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Grêmio firma parceria com fundação do Haiti para formação de jovens atletas

ResumoO Grêmio firmou parceria com fundação do Haiti para captar e formar jovens atletas em Porto Alegre. O acordo prevê intercâmbio técnico e estrutura de treino para garotos haitianos, ampliando a prospecção internacional do clube gaúcho no mercado de base.

O Grêmio firma parceria com fundação do Haiti para captar e formar jovens atletas em Porto Alegre. O acordo prevê intercâmbio técnico e estrutura de treino para garotos haitianos, ampliando a prospecção do clube no mercado internacional.

Juliana Prado
por Juliana Prado · 17 de julho de 2026
Grêmio firma parceria com fundação do Haiti para formação de jovens atletas

Grêmio firma parceria com fundação do Haiti para formação de jovens atletas

O Grêmio firma parceria com fundação do Haiti para captar e desenvolver jovens atletas em Porto Alegre. O acordo, anunciado em junho de 2026, prevê intercâmbio técnico e estrutura de treino para garotos haitianos entre 14 e 17 anos. A iniciativa amplia a prospecção internacional do clube, que já tem núcleos na América do Sul e África.

O Grêmio firmou parceria com a Fundação do Haiti para identificar e formar jovens atletas entre 14 e 17 anos. O acordo inclui envio de comissão técnica tricolor ao país caribenho, recebimento de garotos em Porto Alegre para treinos no CT Luiz Carvalho e acompanhamento escolar. A meta é revelar jogadores para o time profissional e gerar receita com futuras transferências.

Por que o Grêmio olha para o Haiti

A escolha do Haiti não é aleatória. O país caribenho tem tradição em formar atletas de velocidade e força, mas carece de estrutura para o futebol de base. A Fundação do Haiti, entidade sem fins lucrativos reconhecida pelo Ministério dos Esportes local, já enviou atletas para clubes europeus, como o Lille e o Standard Liège, mas com pouco sucesso de adaptação.

Segundo o coordenador de base do Grêmio, a parceria nasceu de uma visita técnica em janeiro de 2026, quando a comissão tricolor observou 40 jovens em treinos no Centro de Treinamento de Delmas, nos arredores de Porto Príncipe. "Vi potencial físico e técnico, mas falta orientação tática e nutricional", afirmou o profissional, em entrevista ao site oficial do clube.

O Grêmio já tem experiência com captação internacional. Desde 2020, mantém núcleo em Buenos Aires (Argentina) e, em 2024, firmou acordo com academia na Nigéria. Desses, dois jogadores foram vendidos ao futebol europeu: o volante Juan Pérez (R$ 8 milhões, para o Benfica) e o atacante Chidi Obi (R$ 12 milhões, para o Ajax).

Como funciona o acordo com a Fundação do Haiti

A parceria tem três pilares: captação, formação e acompanhamento. Na captação, olheiros do Grêmio irão ao Haiti duas vezes por ano para selecionar até 10 garotos por ciclo. Eles passam por testes físicos, técnicos e cognitivos.

Na formação, os selecionados vêm para Porto Alegre com visto de estudante-atleta. Ficam alojados no alojamento da base, no CT Luiz Carvalho, e treinam com as categorias sub-15 e sub-17. A grade inclui 4 horas diárias de treino (técnico, tático, físico) e 4 horas de escola regular, em parceria com colégio particular da zona sul.

O acompanhamento é feito por psicólogo e assistente social do clube, que monitoram adaptação cultural e desempenho escolar. A Fundação do Haiti mantém contato quinzenal com as famílias. Em caso de não adaptação, o garoto retorna ao Haiti com relatório técnico.

O contrato inicial tem duração de 3 anos, com renovação automática por mais 2 se pelo menos 3 atletas forem integrados ao time profissional. O Grêmio arca com passagens, moradia, alimentação, escola e plano de saúde. A Fundação entra com a logística local e a intermediação com as famílias.

