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Copa Feminina 2027: por que futebol masculino vai parar

Sim, é mais do que justo que o futebol masculino pare por causa da Copa do Mundo Feminina

A decisão de paralisar o calendário do futebol masculino brasileiro durante a Copa do Mundo Feminina 2027, que terá o Brasil como sede, gerou um debate marcado por reações desproporcionais. A onda de críticas, porém, ignora que a medida segue o mesmo protocolo aplicado em torneios masculinos recentes.

A paralisação não é um privilégio do futebol feminino

Durante o Mundial de Clubes de 2025, disputado nos EUA com quatro clubes brasileiros (Flamengo, Fluminense, Botafogo e Palmeiras), as atividades no Brasil foram suspensas por um mês. Nenhuma reclamação relevante surgiu de torcedores ou dirigentes.

No mês passado, a Copa do Mundo de 2026 também interrompeu calendários em todos os continentes, sem indignação proporcional. A diferença agora é o alvo: o futebol de mulheres.

Exigências da Fifa: estádios, capacidade e logística

A Copa 2027 terá 32 seleções e 64 jogos em oito cidades: Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Recife, Fortaleza, Salvador, Brasília e Porto Alegre. Para a fase de grupos e quartas de final, a Fifa exige capacidade mínima de 20 mil lugares sentados; semifinais precisam de 40 mil; abertura e final, 65 mil.

Os estádios ficarão fechados e à disposição da Fifa com semanas de antecedência, como ocorre em todos os torneios da entidade. Nenhum estádio precisará ser construído, diferentemente de 2014, quando o país gastou R$ 27,1 bilhões em construções, reformas e modernizações, segundo levantamento do "ge".

Plano de legado: o que o Brasil ganha com o Mundial

Além da logística, a Fifa exige um "plano de legado" para o desenvolvimento do esporte. Segundo a entidade, o plano "visa apoiar o desenvolvimento econômico e o bem-estar humano, com foco em segurança, sustentabilidade, acessibilidade e inclusão".

Em 2022, após a Copa do Catar, a Reuters noticiou que a Fifa lançou o fundo de legado para iniciativas com a Organização Mundial da Saúde, a Organização Mundial de Comércio e a Acnur (Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados). Parte das receitas de Copas anteriores alimenta esse fundo, usado pelo país anfitrião no desenvolvimento do esporte local.

O peso histórico: 40 anos de proibição

O Brasil proibiu a prática do futebol feminino por 40 anos. A paralisação, que não ocorreu em 2023 quando o Mundial foi na Austrália e na Nova Zelândia, busca dar visibilidade à modalidade e reescrever seus próximos passos no país.

A seleção brasileira vive transição de gerações, com Marta ainda capaz de decidir e Kerolin, recém-contratada pelo Barcelona, em alta nas maiores ligas do mundo. Sob o comando de Arthur Elias, a expectativa é brigar pelo título inédito em casa.

Ingressos: a resposta a quem diz que "ninguém liga"

Mais de 730 mil pessoas já se inscreveram para adquirir ingressos, sendo metade brasileiros, segundo o diretor de operações da Copa de 2027 da FIFA, Thiago Jannuzzi.

Perguntas Frequentes

Por que o futebol masculino vai parar durante a Copa Feminina 2027?

Porque os estádios que recebem jogos da Série A serão cedidos à Fifa, e a logística de um torneio em oito cidades exige interrupção do calendário.

Quais cidades vão sediar a Copa Feminina 2027?

Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Recife, Fortaleza, Salvador, Brasília e Porto Alegre.

O Brasil vai construir novos estádios para o Mundial Feminino?

Não. Nenhum estádio precisará ser construído, ao contrário de 2014, quando os gastos somaram R$ 27,1 bilhões.

O que é o plano de legado da Fifa?

É uma exigência para sediar o Mundial, com foco em desenvolvimento econômico, segurança, sustentabilidade, acessibilidade e inclusão.

Quem são as principais jogadoras da seleção brasileira para 2027?

Marta, mesmo veterana, segue como referência, e Kerolin, recém-contratada pelo Barcelona, representa a nova geração. O técnico é Arthur Elias.

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Letícia Camargo
Repórter de Futebol Feminino
Gaúcha, cobre futebol feminino com profundidade e combate a cobertura rasa do esporte.
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