Esporte Notícia 🔍
Esporte Notícia
Editorias
Institucional
Futebol

STJD descarta punição ao Athletico-PR por suposto racismo

O STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva do Futebol) definiu, nesta segunda-feira, que não punirá nenhum dos envolvidos no tumulto criado pelos jogadores após o fim da partida entre Botafogo e Athletico-PR, pela 24ª rodada do Brasileirão, na última segunda.

O duelo terminou em vitória da equipe paranaense por 3 a 2, no Estádio Nilton Santos, no Rio de Janeiro. Durante a confusão, o zagueiro venezuelano Nahuel Ferraresi, do time carioca, chegou a fazer o gesto de punhos cruzados sobre a cabeça, que simboliza o protocolo de anti-racismo. Entretanto, sem que o jogador apontasse um possível autor de ofensa de cunho racial ou xenofóbico, nem mesmo um ato a ser denunciado, o Tribunal decidiu não dar prosseguimento ao processo que poderia gerar uma punição ao clube adversário ou a um atleta responsável.

"A Procuradoria abriu diligência para apurar os fatos. Ferraresi não respondeu a solicitação encaminhada, enquanto o árbitro André Luiz Skettino respondeu declarando ter presenciado o gesto, porém não ter ouvido eventual ofensa e nem identificado a pessoa que poderia tê-la feito", declarou a Corte.

"A Procuradoria afirmou que as diligências não permitiram esclarecer, com a segurança necessária, qual teria sido a manifestação supostamente racista, seu conteúdo, sua autoria, seu destinatário ou as circunstâncias em que teria ocorrido", prosseguiu.

O árbitro André Luiz Skettino também foi denunciado pela procuradoria por não ter registrado em súmula o gesto e a situação que presenciou, nem mesmo a "confusão generalizada" ao fim do jogo.

De acordo com o que foi apresentado pelas defesas dos clubes e do árbitro, o relator do caso, Raoni Lacerda, votou pela absolvição dos denunciados, sob o argumento de que Ferraresi realizou o gesto em meio à confusão, mas prontamente o desfez após aproximação do árbitro e saiu sem comentar nada com a autoridade da partida. O tumulto após o apito final também foi tratado como comum, sem nenhum ato que se destacasse de uma simples discussão de jogo.

Apesar da absolvição, os clubes foram multados por atrasos no início do jogo e na volta do intervalo. O Botafogo terá que pagar R$ 1 mil por entrar em campo três minutos após o horário definido no começo da partida, enquanto o Athletico-PR recebeu R$ 3 mil por entrar cinco minutos após o previsto e retornar com dois minutos de atraso do intervalo.

Esporte olímpico não dorme entre os jogos, e a decisão do STJD mostra como a falta de provas concretas pode encerrar um caso sensível. Fica o alerta para a importância do registro em súmula e da comunicação clara entre atletas e arbitragem, elementos que fazem a diferença em qualquer modalidade.

Juliana Prado
Repórter de Esportes Olímpicos
Mineira, cobre modalidades olímpicas e dá luz a atletas que só aparecem de quatro em quatro anos.
Ver todos os artigos →