Tim Vickery: Jordy Alcivar, peça-chave de Del Valle x Flamengo
O Independiente del Valle vendeu titulares às vésperas das quartas de final, mas aposta em Jordy Alcivar para controlar o jogo contra o Flamengo. Segundo Tim Vickery, a altitude de Quito e a capacidade de lançamento do volante definem o confronto.
O Independiente del Valle recebe o Flamengo pelas quartas de final da Copa Libertadores, e o duelo coloca frente a frente o clube equatoriano que transformou a formação de jogadores em modelo de negócio e o atual campeão continental. Segundo a análise de Tim Vickery, o volante Jordy Alcivar é a peça-chave do time de Quito.
O Independiente del Valle construiu um projeto que vende atletas quase todos os anos e, ainda assim, compete no mais alto nível. Levou duas vezes a Copa Sul-Americana e chegou à final da Libertadores em 2016. Antes do confronto com o Flamengo, o clube já havia negociado Justin Lerma com o Borussia Dortmund, Darwin Guagua com o Brentford (cedido ao Mérida, da Espanha) e o centroavante Juan Riquelme Ângulo com o Sunderland. A prioridade de vender não mudou, mas o time segue competitivo.
Para compensar as saídas, o clube passou a mirar jogadores experientes, como o goleiro colombiano Aldair Quintana, o centroavante paraguaio Carlos González e o próprio Alcivar. Cria da LDU, Alcivar bate bem na bola e tem capacidade de lançamento, foi uma das esperanças da seleção equatoriana sub-20 campeã sul-americana e terceira no mundo em 2019. Ainda assim, encontrou dificuldade para se firmar fora do Equador: não foi bem na liga dos Estados Unidos nem no México. Na seleção principal, é reserva, e na estreia na Copa do Mundo contra Curaçao, iniciou a partida, não rendeu e foi substituído no intervalo.
O que está em jogo para o Independiente del Valle é claro. Para fazer valer a altitude de Quito, o time precisa botar a bola para correr, fazer o campo grande e esticar o jogo, obrigando o Flamengo a cobrir mais distância e cansar rápido. Essa é a tarefa de Alcivar, que fica à frente dos zagueiros distribuindo as jogadas. O desafio maior está na zona central do campo.
Tim Vickery lembra que o assunto altitude nunca foi simples para técnicos portugueses. Carlos Queiroz comandou brevemente a Colômbia e acabou massacrado pelo Equador em Quito. Abel Ferreira, com mais experiência, errou na escalação fora de casa contra a LDU na semifinal do ano passado e precisou de uma reação heroica do Palmeiras para chegar à final. Agora é a vez de Léo Jardim, com menos conhecimento das condições, e o Independiente del Valle vai testá-lo.
O time equatoriano precisa ganhar em casa, impor-se sem se abrir demais contra um adversário perigoso. O equilíbrio é estreito, e o papel de Jordy Alcivar será controlar o jogo e obrigar o Flamengo a correr. O Davi do confronto vendeu algumas armas, mas ainda tem a altitude a seu favor.