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Fair Play Social no futebol de base: proposta entregue à CBF

ResumoA Universidade do Futebol entregou à CBF uma proposta para criar o Fair Play Social, sistema de monitoramento das condições de formação de jovens atletas nas categorias de base. O projeto prevê indicadores objetivos, verificação independente e implementação gradual. A proposta busca assegurar transparência e qualidade no desenvolvimento esportivo e educacional dos atletas.

A Universidade do Futebol entregou à CBF uma proposta para criar o Fair Play Social, sistema de monitoramento das condições de formação de jovens atletas nas categorias de base. O projeto prevê indicadores, verificação independente e implementação gradual.

Gustavo Pereira Lacerda
por Gustavo Pereira Lacerda · 04 de setembro de 2026
Fair Play Social no futebol de base: proposta entregue à CBF

A Universidade do Futebol entregou nesta quinta-feira à Confederação Brasileira de Futebol (CBF) uma proposta para a criação do Fair Play Social, sistema voltado ao acompanhamento das condições de formação, proteção e desenvolvimento de crianças e adolescentes nas categorias de base. O projeto foi desenvolvido pela Frente Progresso Futebol de Base, grupo que reúne mais de 500 profissionais de clubes e organizações ligadas ao esporte, e apresentado ao Grupo de Trabalho da Base da entidade.

A iniciativa propõe a adoção de mecanismos de governança semelhantes aos já utilizados para acompanhar a sustentabilidade financeira dos clubes. A ideia é criar critérios mensuráveis e instrumentos permanentes de monitoramento voltados aos direitos de jovens atletas. Segundo a proposta, o sistema pretende transformar em indicadores práticos os direitos previstos na legislação brasileira para crianças e adolescentes, incluindo aspectos relacionados à saúde, educação, alimentação, lazer, profissionalização, cultura, dignidade, respeito e convivência familiar. O modelo prevê verificação independente, acompanhamento constante e planos de melhoria para os clubes, em vez de funcionar apenas como um selo ou certificação.

A CEO da Universidade do Futebol, Heloísa Rios, afirma que a proposta busca trazer para a formação de atletas um modelo semelhante ao que já existe em outras áreas da gestão esportiva. "Se o futebol brasileiro já desenvolveu indicadores, processos de acompanhamento e mecanismos de governança para fortalecer sua sustentabilidade financeira, podemos dar um passo semelhante para fortalecer a proteção e o desenvolvimento das crianças e dos adolescentes que representam o futuro do nosso futebol", disse.

O documento também defende que o desenvolvimento esportivo está diretamente ligado às condições oferecidas aos jovens durante o processo de formação. "Clube que protege, educa, acompanha e desenvolve seus atletas cria melhores condições para formar jogadores mais preparados, cidadãos mais autônomos e profissionais mais completos. E um país que fortalece sua base cria as condições para voltar a ocupar o topo do futebol mundial", explicou Heloísa.

A proposta prevê que situações identificadas como problemáticas gerem planos de adequação acompanhados por profissionais e instituições responsáveis. O plano apresentado à CBF sugere uma implementação gradual. Nos primeiros meses, seria formada uma coalizão responsável por definir indicadores e regras de governança. Em seguida, o modelo passaria por um projeto piloto em três a cinco clubes antes de uma eventual ampliação.

De acordo com a Universidade do Futebol, o objetivo é criar uma rede de colaboração envolvendo clubes, federações, CBF, famílias, patrocinadores, conselhos tutelares e órgãos públicos. "O Fair Play Social precisa ser mais do que um sistema de verificação. Ele deve ser uma rede de proteção, aprendizagem e evolução para todo o futebol de base", afirmou Heloísa. "Queremos um futebol cada vez mais pujante, competitivo e sustentável. E isso passa por uma construção coletiva: cuidar das finanças, cuidar da governança e, sobretudo, cuidar das crianças e dos adolescentes que representam o futuro desse esporte. O próximo craque precisa de campo. E de direitos", completou.

A proposta ainda depende de análise e eventual acolhimento pela CBF. O grupo por trás da iniciativa defende que a implementação seja gradual, com definição de indicadores e regras antes da expansão para o restante das categorias de base. futebol de base no Brasil

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