Pós-Copa expõe problemas que impedem crescimento do futebol brasileiro
Pós-Copa do Mundo expõe problemas que impedem crescimento interno do futebol brasileiro
A euforia da Copa do Mundo sempre dá lugar a uma espécie de "depressão" quando recomeçam os jogos do futebol brasileiro. Isso é normal e faz parte do ciclo da maior competição do planeta. Em 2026, porém, o futebol nacional caprichou em expor os motivos pelos quais ainda é difícil furar a bolha e aumentar o interesse da população.
Resposta direta: O futebol brasileiro pós-Copa enfrenta problemas como arbitragem contestada, calendário pulverizado, ingressos caros e estádios elitizados. Pesquisa Datafolha mostra que 36% dos brasileiros não têm interesse pela modalidade e só 28% se declaram muito interessados. Para crescer, é preciso melhorar o produto e o negócio.
O dia a dia é feito para fanáticos
O cotidiano do futebol brasileiro é desenhado para quem já é apaixonado. O público casual é expulso frequentemente. O hype criado pela Copa é desperdiçado, e os velhos problemas voltam assim que o torneio termina. Como já apontou a Trivela no "Futebol em Contexto", com Tim Vickery, a rotina do esporte no país não acolhe quem não acompanha tudo.
Nível do futebol e os quatro 0 a 0
O nível técnico, ponto mais discutido após um fim de semana ruim de Copa do Brasil, contribui para o afastamento. No sábado, foram três jogos e nenhum gol, com quatro empates sem gols em sete partidas da rodada. Mas o problema não é só a qualidade das partidas. A Copa do Mundo também teve jogos mornos, então não dá para culpar apenas o espetáculo.
A gritaria da arbitragem
As reclamações de arbitragem dominam as rodadas do Brasileirão. São discussões sobre impedimentos "no olho", o sistema semiautomático, as linhas manuais do VAR e até o pré-VAR, quando cada canal via um lance de forma diferente. Polêmicas existem no mundo todo, como a Copa de 1966, mas no Brasil virou uma gritaria surda: ninguém quer ouvir, só falar.
Dirigentes, treinadores, jogadores, imprensa e influenciadores se aproveitam do clima para faturar, seja com desvio de atenção ou com engajamento. Alguém brincou que houve mais notas oficiais reclamando de arbitragem do que bolas na rede. No sábado, isso aconteceu: três jogos, zero gols, e notas do Flamengo e do Vitória. O Vitória, inclusive, parabenizou o STJD por denunciar o jogador Maurício por uma cotovelada na partida contra o Palmeiras.
O que afasta o público casual
Quem não é fanático acha tudo isso bobo. Além disso, a pulverização de plataformas e horários, o calendário tomado como um polvo, os ingressos caros e os estádios elitizados dificultam o acompanhamento. Quase oficializamos jogos de segunda a segunda, deixando a sensação de que nunca ficamos sem futebol. Os fanáticos adoram, mas como crescer?
Datafolha: só 28% são fanáticos
A pesquisa Datafolha sobre torcidas mostrou que 64% dos brasileiros se interessam por futebol. Mas 36% declararam não ter interesse algum. Entre os que se interessam, apenas 28% se dizem muito interessados, enquanto 35% têm "um pouco de interesse". Ou seja, menos de um terço do país é realmente fanático, e é só para eles que o futebol é feito hoje.
O que precisa mudar em 2026
Em 1998, após a Copa em que o Brasil foi vice-campeão, a revista Placar listou problemas como bilheterias arcaicas, falta de lugares numerados e entradas estreitas. Muita coisa melhorou. Agora é hora de enfrentar os desafios de 2026: melhorar o produto (imagem, clima amistoso) e o negócio (ingressos, transmissões) para atrair novos públicos.
Antes de pensar em internacionalizar a marca, é preciso corrigir o que afasta o brasileiro. O crescimento interno depende de transformar o futebol em um espetáculo acolhedor, não apenas para os fanáticos.
Perguntas Frequentes
Por que o futebol brasileiro não cresce após a Copa?
Porque os problemas estruturais voltam logo após o torneio: arbitragem contestada, calendário confuso, ingressos caros e falta de atração para o público casual.
O que diz a pesquisa Datafolha sobre o interesse no futebol?
A pesquisa mostra que 64% dos brasileiros têm algum interesse, mas só 28% se declaram muito interessados. Outros 36% não têm interesse nenhum.
Como a arbitragem afeta o crescimento do futebol?
A gritaria constante sobre arbitragem afasta quem não é fanático, que vê as discussões como bobas e prefere não acompanhar.
O que precisa mudar no futebol brasileiro?
Melhorar o produto, com menos paralisações e reclamações, e o negócio, com ingressos acessíveis e transmissões que facilitem o acompanhamento.