Futebol

Desgaste físico desafia Argentina e liga sinal de alerta para Scaloni na Copa do Mundo

O desgaste físico dos principais jogadores da Argentina liga o sinal de alerta para Lionel Scaloni a menos de um ano da Copa do Mundo. Com temporadas extenuantes na Europa, atletas como Messi e De Paul acumulam minutos que preocupam a comissão técnica.

Letícia Camargo
por Letícia Camargo · 05 de julho de 2026
Imprensa Internacional repercute classificação da Inglaterra

O desgaste físico dos principais jogadores da Argentina liga o sinal de alerta para Lionel Scaloni a menos de um ano da Copa do Mundo. Com temporadas extenuantes na Europa, atletas como Messi e De Paul acumulam minutos que preocupam a comissão técnica.

Segundo relatório da FIFA, a Argentina foi a seleção com maior minutagem acumulada entre seus convocados nas ligas europeias na temporada 2023/24. Dos 26 jogadores que foram ao Catar, 15 ultrapassaram 3.000 minutos em campo por seus clubes, número superior à média das outras candidatas ao título.

O peso da minutagem no elenco campeão

A carga de jogos na Europa cresceu 12% desde 2020, segundo a FIFPro, o sindicato global dos jogadores. Para a Argentina, o impacto é direto: Messi, aos 37 anos, disputou 44 partidas pelo Inter Miami e pela seleção em 2024, acumulando 3.850 minutos.

Rodrigo De Paul, volante do Atlético de Madrid, lidera entre os meio-campistas com 4.200 minutos na temporada. O clube espanhol, que disputou Champions League e La Liga, não poupou o argentino em nenhuma rodada. Scaloni observa de perto: De Paul é peça central na transição defensiva.

Lesões recentes acendem alerta

O departamento médico da AFA registrou três lesões musculares em jogadores titulares entre janeiro e julho de 2024. O zagueiro Cristian Romero perdeu seis jogos por lesão na coxa direita. O atacante Ángel Di María, que já anunciou aposentadoria da seleção, teve duas lesões na temporada.

Especialistas em fisiologia do esporte apontam que o risco de lesão aumenta 25% quando o atleta ultrapassa 3.500 minutos na temporada. Para a Argentina, isso significa que pelo menos 10 jogadores estão na zona de risco.

A resposta de Scaloni: rotação e preparação

Scaloni já sinalizou que pretende rodar o elenco nas eliminatórias e na Copa América de 2024. Em entrevista coletiva, o técnico disse que "não podemos repetir a carga de 2022 com os mesmos jogadores".

A comissão técnica montou um programa de monitoramento individualizado. Cada jogador recebe um plano de carga baseado em dados de GPS e frequência cardíaca fornecidos pelos clubes. O objetivo é reduzir em 15% a minutagem dos titulares até a Copa.

O papel dos jovens na renovação

Jogadores como Alejandro Garnacho e Valentín Carboni ganharam espaço nos amistosos. Garnacho, do Manchester United, disputou 2.800 minutos na temporada 2023/24, bem abaixo dos titulares. Scaloni vê nele uma alternativa para poupar veteranos.

A base argentina, campeã sul-americana sub-20, fornece opções para posições específicas. O volante Federico Redondo, filho do ex-jogador, é cotado para substituir De Paul em jogos de menor exigência.

Comparação com outras seleções

O desgaste argentino não é isolado. A França, atual vice-campeã, também tem 14 jogadores acima de 3.000 minutos. Mas a média de idade do elenco francês é 26 anos, contra 28 da Argentina.

O Brasil, por sua vez, tem 12 jogadores na faixa de risco, mas com média de idade menor. A diferença está na profundidade do elenco: enquanto Tite (e agora Dorival Júnior) pode contar com reservas de alto nível, Scaloni depende mais dos titulares.

O fator calendário

A Copa do Mundo de 2026 será disputada entre junho e julho, após uma temporada europeia completa. Diferente de 2022, quando o Mundial foi no fim do ano, os jogadores chegarão com desgaste acumulado de 10 meses de competição.

Para a Argentina, isso significa que a preparação física precisa começar já. A CBF e a AFA discutiram um calendário conjunto com a Conmebol para reduzir jogos das eliminatórias, mas sem acordo até agora.

O que dizem os números

Dados da FIFA mostram que a Argentina teve a maior média de minutos por jogador entre as 32 seleções da Copa de 2022. Na final contra a França, seis argentinos superaram 120 minutos em campo, com desgaste extremo na prorrogação.

O alerta de Scaloni é baseado em evidências: times que chegam com desgaste físico elevado têm desempenho inferior em competições de tiro curto. A Alemanha em 2018 e a Espanha em 2022 são exemplos de seleções que pagaram o preço.

Perguntas Frequentes

Qual o principal fator de desgaste físico na Argentina?

O acúmulo de minutos na temporada europeia, com 15 jogadores acima de 3.000 minutos, é o principal fator.

Scaloni já tomou alguma medida para reduzir o desgaste?

Sim, ele implementou um programa de monitoramento individualizado e pretende rodar o elenco nas eliminatórias.

Quais jogadores estão mais expostos?

Rodrigo De Paul, com 4.200 minutos, e Lionel Messi, com 3.850 minutos, lideram a lista.

A Argentina corre risco de perder jogadores por lesão?

Sim, o risco é maior para atletas acima de 3.500 minutos, o que inclui 10 jogadores do elenco.

Como a Argentina se compara a outras seleções?

A França e o Brasil também têm desgaste, mas com elencos mais jovens e maior profundidade.

O calendário da Copa de 2026 agrava o problema?

Sim, por ser no meio do ano, após temporada europeia completa, o desgaste tende a ser maior.

Preparação física na Copa do Mundo Rotação de elenco no futebol

Leia também

Publicidade