Tim Vickery: Fifa, Infantino e o futuro do futebol
Tim Vickery: Fifa, Infantino e uma das perguntas mais importantes para o futuro do futebol
O jornalista Tim Vickery, ainda na Europa em uma viagem que virou trabalho por causa da crise na Fifa, analisa o momento delicado do presidente Gianni Infantino. As contradições da sua posição ficaram evidentes. Ele se apresenta como defensor do chamado "sul global", mas mantém uma relação próxima com os Estados Unidos de Trump, que despreza muitos desses países, como ficou claro na Copa do Mundo, com uma política de imigração que barrou um dos árbitros mais conceituados da África.
A contradição de Infantino e o plano rejeitado
Infantino tentou conciliar essa contradição com uma ideia de vender uma fatia da Copa para investidores, ligados a Trump, e oferecer dinheiro para conquistar o sul global. O plano não fazia sentido financeiro, como deixou claro Carlos Cordeiro, conselheiro da Fifa, que pediu demissão. Além da contradição, Infantino agora é visto como incompetente por uma voz de credibilidade.
O poder de Infantino e a dificuldade de derrubá-lo
Apesar do desgaste, derrubar Infantino não é fácil. Nos últimos 65 anos, houve menos presidentes da Fifa do que Papas da Igreja Católica. Com 211 associações, o líder do futebol mundial tem enorme poder de patrocínio financeiro. O centro da oposição está na Europa, como desde 1974, quando João Havelange formou aliança com África e partes da Ásia para derrotar Stanley Rous.
A Europa acorda para as alianças
A Europa nunca lidou bem com o conceito de "uma nação, um voto", que ela própria desenvolveu. Agora, parece ter acordado: a Uefa age com a Concacaf e a confederação da Ásia para forçar a saída de Infantino. Mas isso não basta. Para transformar protesto em mudança, falta um projeto.
O medo do sul global e o desafio europeu
Num conflito entre Infantino e a Europa, muitos países preferirão o primeiro, pelo princípio de que o diabo conhecido é melhor. Do Infantino, eles ganham algo; da Europa, nem tanto. Há o risco de o continente se fechar, com quase todos os grandes clubes, jogadores e seleções. A Europa precisa reconhecer esse medo e compartilhar com o resto do mundo.
A pergunta central para o futuro do futebol
A Europa é capaz de elaborar e liderar um plano para o desenvolvimento global do futebol? Essa é uma das perguntas mais importantes para o futuro do esporte.
Perguntas Frequentes
Por que Infantino está em crise na Fifa?
Infantino enfrenta contradições entre seu discurso de defensor do sul global e sua proximidade com os EUA de Trump, além de um plano financeiro rejeitado por um conselheiro.
Quem pediu demissão da Fifa por causa do plano?
Carlos Cordeiro, conselheiro da Fifa, pediu demissão após deixar claro que o plano de vender fatia da Copa não fazia sentido financeiro.
Qual é o papel da Europa na oposição a Infantino?
A Uefa age com a Concacaf e a confederação da Ásia para forçar a saída de Infantino, mas falta um projeto concreto para a mudança.
O que o sul global pensa sobre a Europa?
Muitos países preferem Infantino por medo de que a Europa se feche em si, sem compartilhar recursos com o resto do mundo.
Qual é a pergunta mais importante para o futuro do futebol?
Se a Europa é capaz de liderar um plano de desenvolvimento global do futebol, em vez de apenas protestar contra a gestão atual da Fifa.