Uefa, Concacaf e AFC afirmam a Infantino: futebol não é de ninguém
Uefa, Concacaf e AFC afirmam a Infantino que o futebol 'não pertence a nenhum indivíduo'
Nesta segunda-feira (10), três confederações continentais, Uefa, Concacaf e AFC, publicaram uma carta aberta ao presidente da Fifa, Gianni Infantino. O recado é direto: o futebol "não pertence a nenhum indivíduo". A manifestação conjunta é o capítulo mais recente de uma crise que atinge a entidade máxima do esporte e pode ter efeitos práticos para torcedores e federações em todo o mundo.
O que diz a carta aberta a Infantino?
A carta, assinada pelos presidentes e secretários-gerais das três confederações, afirma que "a liderança no futebol não é uma posse". O texto continua: "Não se trata de deter, ou exigir, o poder para si próprio". As entidades também usam termos fortes, como "quando a confiança é rompida por meio do engano, quando um indivíduo se coloca acima do coletivo que lhe confiou autoridade, este dever foi abandonado".
A mensagem foi divulgada como uma "carta aberta à família do futebol". Ela não é assinada pela CAF (África), que tem 54 federações nacionais, nem pela Conmebol, com 10 federações, entre elas Brasil e Argentina. A OFC, da Oceania, com 13 países associados, também não assinou. Esses três blocos seguem como apoios declarados a Infantino.
Por que a crise na Fifa afeta você?
Se você acompanha futebol, esta disputa não é apenas política. O que está em jogo é quem decide os rumos das competições, a distribuição de recursos e a transparência na gestão. A Fifa administra a Copa do Mundo, torneios de base e programas de desenvolvimento. Quando há crise de confiança na liderança, federações menores podem ficar sem investimento, e torneios podem sofrer atrasos ou mudanças de formato.
Além disso, a Uefa já ameaça boicotar as Copas do Mundo. Se isso acontecer, o impacto seria sentido por jogadores, clubes e torcedores em todo o planeta. A carta das três confederações reforça que "não se trata de dinheiro", mas de princípios de governança que afetam diretamente o esporte.
O que motivou a carta?
A crise começou no fim de julho, com a revelação de um projeto controverso de Infantino: abrir a Fifa para investidores privados. O plano foi posteriormente abandonado, mas as críticas continuaram. Na quarta-feira anterior à carta, o presidente da Fifa organizou uma reunião de crise no Marrocos. O encontro terminou com "total apoio" da direção da entidade ao presidente e "pedidos de desculpas pelos erros" relacionados ao processo de decisão.
A Fifa reconheceu, em comunicado, que "não foi nossa intenção que o Conselho nem as associações-membro se sentissem excluídos do processo, que deveria ter sido conduzido de outra maneira". Mesmo assim, a Uefa, que lidera as críticas, considera a retirada do projeto e os pedidos de desculpas insuficientes.
O que as confederações realmente querem?
Uefa, Concacaf e AFC afirmam que a Fifa tratou o caso como "uma falha de comunicação", mas que o que o futebol testemunhou foi "uma falha de julgamento". Para elas, houve uma "ruptura fundamental da confiança em relação às próprias instituições às quais a Fifa existe para servir".
O texto também rebate a ideia de que a disputa seria financeira: "Não se trata de dinheiro. As confederações já solicitaram uma distribuição responsável das vastas reservas existentes da Fifa para reforçar ainda mais o investimento no desenvolvimento das federações-membro".
A carta denuncia ainda: "Há silêncio onde deveria haver prestação de contas, distância onde deveria haver transparência. Não são as qualidades que o futebol merece encontrar em sua liderança".
O que está por trás das denúncias contra Infantino?
Um dia antes da carta, o jornal britânico Telegraph publicou que Infantino, que foi secretário-geral da Uefa de 2009 a 2016, teria usado seu poder para garantir a promoção de uma funcionária com quem mantinha relação íntima. O jornal, que não cita fontes, afirma que a funcionária recebeu uma "indenização de seis dígitos" ao deixar o cargo, em ano não especificado, além do pagamento de despesas de um curso em escola de negócios, avaliado em cerca de 50 mil euros (aproximadamente R$ 292 mil).
Procurada pela AFP, a Uefa admitiu "que foi feito um pagamento" na ocasião, "acompanhado da quitação das despesas de um programa de MBA em uma escola de negócios local". A confederação europeia não detalhou valores nem contexto.
O que Infantino precisa para se reeleger?
Infantino é, até o momento, o único candidato declarado à presidência da Fifa. Para ser reeleito em março, ele precisa da maioria dos 211 votos dos membros da entidade. Ele comanda a Fifa desde 2016. A reeleição garantiria mais um mandato de quatro anos à frente do futebol mundial.
A Fifa, em comunicado publicado no sábado, saiu em defesa de seu presidente e destacou o apoio da CAF e da Conmebol. No texto, a entidade denunciou "um esforço contínuo e orquestrado por parte de alguns para minar a entidade e seu presidente".
Como a crise pode mudar o futebol?
A pressão das três confederações pode ter efeitos concretos. Se a Uefa levar adiante a ameaça de boicote às Copas do Mundo, o torneio mais assistido do planeta perderia seus principais protagonistas. Além disso, a exigência por transparência pode forçar mudanças na governança da Fifa, com mais prestação de contas e distribuição de recursos para federações menores.
Para o torcedor comum, a mensagem é clara: o futebol é coletivo, e decisões tomadas nos bastidores podem alterar o calendário, os campeonatos e até o futuro das seleções. Acompanhar essa disputa é, também, acompanhar o futuro do esporte que você ama.
Perguntas Frequentes
O que é a carta aberta da Uefa, Concacaf e AFC?
É uma manifestação pública conjunta das três confederações continentais, endereçada ao presidente da Fifa, Gianni Infantino. O texto afirma que o futebol "não pertence a nenhum indivíduo" e critica a forma como a liderança da entidade vem sendo exercida.
Por que a Uefa ameaça boicotar as Copas do Mundo?
A Uefa considera insuficientes a retirada do projeto de privatização da Fifa e os pedidos de desculpas apresentados pela entidade. Para a confederação europeia, houve uma falha de julgamento, não apenas de comunicação, o que abalou a confiança na liderança.
Infantino é o único candidato à presidência da Fifa?
Sim, até o momento, Infantino é o único candidato declarado. Ele precisa da maioria dos 211 votos dos membros da Fifa para ser reeleito em março para um novo mandato de quatro anos.
Quem apoia Infantino na crise?
A CAF (África), com 54 federações, e a Conmebol, com 10 federações, incluindo Brasil e Argentina, são os principais apoios declarados. A OFC, da Oceania, com 13 países, também não assinou a carta crítica.
O que a Fifa diz sobre as denúncias?
A Fifa, em comunicado, denunciou "um esforço contínuo e orquestrado por parte de alguns para minar a entidade e seu presidente". A entidade também afirmou que o processo de decisão sobre a privatização deveria ter sido conduzido de outra maneira.
Como a crise pode afetar o futebol brasileiro?
A Conmebol, que inclui a CBF, apoia Infantino. No entanto, se a crise se aprofundar e houver boicote de torneios, as seleções sul-americanas, incluindo o Brasil, podem ser impactadas em competições futuras. A distribuição de recursos para desenvolvimento também está em jogo.