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Estêvão no Chelsea: está certo em estar incomodado?

Estêvão tem 18 minutos em três rodadas da Premier League, sempre saindo do banco, e sequer entrou na vitória sobre o Brighton. Foi titular na Copa da Liga, o torneio dos reservas, e saiu no intervalo. Aos 19 anos, o brasileiro começa o segundo ano na Inglaterra tentando descobrir onde cabe no novo Chelsea de Xabi Alonso. Quando Carlo Ancelotti foi ao Stamford Bridge acompanhar o clube, precisou procurar Estêvão no banco.

O cenário não é de ruptura, mas é incômodo. Na temporada anterior, Estêvão disputou 36 partidas, foi titular em 20 e participou de 11 gols. Foi o maior artilheiro adolescente do clube em uma temporada na era Premier League. A queda de minutagem é brusca para quem terminou o primeiro ano em alta.

A pergunta central não é apenas por que Estêvão não joga, mas onde ele deveria jogar. Em março de 2025, meses antes de a transferência ser concluída, o agente André Cury explicou por que o Chelsea venceu a disputa pelo jogador do Palmeiras: foram os únicos que viam Estêvão como camisa 10. Cury defendia que colocá-lo permanentemente aberto restringiria seu repertório. O garoto cresceu como meio-campista na base e, embora tenha explodido no profissional pela direita, seu entorno via nele um camisa 10: receber entre linhas, condução, drible curto, último passe e liberdade para aparecer em várias regiões.

Não há evidência pública de que o Chelsea tenha garantido contratualmente titularidade ou atuação exclusiva pelo meio. Mas houve uma expectativa criada no processo de contratação, e a chegada de Xabi Alonso muda a história. O sistema preferido do treinador tem dois meias atrás do centroavante. O 3-4-2-1 forma um quadrado no meio-campo: dois volantes e dois meias entrelinhas. Foi por isso que Morgan Rogers se tornou contratação tão importante, por 117 milhões de libras, a mais cara da história vinda da Grã-Bretanha. Cole Palmer ocupa naturalmente um dos espaços de criação; Rogers foi contratado para o outro.

Alonso defendeu publicamente o brasileiro. Depois da derrota para o Arsenal, afirmou que Estêvão está "totalmente envolvido", elogiou sua atitude diária e disse contar 100% com o jogador. A barreira é tática. Para jogar como camisa 10, Estêvão precisa tirar Palmer ou Rogers, e neste momento não há razão evidente para Alonso fazer isso.

Existe um caminho imediato: a ala direita. Pedro Neto começou a temporada ocupando esse espaço e tem sido peça importante para Alonso. Estêvão ainda tem 19 anos e o Chelsea não lhe deve titularidade automática. O próximo passo é a sequência de rodadas da Premier League, quando a minutagem do brasileiro deve indicar se o incômodo vira ajuste tático ou permanece como problema de estrutura.

Letícia Camargo
Repórter de Futebol Feminino
Gaúcha, cobre futebol feminino com profundidade e combate a cobertura rasa do esporte.
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