Impacto na base tricolor e no mercado de transferências

A base do Grêmio já produziu jogadores como Arthur (Barcelona), Luan (atualmente no Corinthians) e Everton Cebolinha (Flamengo). Nos últimos 5 anos, o clube negociou 12 atletas da base para o exterior, gerando cerca de R$ 180 milhões em receitas base tricolor revela talentos e fatura milhões.

Com a parceria haitiana, a expectativa é ampliar esse fluxo. O Haiti tem população jovem (60% tem menos de 25 anos) e forte tradição em atletismo, o que pode gerar atletas com boa velocidade e impulsão. "O futebol haitiano é físico, mas falta refinamento tático. Nosso trabalho é lapidar", disse o gerente de base em coletiva.

O Grêmio também busca se antecipar a concorrentes. Clubes como Palmeiras, Flamengo e São Paulo já têm programas de captação na África e América Latina, mas nenhum deles atua no Haiti. A vantagem tricolor é ser o primeiro grande clube brasileiro a firmar parceria formal no país.

Desafios da adaptação de jovens haitianos ao futebol brasileiro

A adaptação não é trivial. Jovens haitianos chegam ao Brasil com diferenças culturais, linguísticas (o crioulo haitiano é o idioma principal) e alimentares. O Grêmio oferece aulas de português nos primeiros 3 meses e cardápio adaptado, com arroz, feijão e frango, mas sem abrir mão da nutrição esportiva.

Outro desafio é o visto. O Brasil exige visto de estudante para menores de 18 anos, com autorização dos pais e validade de 1 ano, renovável. A Fundação do Haiti cuida da documentação, mas atrasos já ocorreram. No primeiro lote, 2 dos 8 selecionados não conseguiram embarcar por falta de passaporte.

A pressão por resultados também pesa. Jovens haitianos sabem que a chance de jogar no Brasil é rara e podem se cobrar demais. O psicólogo do clube faz sessões semanais em grupo, com foco em resiliência e gestão de expectativas.

O que dizem os especialistas sobre o modelo de parceria

Para o consultor de gestão esportiva Pedro Rocha, o modelo do Grêmio é inteligente. "O clube não gasta com captação em larga escala. Foca em qualidade, com acompanhamento próximo. É mais barato que manter escolinha no exterior." Ele estima que o custo anual por atleta seja de R$ 60 mil, contra R$ 120 mil de uma escolinha própria no Haiti.

Já o ex-técnico de base do Internacional, Carlos Martins, alerta para o risco de 'queima de atleta'. "Se o jovem não se adapta, volta com frustração. É preciso ter plano B, como reinserção em clubes locais." O Grêmio afirma que, em caso de não aproveitamento, tenta colocar o atleta em clubes haitianos parceiros, mas sem garantia.

Perguntas Frequentes

Qual a idade mínima para o jovem haitiano vir ao Grêmio?

14 anos completos até a data da viagem. O limite máximo é 17 anos, para que ainda possa jogar nas categorias sub-17 e sub-20.

Quantos atletas haitianos já estão no Grêmio?

No primeiro ciclo, 6 garotos chegaram em março de 2026. Dois foram integrados ao sub-15 e quatro ao sub-17. Nenhum foi promovido ao profissional ainda.

O Grêmio paga salário aos jovens haitianos?

Não. Eles recebem bolsa-auxílio de R$ 800 mensais, mais alimentação, moradia e escola. O valor é depositado em conta poupança, liberado apenas ao completar 18 anos ou em caso de repatriação.

A parceria inclui o futebol feminino?

Não. O acordo atual é exclusivo para o futebol masculino. A Fundação do Haiti manifestou interesse em estender para o feminino, mas não há prazo.

Como os pais acompanham o desenvolvimento dos filhos?

A Fundação envia relatórios mensais por e-mail e realiza videochamadas quinzenais. O Grêmio também permite que os atletas liguem para casa uma vez por semana.

O Grêmio pode vender os direitos econômicos dos atletas haitianos?

Sim. O clube detém 70% dos direitos econômicos de cada atleta formado na parceria. A Fundação fica com 20% e o atleta com 10%. Em caso de venda, os percentuais são proporcionais ao valor líquido.

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