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Por que Messi voltou aos tempos de ponta na Argentina e faz Copa melhor do que 2022

ResumoLionel Messi, aos 39 anos, superou dúvidas físicas e adaptou-se a uma função de ponta direita nos momentos finais das partidas. Essa mudança tática tornou Messi mais decisivo do que na Copa de 2022, permitindo recordes pessoais e liderança da Argentina até a final do Mundial.

Lionel Messi, aos 39 anos, superou dúvidas físicas e atingiu recordes pessoais na Copa do Mundo. Adaptando-se a uma função de ponta direita nos momentos finais das partidas, ele se tornou ainda mais decisivo do que em 2022, liderando a Argentina à final.

Gustavo Pereira Lacerda
por Gustavo Pereira Lacerda · 19 de julho de 2026
Por que Messi voltou aos tempos de ponta na Argentina e faz Copa melhor do que 2022

Aos 39 anos e atuando nos Estados Unidos desde 2023, Lionel Messi parecia um candidato improvável a protagonizar sua Copa do Mundo mais avassaladora. Mas o maior craque do século ignorou os prognósticos. A Argentina só chegou à final deste domingo (19) graças ao camisa 10, que em alguns momentos resgatou a versão dos tempos áureos de Barcelona.

Messi atingiu recordes pessoais em uma só edição de Copa: oito gols, quatro assistências e 12 participações diretas. É o líder histórico do Mundial em todas essas estatísticas.

Os números não contam tudo: a dúvida física antes do torneio

Antes da Copa, havia questionamentos se Messi conseguiria competir fisicamente. Afinal, desde 2023 ele joga nos Estados Unidos, centro menos competitivo, e a idade pesa. Seu maior rival, Cristiano Ronaldo, sentiu esse aspecto. Messi, não.

Claro que o craque não sai mais driblando três, quatro ou cinco adversários antes de um gol. Precisa de menos toques para ser participativo como nunca. A maior parte do tempo, anda em campo, observa o jogo de seu próprio universo e busca espaços. Para fugir de setores congestionados, vira basicamente um ponta direita, função que exerceu em boa parte da carreira.

A fase de grupos enganosa e o drama do mata-mata

A fase de grupos foi tranquila para a Argentina: 100% de aproveitamento com shows de Messi (hat-trick contra a Argélia, dois gols frente à Áustria e um de falta contra a Jordânia). Mas isso pareceu fazer o time baixar a guarda para o mata-mata.

Até a semifinal contra a Inglaterra, a Albiceleste suou sangue: Cabo Verde forçou prorrogação e buscou dois empates, o Egito abriu 2 a 0 e sustentou até os 79 minutos, e a Suíça jogou melhor por mais de uma hora e também levou ao tempo extra. A partida contra os ingleses foi a melhor da Argentina na Copa, mas não a menos dramática: dois gols após os 40 minutos do segundo tempo garantiram a vaga.

A virada tática: Messi ponta direita nos minutos finais

Chamou atenção como Messi, decisivo em praticamente todas as classificações, passou a ir cada vez mais para o lado do campo quando os jogos afunilavam. Ficou evidente contra o Egito e se repetiu com suíços e ingleses. Era um retorno de duas décadas no tempo, ao garoto que encantou como ponta no Barcelona.

Essa situação só ocorria com frequência nos últimos 20, 15 minutos das partidas. Nesse momento, o técnico Lionel Scaloni já havia colocado muitos atacantes para ocupar a área e serem municiados em cruzamentos, enquanto as defesas adversárias estavam muito baixas. Messi, para fugir da marcação do centro, onde normalmente ocupa, passou a ser esse ponta direita que raramente vai à linha de fundo, mas sempre toca na bola e supera adversários no drible porque normalmente só tem um ou, no máximo, dois marcadores pela frente. Ele ser o líder em dribles (25) e duelos ganhos no chão (51) na Copa, dados do SofaScore, também é explicado por isso análise tática Scaloni. Para livrá-lo de mais defensores, o lateral-direito Nahuel Molina (ou Gonzalo Montiel) faz ultrapassagens no setor.

O roteiro se repetiu contra Egito, Suíça e Inglaterra

A virada nas oitavas contra o Egito, com três gols entre os 38 minutos do segundo tempo e o segundo minuto de acréscimo, passou diretamente pela função de ponta de Messi, que vinha jogando mal e havia perdido um pênalti até mudar os rumos da eliminatória. Nos dois primeiros gols, recebeu aberto no campo, levou para a canhota e cruzou. No primeiro, Cristian Romero diminuiu. No segundo, após bate-rebate, o próprio atacante empatou. Entre eles, fez uma jogada à la 2010: recebeu em velocidade, driblou dois e cruzou.

Contra a Suíça, o mesmo roteiro. Messi continuou perigoso, exigindo defesas do goleiro e criando chances ao cortar para dentro. Deu o chute partindo da direita para a meia-lua, levando três na marcação, antes de Flaco López pegar o rebote e dar para Julián Álvarez marcar o gol da vitória.

Na semifinal, novamente o Messi ponta direita decidiu. Com menos de 25 minutos, já aparecia bem aberto. Começou com um cruzamento quase idêntico ao dos jogos contra o Egito, que fez Nico González exigir grande defesa de Jordan Pickford. Depois, em escanteio curto pelo mesmo corredor, atraiu a marcação de dois para deixar Enzo Fernández livre para um golaço de fora da área. Nos acréscimos, em sobra de finalização, Messi fez o que quase não aconteceu: levou para a linha de fundo, mesmo sendo na perna direita, e cruzou na cabeça de Lautaro Martínez.

O que esperar da final contra a Espanha

Não é uma função para acontecer até por volta dos 75 minutos. Messi inicia como meia central ou falso nove, flutuando entre os setores, recuando e surgindo na área para finalizar. Só vira ponta se as coisas desandarem, como ocorreu em todo o mata-mata. Caso na final contra a Espanha a Argentina saia atrás do placar e o cenário dure até os instantes finais, o camisa 10 deve pintar novamente como ponta para tentar salvar sua seleção.

Em 2022, Messi marcou sete gols, sendo dois na final, e a Albiceleste foi campeã. Em 2026, ele já faz a maior Copa de sua carreira e pode coroar sua possível última dança na competição com o bicampeonato neste domingo (19), a partir das 16h (horário de Brasília).

Perguntas Frequentes

Messi realmente está em melhor forma do que em 2022?

Sim. Aos 39 anos, ele atingiu recordes pessoais de gols (oito), assistências (quatro) e participações (12) em uma só edição de Copa, superando seu desempenho de 2022.

Por que Messi virou ponta direita nos jogos?

Porque, nos minutos finais, o técnico Lionel Scaloni coloca muitos atacantes na área. Para fugir da marcação congestionada no centro, Messi se desloca para a ponta, onde enfrenta menos marcadores.

Quantos dribles Messi tem na Copa de 2026?

Segundo dados do SofaScore, Messi é líder em dribles (25) e duelos ganhos no chão (51) na competição.

Qual foi o jogo mais difícil da Argentina no mata-mata?

A semifinal contra a Inglaterra foi a melhor atuação da Argentina, mas exigiu dois gols após os 40 minutos do segundo tempo para garantir a vaga.

Messi jogará a final como ponta direita?

Se a Argentina sair atrás do placar e o cenário durar até os instantes finais, sim. Nos outros momentos, ele atua como meia central ou falso nove.

Quantos gols Messi marcou na Copa de 2026?

Oito gols, superando os sete de 2022.

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