Woltemade na Juventus: como Spalletti pode usar o alemão
Nick Woltemade chegou à Juventus vindo do Newcastle com 1,98m e estilo que lembra um 'nove e meio', não um centroavante clássico. Spalletti tem desafios e opções.
Nick Woltemade chegou à Juventus vindo do Newcastle com uma combinação que parece contraditória. Com 1,98 m, o alemão tem o porte físico que remete ao centroavante clássico, aquele que vive entre zagueiros e transforma cruzamentos em gols. Mas reduzir o novo reforço a esse perfil seria um erro. A avaliação de Karl-Heinz Riedle, ex-atacante alemão e campeão mundial em 1990, ajuda a entender o tipo de jogador que a Juventus contratou.
Segundo Riedle, em entrevista à "La Gazzetta dello Sport", Woltemade não é um centroavante tradicional. "Ele é mais um nove e meio do que um centroavante tradicional. É muito alto, é verdade, mas tem pés delicados. Podem ficar tranquilos: ele sabe muito bem onde fica o gol", afirmou. "Talvez, guardadas as devidas proporções, em alguns movimentos ele lembre o jovem Ibrahimovic. Mas Ibra é Ibra", completou.
A altura pode levar a uma conclusão apressada. Mas, para o técnico Luciano Spalletti, o principal desafio é não usá-lo apenas como referência física. O alemão não construiu seu jogo nas bolas aéreas. Ele participa da criação, circula por zonas diferentes e usa a técnica para se aproximar dos companheiros, como mostrou no bom início no Newcastle.
Essa mobilidade abre espaços. Ao sair da área, Woltemade tira um marcador da posição e permite a chegada de outros jogadores. Spalletti pode explorar essa versatilidade num ataque que sofre com nomes em baixa, como Kolo Muani. Para Riedle, a dupla pode funcionar: "Woltemade é um atacante móvel e versátil. Também pode atuar como segundo atacante e jogar ao lado de Kolo Muani em uma espécie de 4-4-2".
A troca constante de posições seria a chave. Kolo Muani ataca espaços com velocidade; Woltemade recua para construir. A variação de funções ao longo da partida evita que cada um fique preso a uma única posição. Resta a Spalletti encontrar o equilíbrio certo para transformar essa dupla em solução, não em promessa.