Seleção: Escolhas no gol serão delicadas para Ancelotti no ciclo até 2030
Com a eliminação nas oitavas de final para a Noruega, a seleção brasileira amarga o maior jejum de títulos em Copas do Mundo: 28 anos. No ciclo até 2030, uma das questões mais urgentes de Carlo Ancelotti é definir prioridades entre os goleiros. A convocação para os amistosos contra a Austrália, no fim de setembro, mostrou que o italiano pretende começar essa avaliação antes de decidir quem estará na próxima Copa América.
Hugo Souza (27), Pedro Morisco (22) e Otávio (20) foram os escolhidos para os dois compromissos. A ausência de Alisson, tratado como nome provável, muda o ponto de partida. Mais que atualização de nomes, a decisão indica que o treinador quer abrir espaço para observar alternativas à geração que disputou os últimos Mundiais.
Alisson (33), Ederson (33) e Weverton (38) foram os goleiros de Tite no Mundial de 2022. Os dois primeiros são figurinhas constantes desde 2018, com Alisson titular há mais de uma década, cedendo vaga em raros momentos a Ederson, hoje no Fenerbahçe. Weverton caminha para o fim da carreira no Grêmio. O cenário abre espaço para renovação, mas coloca Ancelotti diante de uma escolha: preparar nova geração ou manter experiência quando chegar a hora de disputar títulos.
Antes de anunciar a convocação para os amistosos contra Austrália (dias 25 e 29 de setembro) e Índia (3 de outubro), Ancelotti divulgou seis listas em um ano à frente da seleção, incluindo a Copa de 2026. Nesse período, chamou três goleiros considerados jovens: Bento (27), Hugo Souza (27) e John (30). Bento, do Al-Nassr, foi convocado cinco vezes, mas falhas na Arábia Saudita justificaram sua ausência na lista final. Hugo Souza fez um jogo, com atuação não convincente contra o Japão. John, do Nottingham Forest, não entrou em campo.
Esse contexto levou Ancelotti a apostar em Weverton para a Copa, mesmo sem convocá-lo antes. Em maio, ele explicou: "A verdade é que em algumas posições, como a de goleiro, privilegiamos um pouco mais a experiência. Por isso, chamamos o Weverton." Agora, a nova convocação mostra que essa lógica não dominará todo o ciclo. Ao anunciar Hugo Souza, Morisco e Otávio, Ancelotti disse que a prioridade é conhecer os jovens, citando Taffarel na avaliação: "Otávio está atuando muito bem no Cruzeiro, também o Morisco. O Hugo Souza eu já conheço. Não quer dizer que os outros estão excluídos."
Alisson não está descartado, mas sua presença não é garantia. Ele ainda pode liderar o vestiário, sendo o segundo goleiro com mais jogos em Mundiais (14), ao lado de Gilmar e Emerson Leão. Com 37 anos em 2030, se mantiver o nível, não pode ser descartado. O desafio é garantir opções confiáveis para a próxima Copa, usando a experiência de Alisson e abrindo espaço aos novos nomes.