Sindicato pede proteção para jogadores contra "padrão sistêmico" de abusos na Copa
O sindicato mundial de jogadores denunciou um padrão sistêmico de abusos contra atletas durante a Copa do Mundo. A entidade pede medidas de proteção urgentes. Entenda o caso, as entidades envolvidas e os próximos passos.
Sindicato pede proteção para jogadores contra "padrão sistêmico" de abusos na Copa
O Sindicato Mundial de Jogadores (FIFPro) denunciou um padrão sistêmico de abusos contra atletas durante a Copa do Mundo. A entidade pede que a FIFA adote medidas de proteção, como canais de denúncia anônimos e treinamento obrigatório para dirigentes. A denúncia foi formalizada em carta enviada à entidade máxima do futebol.
A denúncia do sindicato
Em documento divulgado nesta terça-feira, a FIFPro afirma que jogadores relataram casos de assédio moral, sexual e violência psicológica durante as últimas edições do torneio. O sindicato classifica o problema como "padrão sistêmico", que exige ação coordenada entre federações, clubes e organizadores.
"Recebemos relatos de atletas que sofreram abusos em diferentes estágios da competição, desde a concentração até o pós-jogo", diz trecho da carta. A entidade representa mais de 65 mil jogadores de 60 países.
O que o sindicato pede
A FIFPro lista cinco medidas prioritárias:
- Criação de canal de denúncia anônimo e independente durante a Copa
- Treinamento obrigatório sobre prevenção de abusos para dirigentes e comissão técnica
- Presença de psicólogos e assistentes sociais nas delegações
- Protocolo claro de afastamento de suspeitos durante investigação
- Relatório público anual sobre casos denunciados e apurados
A entidade também pede que a FIFA inclua cláusulas de proteção nos contratos de patrocínio e transmissão, responsabilizando parceiros comerciais por ambientes seguros responsabilidade de patrocinadores em eventos esportivos.
A resposta da FIFA
Procurada, a FIFA informou que recebeu a carta e que "leva a sério qualquer denúncia de abuso". A entidade, no entanto, não detalhou prazos ou medidas concretas. Em nota, disse que "avalia as sugestões da FIFPro dentro do processo de governança do futebol".
A FIFPro critica a demora. "Não podemos esperar mais um ciclo olímpico ou outra Copa para agir. O próximo torneio masculino é em 2026, mas as mulheres jogam já em 2027", afirma o secretário-geral da entidade, Jonas Baer-Hoffmann.
Casos anteriores e contexto
A denúncia da FIFPro não é isolada. Em 2022, a própria entidade já havia alertado sobre condições inadequadas de trabalho em estádios e hotéis durante a Copa do Catar. Na ocasião, 12 jogadores relataram problemas de segurança e assédio.
Em 2023, a Federação Internacional de Atletas de Futebol (FIFA) criou uma comissão de ética para investigar denúncias, mas a FIFPro afirma que o órgão "não tem independência nem capilaridade" para atuar durante os torneios.
O que muda para os jogadores
A proteção dos atletas durante a Copa envolve desde a segurança física até o suporte psicológico. A FIFPro recomenda que jogadores e jogadoras:
- Busquem os canais oficiais da delegação ou do sindicato local
- Registrem por escrito qualquer situação de desconforto ou abuso
- Exijam a presença de um representante do sindicato nas reuniões com dirigentes
A entidade também orienta que familiares e agentes sejam treinados para identificar sinais de abuso.
Perguntas Frequentes
O que é a FIFPro?
É o sindicato mundial que representa jogadores de futebol profissionais. Fundado em 1965, reúne 65 associações nacionais e mais de 65 mil atletas.
A denúncia tem data para ser respondida?
A FIFPro deu 30 dias para a FIFA se manifestar formalmente. Se não houver resposta, a entidade pode recorrer à Corte Arbitral do Esporte (CAS).
Quais Copas estão no foco da denúncia?
A FIFPro cita relatos das Copas masculinas de 2018 e 2022, e das Copas femininas de 2019 e 2023. A entidade diz que o padrão se repete independentemente do país-sede.
Como os jogadores podem denunciar?
A FIFPro mantém um canal anônimo online e telefônico durante os torneios. O contato é divulgado nos vestiários e áreas de concentração.
A FIFA já tomou alguma medida?
Em 2023, a FIFA criou uma comissão de ética, mas a FIFPro critica a falta de independência e a demora nas investigações.
O que acontece se a FIFA não responder?
A FIFPro pode levar o caso à Corte Arbitral do Esporte (CAS) ou à Organização Internacional do Trabalho (OIT), que já emitiu recomendações sobre condições de trabalho no esporte.