Tim Vickery: Copa do Mundo deixa recados importantes a Brasil e vizinhos da América do Sul
Pela primeira vez, uma seleção sul-americana não levou uma Copa na América do Norte. Para Tim Vickery, o torneio deixa um alerta preocupante para Brasil e vizinhos: o domínio europeu cresceu, e a garra já não basta.
Tim Vickery: Copa do Mundo deixa recados importantes a Brasil e vizinhos da América do Sul
Para Tim Vickery, a Copa do Mundo deixa recados importantes a Brasil e vizinhos da América do Sul: o domínio europeu se consolidou, o crescimento relativo dos sul-americanos nas últimas décadas chegou ao fim, e a garra e o espírito de luta, embora presentes, não são mais suficientes sem uma ideia futebolística incorporada como parte de um processo nacional.
O alerta da Copa para a América do Sul
Pela primeira vez, uma seleção sul-americana não levou uma Copa do Mundo jogada na América do Norte. Para Vickery, o torneio foi preocupante para a Conmebol. A Argentina foi amplamente dominada na final, e a tendência é de vacas magras depois de Lionel Messi, como ocorreu após Maradona e com o Brasil depois de Pelé.
Brasil: margens pequenas e o mesmo fantasma
Sobre a seleção brasileira, Vickery lembra que, em jogos de mata-mata, as margens são pequenas. Sem uma substituição equivocada, o Brasil poderia ter superado a Noruega e ido longe. Mas, como disse Carlo Ancelotti antes da Copa, "se o avô dele tivesse rodas, seria um carro". O "se" não joga. Mais uma vez, o Brasil caiu diante de uma seleção europeia da segunda prateleira. A Canarinho sempre terá força, a população é grande demais e a tradição imponente demais, mas já não gera o mesmo medo de antes.
O fim do crescimento relativo dos sul-americanos
As últimas décadas foram boas para as seleções sul-americanas menores. A explicação é o formato maratona das Eliminatórias, iniciado em 1996, que trouxe jogos competitivos regulares com renda garantida, permitindo manter um time junto, contratar melhores técnicos e investir na base. Antes de 1996, o Equador só venceu cinco partidas na história das Eliminatórias. Agora classifica para a Copa com ambições de ir longe. Desde 1996, houve a melhor Copa na história de Colômbia e Paraguai, a melhor do Chile com exceção de 1962, e a volta do Uruguai como força em potencial.
A evidência desta última Copa, porém, é que essa fase de crescimento relativo acabou.
Europa: talento aprendido e domínio ampliado
A Europa tem vários dos piores times na Copa, mas também quase todos os melhores. A comparação com as seleções europeias de 1994, a última Copa nos Estados Unidos, é impressionante. Trinta e dois anos atrás, não havia ninguém da Europa com a coleção de talentos de Espanha, França, Inglaterra e talvez até da Bélgica. A primeira semifinal foi uma aula: França com ataque poderoso e Espanha com controle de bola, parecia um jogo entre dois aspectos da velha escola brasileira.
A Europa ocidental aprendeu a desenvolver talentos, e isso puxa o crescimento também das seleções africanas.
Garra não basta: falta uma ideia futebolística
Neste cenário, a América do Sul tenta fazer frente com garra, com espírito de luta que vem da importância da seleção e da Copa na formação de identidades nacionais. É futebol como guerra, jogadores dispostos a tudo para expulsar os invasores. Foi nesse espírito que Equador e Paraguai venceram a Alemanha, e foi também nesse espírito, junto com lances de Messi, que a Argentina chegou à final. Mas não é suficiente, e pega mal quando perde, com exageros e conduta antidesportiva.
Vickery conclui: "Queremos raça? Precisamos de mais. Que tal uma ideia futebolística, incorporada como parte de um processo nacional? Afinal de contas, deu certo para a Espanha."
análise da Copa do Mundo futuro da seleção brasileira
Perguntas Frequentes
Qual o principal recado da Copa para o Brasil?
O Brasil caiu novamente diante de uma seleção europeia de segunda prateleira e já não gera o mesmo medo de antes.
Por que o crescimento da América do Sul chegou ao fim?
A evidência da última Copa mostra que o domínio europeu se consolidou, e as seleções sul-americanas não acompanharam o desenvolvimento de talentos.
O que falta para as seleções sul-americanas?
Além da garra, falta uma ideia futebolística incorporada como parte de um processo nacional, como fez a Espanha.
Como as Eliminatórias ajudaram a América do Sul?
O formato maratona iniciado em 1996 trouxe jogos competitivos regulares, renda garantida e possibilidade de investir na base.
O que esperar da Argentina pós-Messi?
A tendência é de vacas magras, como ocorreu depois de Maradona e com o Brasil após Pelé.