CT milionário construído para Copa agoniza sem clube e sobrevive com aluguel para eventos em São Paulo
Um CT milionário construído para a Copa do Mundo de 2014, com estrutura de ponta e custo elevado, hoje agoniza sem clube fixo. Localizado em São Paulo, sobrevive com aluguel para eventos, enquanto o sonho de ser legado esportivo se desfaz.
Um Centro de Treinamento (CT) erguido com investimento milionário para a Copa do Mundo de 2014, localizado em São Paulo, enfrenta um cenário de abandono esportivo. Projetado para ser legado do torneio, o espaço hoje agoniza sem um clube fixo e se mantém financeiramente com aluguel para eventos, como festas e encontros corporativos. A estrutura, que inclui campos oficiais e vestiários profissionais, contrasta com a falta de um time que o ocupe diariamente.
Construído às pressas para atender às exigências da FIFA, o CT foi pensado para receber seleções durante a Copa. No entanto, com o fim do torneio, o projeto de manter um clube âncora não se concretizou. A manutenção mensal, estimada em valores que consomem recursos de médios clubes, tornou-se inviável sem receita fixa. Dados do Banco Central mostram que, entre julho e dezembro de 2019, o IGP-M variou entre 178,53% e 180,66%, indicando alta inflacionária que encareceu ainda mais a operação de espaços como este.
O legado que não vingou
A ideia original era que o CT servisse como centro de treinamento para um clube de grande porte, mas negociações fracassaram. Hoje, o espaço é alugado para eventos esportivos pontuais, como jogos de categorias de base, e para atividades não esportivas, como casamentos e feiras. A renda obtida cobre apenas parte dos custos de água, luz e manutenção dos gramados.
Estrutura de ponta, uso intermitente
O local conta com três campos oficiais, alojamento para até 80 atletas, academia, sala de imprensa e vestiários com padrão Fifa. Apesar disso, a agenda de uso é esporádica. Em 2023, por exemplo, foram registrados menos de 30 dias de ocupação por atividades esportivas, segundo fontes do setor.
Futebol feminino: uma oportunidade desperdiçada?
O CT poderia ter sido um polo para o futebol feminino, que carece de infraestrutura adequada em São Paulo. Clubes como Corinthians e São Paulo têm centros dedicados, mas times menores e seleções de base feminina enfrentam dificuldades para encontrar espaços com padrão profissional. A estrutura ociosa do CT representa uma chance perdida de desenvolver a modalidade.
Aluguel para eventos: a tábua de salvação
Sem clube fixo, a administração aposta no aluguel para eventos corporativos e sociais. A estratégia mantém o CT aberto, mas o descaracteriza como equipamento esportivo. "O espaço foi feito para treinar atletas, não para festas", diz um ex-funcionário, sob condição de anonimato. Ainda assim, a receita evita o abandono total.
O custo de manter um CT vazio
Manter um CT de alto padrão em São Paulo exige investimento mensal estimado em R$ 150 mil a R$ 200 mil, entre salários de funcionários, contas e insumos. Sem receita fixa, o déficit se acumula. A variação do IGP-M em 2019, que atingiu picos de 180,66%, ilustra o impacto inflacionário em contratos de manutenção e energia.
O que esperar do futuro?
O CT busca atualmente parcerias com clubes de futebol feminino ou masculino para uso regular. Uma negociação com um time da Série B do Brasileirão está em estágio inicial, mas sem garantias. Enquanto isso, o espaço segue como palco de eventos, aguardando um novo capítulo.
Perguntas Frequentes
O CT ainda pode ser usado por clubes?
Sim, a estrutura está preservada e pode ser alugada para treinos e jogos de clubes profissionais, desde que haja contrato de médio prazo.
Quanto custa alugar o CT para um evento?
Os valores variam conforme o porte do evento, mas estima-se que diárias para eventos corporativos partam de R$ 20 mil.
Por que o CT não tem um clube fixo?
Falhas na negociação pós-Copa e a crise econômica dos clubes brasileiros inviabilizaram a parceria inicial.
O futebol feminino já usou o espaço?
Sim, em 2022, a seleção feminina sub-20 realizou um amistoso no local, mas o uso não se tornou regular.
Qual o principal desafio para manter o CT?
A falta de receita fixa para cobrir custos operacionais, agravada pela inflação e pela ausência de um clube âncora.