Por que o Olympique de Marseille cogitou não disputar a Liga Europa?
Antes de estrear na Liga Europa contra o Besiktas, o Olympique de Marseille avaliou internamente renunciar à vaga conquistada em campo. A pressão do Fair Play Financeiro da Uefa e a queda de receita explicam a cogitação.
O Olympique de Marseille volta à Liga Europa nesta quinta-feira (17) contra o Besiktas, pela primeira fase da competição europeia, depois de terminar a Ligue 1 2025/26 na quinta posição, a um ponto do Lyon, que ficou com a vaga na fase preliminar da Champions League. Antes da estreia, o clube francês avaliou internamente abrir mão da vaga que conquistou em campo.
A cogitação partiu de uma equação financeira. A classificação para a Liga Europa preenche o calendário, mas derruba a receita em relação à Champions League, competição que o OM disputou na temporada passada e na qual não avançou ao mata-mata após três vitórias em oito jogos. A expectativa do clube era justamente garantir o acesso à Champions e assegurar o bônus correspondente.
O Fair Play Financeiro da Uefa entrou na conta. Pelas regras da entidade europeia, clubes precisam estar alinhados aos limites financeiros de entrada e saída de caixa para inscrever atletas e disputar Champions, Liga Europa e Conference League. O Olympique pôde disputar o torneio neste ano, mas sob a condição de diminuir a folha salarial. O clube, que sofre com crise financeira nos últimos anos e teve as contas analisadas de perto pela Uefa, trabalhou para negociar peças do elenco.
Segundo revelado pelo L'Équipe, a hipótese de renunciar à Liga Europa chegou a ser discutida internamente antes de o clube atuar junto à Uefa para resolver as pendências. Sem a vaga, o Olympique precisaria se adequar apenas ao cenário financeiro da Ligue 1, sem a pressão de buscar, em uma janela, a saída de jogadores-chave.
A ideia não avançou. O caminho escolhido foi negociar atletas para reduzir a folha e cumprir as regras. Mason Greenwood, Facundo Medina e Geronimo Rulli, por exemplo, deixaram a equipe antes do início desta temporada.
Ainda conforme o L'Équipe, se o clube terminasse a Ligue 1 fora da zona de classificação para a Liga Europa, com vaga apenas na Conference League, terceiro escalão continental, a opção seria recusar o torneio.
O diretor esportivo Grégory Lorenzi descreveu o cenário em declaração reproduzida na fonte: "Mesmo que vendamos um jogador, não teremos permissão para registrar uma contratação. Na prática, seriam necessárias várias saídas para que pudéssemos fazer uma contratação".
O centroavante brasileiro Igor Paixão esteve perto de ser negociado nos últimos dias antes do fechamento da janela europeia. Ele recebeu propostas do Sunderland e conversou sobre uma ida à Premier League. A proposta, segundo o L'Équipe, gira na casa dos 35 milhões de euros, cerca de R$ 210 milhões, valor pago pelos franceses para contratá-lo junto ao Feyenoord. O clube não conseguiu uma peça de reposição.
O técnico Bruno Génésio lamentou a possível saída do "homem gol": "Era um dos jogadores muito importantes que eu queria manter. Havia outros, mas, no caso dele, foi muito tenso até o fim. Espero, aliás, que ele não tenha ficado chateado comigo".
Além da queda de receita com a não classificação à Champions, o clube sofre com a crise nos direitos de transmissão da Ligue 1. No início desta temporada, o Olympique soma uma vitória na Ligue 1 e ocupa a 13ª posição após quatro rodadas. A única vitória veio na estreia, diante do Strasbourg. Desde então, foi derrotado por Rennes, Paris FC e Mônaco, de Filipe Luís.
O próximo passo é a estreia europeia contra o Besiktas, com um elenco enfraquecido pela necessidade de adequação financeira.