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Primeiro time feminino do Brasil: homofobia e 600km

No fim dos anos 1950, um grupo de estudantes de Araguari, no Triângulo Mineiro, disputou uma série de partidas de futebol e produziu os primeiros registros da prática da modalidade por mulheres de forma consolidada no Brasil. O time pioneiro, no entanto, não escapou da homofobia, da falta de apoio e da distância: as jogadoras chegaram a mandar partidas a 600km de casa.

A história do primeiro time feminino do Brasil é marcada por três obstáculos simultâneos: proibição legal, preconceito e ausência de estrutura. As atletas foram impedidas de jogar por um decreto do Governo Federal que durou quase décadas. Mesmo com o interesse da população no jogo feminino, a prática seguiu barrada.

Ex-atletas ouvidas em Araguari relembram as dificuldades para desenvolver o futebol feminino no país. A falta de apoio financeiro e a carência de visibilidade atingiam tanto clubes pequenos quanto grandes, em todas as regiões.

O cenário atual mistura avanço e herança do problema. Enquanto o Brasil se prepara para receber outras 31 seleções na Copa do Mundo de 2027, o país ainda luta para consolidar a modalidade em seu próprio território. A Lei da Copa 2027 prevê prêmio de R$ 500 mil a pioneiras da seleção feminina de futebol, e o Maracanã vai receber a abertura do torneio.

O que falta para o futebol feminino se consolidar no Brasil é a combinação de três fatores: financiamento contínuo, visibilidade midiática e fim das barreiras legais e culturais. O caso de Araguari mostra que o problema não é novo nem restrito a uma região. A pergunta que fica é se a Copa de 2027 vai acelerar essa consolidação ou apenas iluminar por alguns meses um problema estrutural que atravessa gerações.

Gustavo Pereira Lacerda
Editor de Mercado da Bola
Catarinense, editor especializado em transferências e bastidores do mercado do futebol com fonte e ceticismo.
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