# Guerra entre Fifa e Uefa: entenda a crise que chacoalhou o futebol mundial

> A Fifa enfrenta crise com a Uefa após a entidade europeia anunciar boicote a competições da Fifa caso a venda de participações da Copa do Mundo a investidores privados seja concretizada. A decisão foi tomada em reunião virtual com as 55 federações europeias, aprofundando o racha no futebol mundial.

*Esporte Notícia · Futebol · 30 de julho de 2026 · Gustavo Pereira Lacerda*

A Uefa anunciou que não participará de competições da Fifa caso a entidade concretize a venda de participações da Copa do Mundo a investidores privados. A decisão foi tomada em reunião virtual com as 55 federações europeias.

## A guerra entre Fifa e Uefa que chacoalhou o futebol mundial; entenda

A guerra entre Fifa e Uefa atingiu um novo patamar nesta quinta-feira (30). A entidade que rege o futebol europeu anunciou que não participará de competições realizadas pela Fifa caso a federação internacional concretize os planos de vender participações da Copa do Mundo a investidores privados. A decisão foi tomada em uma reunião virtual com membros das 55 federações que integram a Associação Europeia de Futebol.

"Nenhuma seleção da Uefa participará de qualquer competição da Fifa enquanto essas propostas estiverem em vigor, a menos que essa proposta seja abandonada por completo e que sejam dadas garantias vinculativas de que a Fifa jamais abrirá sua governança ou competições à propriedade privada", declarou a Uefa por meio de nota.

## O plano da Fifa que gerou a crise

A crise foi deflagrada após o anúncio da Fifa de que busca vender até 21% da Fifa Forward Enterprises (FFE), uma nova subsidiária comercial criada para administrar os principais eventos da entidade, como as Copas do Mundo e os Mundiais de Clubes. O objetivo é arrecadar US$ 4,2 bilhões (R$ 17,5 bilhões), valor que seria liberado de forma imediata para as federações membros, segundo comunicado da própria Fifa à imprensa.

A FFE, se aprovada, assumirá as operações comerciais da Federação, com a organização permanecendo como Fifa e mantendo uma participação majoritária na subsidiária, conforme apurou o "The Athletic".

## A reação da Uefa e das confederações

Em seu comunicado, a União das Associações Europeias de Futebol ressaltou que o Mundial não está à venda e que o torneio "não pode ser tratado como um produto de investimento". A entidade europeia já havia manifestado sua oposição em duas declarações anteriores, agora reafirmadas.

"A Copa do Mundo não pode ser tratada como um produto de investimento. É um dos maiores legados do futebol, foi construída ao longo de gerações por jogadores, seleções e torcedores em todos os continentes. Nenhuma parte dela jamais deveria ser entregue a investidores privados. A Copa do Mundo não está à venda", pontuou a entidade europeia.

A reação negativa não se limitou à Uefa. A Concacaf, confederação da América do Norte, Central e Caribe, acusou a Fifa de falta de consulta em relação às propostas. A Confederação Asiática afirmou estar "desapontada com o fato de uma questão de tamanha importância ter vindo a público antes que tivesse a oportunidade de examiná-la e discuti-la pelos canais de governança apropriados e estabelecidos". Já a Confederação Africana apenas se manifestou para confirmar seu envolvimento no processo de consulta, "incentivando suas Associações Membro a examinarem" as propostas por si mesmas.

## O papel de Gianni Infantino

O presidente da Fifa, Gianni Infantino, escreveu a todas as 211 federações membros da Federação Internacional de Futebol afirmando que elas ainda receberiam US$ 40 milhões (cerca de R$ 203 milhões) se apoiassem seu plano, segundo a "BBC". O dirigente estabeleceu um prazo até 19 de setembro para que as federações que aceitassem seus planos tivessem acesso a um montante inicial de US$ 20 milhões.

Em resposta, na quarta-feira (29), a Uefa acusou a Fifa de usar o futebol "para enriquecer a si mesma e aos seus amigos".

Em um vídeo de cinco minutos, divulgado na última quarta-feira (29), Infantino afirmou que se tratava de um "processo democrático" e que "fortalecer o lado comercial do futebol é o próximo passo natural na evolução da Fifa". Segundo o "The Athletic", Infantino liderou a iniciativa e afirmou, em comunicado, que "algumas partes do jogo transformaram a popularidade do futebol em um valor comercial notável".

"A Fifa obviamente continua a governar o futebol sem qualquer interferência externa. E o principal torneio que organiza, como a Copa do Mundo Masculina ou a Copa do Mundo Feminina sempre permanecerá", afirmou o executivo.

## O processo de aprovação e os próximos passos

Para que o plano seja aprovado, é necessário o aval das federações membro e do Conselho da Fifa, braço decisório da organização, composto pelo presidente Gianni Infantino, pelos oito vice-presidentes e outros 28 membros.

A posição da Uefa poderá ser testada já em outubro, quando os playoffs do Mundial Feminino deverão ser realizados. A próxima Copa do Mundo no calendário é a edição feminina no Brasil, em junho de 2027, seguida pelo torneio masculino na Espanha, Portugal e Marrocos em 2030.

## O nome forte contra Infantino

Apesar de ainda não ser um candidato declarado à presidência da Fifa, Nasser Al-Khelaifi é visto pela Uefa como a melhor opção para enfrentar Gianni Infantino nas eleições para a presidência da Federação Internacional, que deve ser realizada em março de 2027. Al-Khelaifi preside o Paris Saint-Germain e, segundo o jornal "The Telegraph", conta com o apoio que o tornaria páreo na disputa do principal cargo do futebol mundial.

Em conflito aberto com Infantino, a Uefa procura um nome forte para a corrida eleitoral e vê em Al-Khelaifi a solução para interromper um novo mandato do atual executivo, de acordo com o "The Telegraph". A importância do executivo catari cresceu significativamente quando liderou a resistência contra o projeto da Superliga em abril de 2021, o que o levou à presidência da Associação de Clubes Europeus (EFC). Desde então, Al-Khelaifi tem participado regularmente das principais reuniões da Fifa como presidente da associação.

## Perguntas Frequentes

### O que a Uefa decidiu sobre a venda da Copa do Mundo?

A Uefa anunciou que nenhuma seleção europeia participará de competições da Fifa enquanto a proposta de venda de participações da Copa do Mundo a investidores privados estiver em vigor.

### Quanto a Fifa quer arrecadar com a venda?

A Fifa busca vender até 21% da subsidiária Fifa Forward Enterprises (FFE) para arrecadar US$ 4,2 bilhões (R$ 17,5 bilhões).

### O que é a Fifa Forward Enterprises?

É uma nova subsidiária comercial criada pela Fifa para administrar seus principais eventos, como as Copas do Mundo e os Mundiais de Clubes.

### Quem é Nasser Al-Khelaifi e qual sua relação com a crise?

Nasser Al-Khelaifi é presidente do Paris Saint-Germain e da Associação de Clubes Europeus (EFC). Ele é visto pela Uefa como a melhor opção para enfrentar Gianni Infantino nas eleições da Fifa em março de 2027.

### Quando será a próxima Copa do Mundo?

A próxima edição é a Copa do Mundo Feminina no Brasil, em junho de 2027, seguida pelo torneio masculino em 2030, sediado por Espanha, Portugal e Marrocos.

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