Bola de Ouro 2026: por que Kerolin merecia ser finalista
A France Football anunciou nesta terça-feira (6) os finalistas da Bola de Ouro. Entre as indicadas ao prêmio de melhor jogadora do mundo, uma ausência chamou a atenção: a brasileira Kerolin, que fez uma grande temporada pelo Manchester City antes de ser contratada pelo Barcelona, em uma transação histórica para o clube espanhol, e assumiu o protagonismo na seleção brasileira feminina reformulada.
A temporada 2025/26 foi especial para Kerolin, principalmente no futebol de clubes. Em seu primeiro ano completo na Inglaterra, a brasileira foi peça importante na campanha que levou o City a conquistar a Women's Super League após dez anos de seca, período em que o clube amargou seis vices e viu o Chelsea construir uma hegemonia, com seis títulos consecutivos.
Kerolin desfalcou o City em sete das nove primeiras rodadas, ainda se recuperando de lesão. Retornou ao fim de 2025 e, nos 13 jogos finais, marcou oito gols e deu quatro assistências, incluindo um hat-trick na goleada por 5 a 1 sobre o Chelsea, então campeão invicto. A atuação rendeu o prêmio de melhor jogadora de fevereiro na liga. Além dos números, a atacante criou oportunidades e finalizou jogadas, consolidando-se como uma das jogadoras mais decisivas da atualidade. O título a tornou a primeira brasileira a conquistar uma WSL.
Na seleção, Kerolin virou peça-chave de Arthur Elias. Em abril, comandou o Brasil no título da Fifa Series, em Cuiabá, com dois gols e duas assistências, participando de quatro dos 12 gols da equipe, e foi eleita a melhor jogadora da competição. A evolução vem de um longo ciclo: após a grave lesão no ligamento cruzado, voltou a tempo das Olimpíadas de Paris, em 2024, marcou na semifinal contra a Espanha e ficou com a prata. Em 2025, foi bicampeã da Copa América, com três gols contra a Bolívia.
Vestindo com frequência a camisa 10, em provável sucessão a Marta, Kerolin se prepara para ser pilar do Brasil na Copa do Mundo de 2027. À Fifa, resumiu o compromisso: "Se ele precisar que eu jogue de volante, vou jogar, de lateral, em qualquer lugar. Meu foco é ser uma atleta completa para ajudar a seleção". Aos 25 anos, a paulista reúne números, títulos e protagonismo que, no papel, a credenciavam à lista final da Bola de Ouro. A ausência, por ora, fica como questão para a France Football explicar.