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Opinião: Série C ainda não é uma realidade matemática no Ceará

O torcedor do Ceará que ainda não pensa na Série C do Campeonato Brasileiro está tentando não sofrer por antecipação. Se os próximos passos continuarem como estão, o futuro na terceira divisão será inevitável. Não estão errados os que preferem não antecipar esse sofrimento. O problema é o clube parecer não traçar uma nova rota para mudar o próprio percurso.

A realidade matemática ainda não condena o Ceará à Série C, mas a hipótese deixou de ser absurda. Com Mozart no comando do Alvinegro, muito se falou sobre o "botão de sobrevivência". O treinador foi demitido em 31 de maio, há três meses, e o botão ainda não foi acionado. Não há discurso que prove o contrário, basta olhar para a tabela da Série B.

O Ceará segue na 17ª posição, com sete vitórias em 25 jogos disputados e aproveitamento de 37% na competição. Um índice baixo para quem ainda tenta escapar de um cenário que, rodada após rodada, deixa de ser ameaça para se aproximar de uma realidade incômoda.

Eu acompanho futebol de base e vejo como cada ponto perdido pesa no psicológico de um elenco. Quando o aproveitamento cai abaixo de 40%, a tendência é que a pressão aumente e as margens de erro diminuam. O Ceará vive exatamente esse momento.

A pergunta que fica é: o que muda no curto prazo? Sem um novo comando e sem uma resposta dentro de campo, o discurso de reação perde força. O torcedor sabe que, no futebol, números não mentem, e a tabela já começa a desenhar um final de temporada que ninguém no clube quer admitir.

Juliana Prado
Repórter de Esportes Olímpicos
Mineira, cobre modalidades olímpicas e dá luz a atletas que só aparecem de quatro em quatro anos.
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