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Dorival cita política complicada e manda recado à torcida do São Paulo

O São Paulo melhorou dentro de campo, mas segue vivendo um momento conturbado fora dele. Com a situação financeira delicada e as eleições presidenciais se aproximando, a guerra política ganha novos capítulos diariamente no Morumbis. Recentemente, um áudio vazado do presidente Harry Massis expôs a necessidade de aprovação do acordo com a Ticketmaster, que prevê a antecipação de R$ 140 milhões, para que o clube honre seus compromissos. O dirigente cobrou a votação pelo Conselho Deliberativo, mas o presidente do Conselho, Olten Ayres, rival político de Massis, instituiu uma comissão para analisar o contrato antes de decidir se pauta o documento.

Em meio aos bastidores agitados, Dorival Júnior mandou um recado à torcida. "Não vai faltar entrega e determinação, como falei contra a Chapecoense, e depois tivemos uma reunião no centro de treinamento. Assumi o São Paulo em 2017 em um momento muito complicado, em 2023 davam o ano como perdido. Confiaram nesses dois instantes e naquilo que poderíamos realizar, e dessa vez não foi diferente. Politicamente falando, é um momento super complicado, e eles entenderam e nos expuseram isso. E eu falei que só precisávamos muito que eles não nos abandonassem", disse o técnico após a vitória sobre o Atlético-MG, no último sábado.

"A torcida sempre demonstrou um carinho especial e uma força especial a nossa equipe, por isso temos uma obrigação muito grande com eles. A equipe está começando a adquirir uma nova condição. Isso tudo acaba na primeira derrota. Não podemos vacilar mais, não temos esse direito, temos que lutar até o último instante, porque as coisas continuam sendo como há uma semana. Esse exemplo tem que ser muito claro na nossa memória até a última partida desse ano", adicionou o comandante.

A situação financeira também preocupa. Segundo Olten Ayres, a dívida tricolor já estaria na casa do R$ 1 bilhão. Os jogadores estão com direitos de imagem atrasados, com casos que chegam a mais de dois meses. A situação levou a cobranças das torcidas organizadas, que foram ao CT após a derrota para a Chapecoense, no final de agosto. Na vitória por 2 a 1 sobre o Red Bull Bragantino, a torcida protestou com faixas como "A mamata acabou" e "Ei, Conselho, prestação de contas já".

Dorival ponderou sobre como evitar que os problemas extracampo atrapalhem o dia a dia no CT da Barra Funda. "É assumir um compromisso com teu grupo de trabalho e dizer que estamos aqui fora tentando melhorar as condições da equipe e trabalhando por eles, buscando essa organização que todos precisamos para ter tranquilidade e executar nosso trabalho. Os jogadores, quando entenderam isso, passaram a deixar os problemas para que pessoas competentes pudessem resolvê-las, começamos a mudar um pouco tudo isso. Vinha sendo uma carga muito pesada. Ainda é, não diminuiu tanto não", afirmou o treinador.

"Temos pessoas que estão trabalhando para resolver situações com a nossa diretoria. Uma diretoria que está fazendo de tudo para melhorar as condições de trabalho de todos nós. Isso é um compromisso importante. A partir desse momento começaram a focar ali dentro. Foi simples? Não. Demorou bastante, mais do que imaginava, porque era mais complicada do que imaginávamos", concluiu.

Juliana Prado
Repórter de Esportes Olímpicos
Mineira, cobre modalidades olímpicas e dá luz a atletas que só aparecem de quatro em quatro anos.
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