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Fifa tenta superar crise com desculpas e apoio a Infantino

A Fifa fez um mea culpa nesta quarta-feira (5), mas reafirmou seu "apoio total" a Gianni Infantino. A reunião de emergência no Marrocos tratou da crise gerada pelas críticas ao projeto, já abandonado, de abrir a instituição ao investimento privado. Em comunicado extenso publicado por volta das 19h (horário de Brasília), a direção reconheceu "que foram cometidos erros após o vazamento da proposta para a imprensa". "Foram apresentadas desculpas por esses erros, juntamente com o compromisso de garantir que não voltem a ocorrer", acrescentou.

O que a Fifa reconheceu e como respondeu às críticas

Os membros do Conselho Diretivo presentes na reunião reafirmaram seu "apoio total" a Infantino, reconhecendo-o como o único responsável eleito pelas 211 associações-membro. O documento foi publicado horas depois do encontro, realizado na sede da organização para a África, no complexo Mohammed VI, em Salé, perto de Rabat.

"Não foi nossa intenção que o Conselho ou as associações-membro se sentissem excluídos do processo, que deveria ter sido conduzido de outra maneira", afirmou a entidade. "A proposta da FFE, que estaria sujeita à aprovação das associações-membro da Fifa e do Conselho da Fifa, já não está mais na mesa", reiterou.

O projeto FFE e o abandono após pressão

À frente da Fifa há uma década, Infantino impulsionou projetos de grande alcance. Na semana passada, anunciou a criação de uma sociedade externa, a FIFA Forward Enterprise (FFE), que geriria atividades comerciais e torneios como a Copa do Mundo, com participação de investidores privados. Apresentado de surpresa em 28 de julho, após a imprensa revelar sua existência, o projeto foi retirado no final da semana passada diante da oposição de diversos atores do futebol, incluindo a Uefa.

Distanciamento interno e críticas externas

Vários altos dirigentes se distanciaram de Infantino, entre eles Arsène Wenger, diretor de desenvolvimento do futebol mundial, e o secretário-geral, Mattias Grafström. Este, em carta aos funcionários, lamentou "uma série de acontecimentos tristes e condenáveis" que levaram ao "abandono permanente" do projeto. O principal assessor de Infantino, Carlos Cordeiro, pediu demissão na sexta-feira, opondo-se "categoricamente" ao plano.

Fora do futebol, o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, juntou-se ao britânico Andy Burnham para criticar o presidente da Fifa. "Sem dúvida, já não tenho confiança no senhor Infantino a partir deste momento", afirmou Carney. Burnham opinou que Infantino era "a pessoa errada para dirigir" o órgão máximo do futebol. A Concacaf, após fazer o projeto naufragar, também criticou Infantino. A Uefa notificou que "está considerando ativamente tomar medidas legais". A Associação de Ligas Europeias denunciou: "a Fifa não pode mais ter autorização para tomar decisões de maneira unilateral".

O cenário para a reeleição em 2027

Infantino é o único candidato declarado à reeleição, em votação em março de 2027, em Rabat. O ítalo-suíço de 56 anos precisa da maioria das 211 federações-membro para um novo mandato de quatro anos. Até agora, Finlândia, País de Gales, Sérvia e Suécia retiraram apoio oficial. "Infantino deve sair", escreveu Luís Figo no Daily Mail. O príncipe Ali bin Al-Hussein acusou Infantino de "chantagem".

Perguntas Frequentes

O que é a FIFA Forward Enterprise (FFE)?

Era uma sociedade externa criada para gerir as atividades comerciais da Fifa e torneios como a Copa do Mundo, com investidores privados. O projeto foi abandonado.

Por que o projeto FFE foi retirado?

Após vazamento à imprensa e oposição de diversos atores do futebol, incluindo a Uefa, o projeto foi retirado no final da semana passada.

Quem são os críticos de Infantino?

Arsène Wenger, Mattias Grafström, Carlos Cordeiro, Mark Carney, Andy Burnham, Uefa, Concacaf, Associação de Ligas Europeias, Luís Figo e o príncipe Ali bin Al-Hussein.

Quando será a votação para a presidência da Fifa?

Em março de 2027, em Rabat, com Infantino como único candidato declarado.

Qual o papel das 211 associações-membro?

Elas elegeram Infantino e serão responsáveis pela votação para um novo mandato de quatro anos.

Juliana Prado
Repórter de Esportes Olímpicos
Mineira, cobre modalidades olímpicas e dá luz a atletas que só aparecem de quatro em quatro anos.
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