Premier League gasta R$ 24 bilhões na janela e quebra recordes
A Premier League fechou a janela de transferências de verão de 2026 com números que redefinem o padrão do futebol europeu. Os 20 clubes ingleses investiram 3,528 bilhões de libras (R$ 24 bilhões) em contratações, novo recorde para uma única janela, segundo levantamento do "The Athletic". O montante representa alta de 13% sobre os 3,11 bilhões de libras movimentados no verão de 2025, que já havia sido histórico. O gasto líquido também atingiu recorde, de aproximadamente 1,35 bilhão de libras.
A janela começou em 2 de julho, durante a Copa do Mundo, quando o Manchester City anunciou Elliot Anderson por 116 milhões de libras, recorde para um jogador britânico. O valor serviu de referência para uma série de movimentos milionários. Ao todo, 14 dos 20 clubes gastaram mais de 100 milhões de libras, e 41 jogadores foram contratados por pelo menos 30 milhões. Quatro transferências passaram de 100 milhões: Anderson para o City, Morgan Rogers para o Chelsea, Bradley Barcola para o Liverpool e Enzo Fernández, novamente pelo City.
Enzo Fernández igualou o recorde britânico no último dia da janela, ao deixar o Chelsea rumo ao Manchester City por 125 milhões de libras. O City terminou como o maior gastador, com cerca de 450 milhões de libras investidos. O Chelsea estabeleceu recorde de arrecadação em uma janela, com 383 milhões em vendas, impulsionado pela saída de Fernández. Já os recém-promovidos Ipswich Town, Coventry City e Hull City gastaram juntos 467 milhões de libras para reconstruir seus elencos, superando o recorde anterior de 296 milhões dos promovidos em janelas passadas.
O que explica tamanho investimento? A concentração de negócios entre clubes ingleses: sete das dez maiores transferências do futebol europeu envolveram um clube inglês comprando de outro. Vender para um rival da Premier League significa encontrar comprador capaz de pagar valores que clubes de outros países não alcançam. "O jogador que já demonstrou que pode atuar na Premier League carrega menos risco de adaptação", explicou o professor Rob Wilson, especialista em finanças esportivas, ao "The Athletic".
A comparação com as outras ligas escancara o abismo. LaLiga, Serie A, Bundesliga e Ligue 1, somadas, gastaram cerca de 2,83 bilhões de libras na janela. Os 76 clubes dessas quatro competições ficaram abaixo dos 20 integrantes da Premier League. O gasto líquido das cinco grandes ligas veio quase todo dos ingleses. "A Premier League tem tanto o dinheiro quanto a pressão competitiva para continuar gastando", afirmou Wilson.
Para ele, uma escalada infinita não é sustentável, e regulamentações financeiras podem provocar janelas mais cautelosas. Mas, sem mudança nas regras ou na estrutura de receitas, não há motivo para esperar queda consistente. Os 3,5 bilhões de libras de 2026 podem não ser repetidos todos os anos, mas o patamar parece menos uma anomalia e mais um novo ponto de partida. A Premier League funciona como um mercado financeiro próprio, e a próxima transformação pode ser transferências domésticas de 50 a 100 milhões de libras virarem rotina.