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Richard Ríos na Arábia: como a aposta do Benfica perdeu espaço

Richard Ríos está prestes a deixar o Benfica rumo ao Al-Ittihad, da Arábia Saudita, por empréstimo. O acordo, segundo o jornal português "Record", não prevê opção de compra, e o colombiano ainda precisa acertar os últimos detalhes com o clube saudita. Os sauditas pagarão uma taxa de empréstimo de 5 milhões de euros, com o Al-Ittihad assumindo integralmente o salário do jogador, que chegou a ser alvo da Roma nesta janela de transferências.

É um desfecho difícil de imaginar quando Ríos chegou à Luz, há pouco mais de um ano. O Benfica pagou 27 milhões de euros ao Palmeiras pelo meio-campista, valor que fez dele a contratação mais cara da história do clube em termos fixos. O colombiano assinou até 2030 e chegava depois de uma temporada em que havia se consolidado como um dos jogadores mais interessantes do futebol sul-americano.

Aos 26 anos, Ríos vai para a Arábia Saudita justamente quando parecia ter condições de se estabelecer no mercado europeu. A história ajuda a explicar como um jogador pode perder espaço rapidamente mesmo depois de uma primeira temporada individualmente positiva.

A primeira temporada e o projeto de Mourinho

A transferência para Portugal era, em vários sentidos, o passo natural da carreira. Ríos havia se tornado uma peça importante do Palmeiras e ganhou mercado graças a um perfil bastante particular: é um meio-campista de grande capacidade física, mas que também possui recursos técnicos acima da média.

Sua formação no futsal ajuda a explicar parte disso. O colombiano só migrou definitivamente para o futebol de campo aos 18 anos e levou para o jogo características desenvolvidas no salão: domínio orientado, capacidade de escapar da pressão em espaços curtos e facilidade para conduzir a bola.

No Benfica, isso apareceu em números. Em sua primeira temporada, Ríos disputou 45 partidas, marcou oito gols e deu seis assistências. E não era apenas um jogador para ocupar espaço diante da defesa: Ríos podia carregar a bola, aparecer na área, acelerar transições e oferecer ao meio-campo uma dose de agressividade física que poucos jogadores possuem.

José Mourinho, inclusive, identificou justamente esse potencial e trabalhou para que o colombiano tivesse liberdade para avançar.

"Ríos precisa ter raio de ação muito grande. Limitá-lo é retirar-lhe uma das suas forças", disse o antigo treinador.

A frase de Mourinho ajuda a entender o tipo de jogador que o Benfica acreditava ter contratado. O técnico buscava criar uma estrutura em que Ríos pudesse atacar sem deixar o time desprotegido, utilizando Barreiro e Aursnes para compensar seus movimentos. Era um projeto bastante específico. E funcionou durante boa parte da temporada.

O que mudou nesta temporada

O contexto atual é completamente diferente. Ríos voltou mais tarde à pré-temporada depois de disputar a Copa do Mundo de 2026 pela Colômbia. Marco Silva o utilizou como titular apenas uma vez nesta temporada, no empate por 1 a 1 com o Hearts. Nas outras cinco partidas em que participou, saiu do banco.

E isso não parece ser apenas consequência do atraso na preparação. O próprio Record informou que Marco Silva aceita abrir mão do colombiano. Enquanto isso, Ríos havia sido titular somente uma vez nos oito jogos disputados pelo Benfica neste início de temporada.

A contratação de João Palhinha também pesou. Segundo o jornal português "A Bola", a chegada do volante português agravou a perda de espaço de Ríos. É compreensível: o colombiano precisa de liberdade para ser melhor. Palhinha, por sua vez, oferece justamente a segurança posicional que permite a um treinador estruturar o meio-campo com um jogador mais agressivo ao lado.

E se Marco Silva não vê Ríos como titular, torna-se difícil justificar a permanência de um atleta tão caro. A saída para o Al-Ittihad não significa necessariamente que Ríos tenha fracassado no Benfica. Sua primeira temporada mostrou o contrário.

O colombiano simplesmente parece ter perdido a disputa por espaço em um meio-campo que passou por mudanças importantes. E isso é particularmente frustrante porque seu perfil continua sendo interessante para o futebol europeu.

O que esperar do empréstimo

O fato de o acordo não ter opção de compra é relevante. O Benfica continua dono dos direitos do jogador e, em princípio, pode reavaliar sua situação daqui a um ano. E existe uma vantagem evidente para Ríos: jogar.

Depois de passar a maior parte do início da temporada como reserva, ele precisa recuperar sequência e voltar a ser protagonista. A Arábia Saudita oferece justamente esse ambiente. O risco é outro: desaparecer do radar europeu.

Aos 26 anos, Ríos está entrando justamente no período em que deveria consolidar sua carreira no futebol de alto nível. Uma temporada de protagonismo no Al-Ittihad pode recolocá-lo no mercado. Uma temporada apenas confortável pode fazer o movimento parecer uma desistência.

Juliana Prado
Repórter de Esportes Olímpicos
Mineira, cobre modalidades olímpicas e dá luz a atletas que só aparecem de quatro em quatro anos.
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