Santos testa impedimento semiautomático na Vila Belmiro em jogo do sub-17
O Santos testa o impedimento semiautomático na Vila Belmiro em jogo do sub-17. A tecnologia, já usada em Copas do Mundo, chega ao Brasil em fase experimental. Entenda como funciona, quem opera e o que muda para o futebol.
O Santos realiza na tarde deste sábado o primeiro teste público do sistema de impedimento semiautomático no Brasil, durante a partida do sub-17 contra o São Paulo, na Vila Belmiro. A tecnologia, que estreou em competições oficiais na Copa do Mundo de 2022, chega ao futebol brasileiro em fase experimental, com aval da CBF e da Federação Paulista.
O sistema de impedimento semiautomático usa 12 câmeras de rastreamento óptico instaladas no estádio, capazes de capturar 50 quadros por segundo. Cada câmera triangula a posição de 29 pontos do corpo de cada jogador, incluindo ombros, joelhos e pés. A bola, equipada com sensor inercial, transmite sua posição 500 vezes por segundo. Quando um passe é dado, o software calcula se há jogador em posição irregular em menos de meio segundo, gerando uma animação 3D que o VAR pode revisar.
A operação em campo fica a cargo da Hawk-Eye Innovations, subsidiária da Sony que fornece tecnologia similar para a Premier League desde 2024 e para a Champions League desde 2025. A empresa é a mesma que opera o sistema de linha de gol em Wimbledon e no tênis profissional. No Brasil, a Hawk-Eye firmou parceria com a CBF para testes em jogos de categorias de base e, eventualmente, no profissional.
O teste de hoje na Vila Belmiro não vale para o campeonato. A partida do sub-17 entre Santos e São Paulo serve como laboratório. A CBF ainda não definiu data para implementação no Brasileirão Serie A ou na Copa do Brasil. Fontes da entidade indicam que o sistema pode estrear no mata-mata nacional em 2027, dependendo da aprovação da IFAB, o órgão que regulamenta as regras do futebol.
A diferença prática para o torcedor é o tempo de paralisação. Com o impedimento manual do VAR atual, a checagem leva em média 70 segundos entre o lance e a decisão. Com o sistema semiautomático, esse tempo cai para 25 segundos, segundo dados da FIFA na Copa de 2022. A animação 3D gerada pelo software é exibida no telão do estádio e na transmissão, mostrando exatamente onde cada jogador estava no momento do passe.
A tecnologia não elimina o erro humano. O sistema marca a posição dos jogadores e traça as linhas, mas a decisão final sobre o impedimento continua com o árbitro de vídeo. A regra de impedimento em si não muda: o que muda é a precisão e a velocidade da medição. Em testes na Premier League, o sistema reduziu em 30% os erros de marcação de impedimento, mas ainda há casos de calibragem incorreta em lances de ombro ou joelho.
Para o Santos, o teste na Vila Belmiro é também um movimento de marketing. O clube busca se associar à inovação tecnológica no futebol brasileiro, algo que a diretoria vê como diferencial de marca. A Vila Belmiro, que passou por reformas de iluminação e instalação de câmeras em 2024, é um dos estádios brasileiros com estrutura compatível com o sistema.
A CBF planeja testar o impedimento semiautomático em mais três estádios até o fim de 2026: Maracanã (Rio de Janeiro), Arena Corinthians (São Paulo) e Mineirão (Belo Horizonte). Cada teste dura uma partida inteira e inclui a presença de engenheiros da Hawk-Eye e observadores da FIFA. O custo por teste é estimado em R$ 150 mil, valor que inclui instalação, operação e relatório técnico.
A implementação em larga escala no Brasil enfrenta dois gargalos: o custo dos equipamentos (cada câmera de rastreamento custa cerca de R$ 80 mil) e a necessidade de estádios com estrutura elétrica e de internet compatível. A CBF estima que apenas 12 dos 20 estádios da Serie A têm condições técnicas para receber o sistema sem obras adicionais.
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Perguntas Frequentes
O impedimento semiautomático substitui o VAR?
Não. O sistema auxilia o VAR, mas a decisão final sobre o impedimento continua com o árbitro de vídeo. A tecnologia apenas acelera e torna mais precisa a marcação das linhas.
Quando o sistema chega ao Brasileirão?
A CBF ainda não definiu data. Testes em jogos oficiais devem ocorrer em 2027, dependendo de aprovação da IFAB e de viabilidade financeira.
Qual a diferença para o impedimento manual?
No manual, o VAR traça as linhas manualmente, o que leva cerca de 70 segundos. No semiautomático, o software traça as linhas em menos de 0,5 segundo, e a animação 3D é gerada automaticamente.
O sistema erra?
Sim. A taxa de erro é menor que a do sistema manual, mas há falhas de calibragem em lances de ombro ou joelho. A FIFA reportou precisão de 99,3% nos testes da Copa de 2022.
Quanto custa implementar o sistema?
O custo por estádio gira em torno de R$ 1,2 milhão para instalação completa, incluindo 12 câmeras, sensores na bola e software. A manutenção anual custa cerca de R$ 300 mil.
O Santos vai usar o sistema nos jogos profissionais?
Não imediatamente. O teste de hoje é experimental. O clube depende de aval da CBF e da Federação Paulista para usar a tecnologia em jogos oficiais do time principal.