessa tenha sido feita e reiterou que a escolha da sede da decisão será anunciada apenas no momento oportuno.

Possível retirada de Madri como cidade-sede

Segundo o "El Confidencial", diante do fortalecimento da candidatura marroquina para receber a final e das incertezas sobre a posição do governo espanhol, dirigentes políticos de Madri e Florentino Pérez já discutem até mesmo a possibilidade de retirar a candidatura da capital espanhola como cidade-sede caso o Santiago Bernabéu não seja escolhido para receber a decisão do Mundial.

A publicação afirma que, para esse grupo, não faria sentido a Espanha receber uma Copa do Mundo sem que a principal partida fosse disputada em Madri, especialmente por se tratar do país do atual campeão mundial.

Perguntas Frequentes

A crise em Ceuta afetou a candidatura conjunta?

Sim, a crise migratória em Ceuta aumentou a pressão política sobre a candidatura conjunta, com partidos europeus pedindo reavaliação da parceria com o Marrocos.

Quem são os partidos que questionam a parceria?

Em Portugal, o LIVRE defende o abandono da organização conjunta. Na Espanha, o Sumar questiona a parceria e pede revisão do modelo à Fifa e à RFEF.

A final da Copa do Mundo 2030 já tem sede definida?

Não. A decisão cabe à Fifa, mas Espanha e Marrocos disputam o direito de sediar a partida, com Madri defendendo o Santiago Bernabéu.

O que a Fifa disse sobre a promessa ao Marrocos?

A Fifa negou as informações e classificou como "falso e enganoso" qualquer promessa de sediar a final em troca de apoio político.

Existe risco de Madri sair da candidatura?

Segundo o "El Confidencial", há discussões sobre retirar a candidatura de Madri como cidade-sede caso o Santiago Bernabéu não seja escolhido para a final.

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