Uefa e Concacaf mantêm pressão sobre Infantino após retirada de plano
Uefa e Concacaf mantêm pressão sobre Infantino após retirada do plano de investimento privado na Fifa. Confederações exigem revisão da liderança e transparência na gestão.
Uefa e Concacaf mantêm pressão sobre Infantino após retirada de plano de investimento privado
Uefa e Concacaf fizeram, neste sábado (1º), duras críticas ao presidente da Fifa, Gianni Infantino, ao considerarem que o dirigente ítalo-suíço perdeu a confiança das confederações. A pressão continua mesmo após a retirada do polêmico plano de abrir as competições internacionais a investidores privados.
A proposta, revelada na última terça-feira, foi massivamente rejeitada em nível mundial, sobretudo pela Uefa, que ameaçou não participar das competições da Fifa, incluindo a Copa do Mundo, caso o projeto avançasse. Infantino anunciou na noite de sexta-feira, em comunicado, a retirada do projeto que criaria a Fifa Forward Enterprise (FFE), uma sociedade aberta a investidores privados para gerir as atividades comerciais de eventos da Fifa.
O que mudou com a retirada do plano
A retirada do projeto não encerrou a crise. Pelo contrário, intensificou as cobranças por mudanças na governança da Fifa. A Uefa, que representa 55 federações europeias, classificou o abandono como uma "vitória para o futebol como um todo", mas ressaltou que isso não deve "marcar o fim da história".
"A proposta foi rejeitada. A tarefa de restaurar a confiança na Fifa está apenas começando", diz a nota da entidade.
As críticas da Uefa a Infantino
A Uefa, dirigida pelo esloveno Aleksander Ceferin, critica diretamente Infantino. A confederação afirma que, antes de sua eleição em 2016, o dirigente havia defendido a transparência e garantido que o dinheiro da Fifa pertencia às associações-membro.
"Ele não cumpriu essas duas promessas", acusa a Uefa. "O projeto raquítico, opaco e arquitetado nos bastidores que tentou impor à força era tudo, menos transparente".
A reação da Concacaf e de outras confederações
A Concacaf, que sediou a Copa do Mundo de 2026 nos Estados Unidos, México e Canadá, também se manifestou. Em comunicado, a entidade afirmou que "uma proposta desta magnitude não chega a essa etapa por acidente" e que é "o reflexo de uma liderança que deixou de colocar o futebol em primeiro lugar". A Concacaf defendeu uma "revisão integral" da liderança, sem mencionar diretamente o nome de Infantino.
A Confederação Asiática de Futebol (AFC) comemorou a retirada do projeto, defendendo o "diálogo coletivo e o respeito às estruturas de governança". Já as confederações da África e da Oceania adotaram postura menos crítica, pedindo que suas associações-membro "examinassem" e "avaliassem" o projeto. A Conmebol, da América do Sul, pediu "informações adicionais e esclarecimentos".
As federações da Inglaterra e da Alemanha também criticaram
A Federação Alemã de Futebol (DFB) e a Federação Inglesa (FA), membros influentes da Uefa, também criticaram duramente a Fifa. O presidente da DFB, Bernd Neuendorf, afirmou que Infantino "agiu de maneira unilateral, sem transparência e, em última instância, de forma irresponsável". A FA considerou que "é hora de fazer uma análise profunda e rigorosa da direção e da governança da Fifa".
O papel de Carlos Cordeiro e a renúncia
Infantino saiu enfraquecido após a renúncia de seu principal assessor, Carlos Cordeiro. A renúncia ocorreu em meio às críticas ao projeto e à crescente oposição de várias federações.
O que acontece agora com a Fifa
Com a retirada do projeto, a Uefa propõe a criação de "um novo método de distribuição de recursos por meio do já existente programa Fifa Forward", usando parte das reservas financeiras da entidade, estimadas em US$ 5 bilhões (R$ 25,3 bilhões na cotação atual).
"Devemos começar a usar parte do dinheiro parado na conta bancária da Fifa para dar o incentivo necessário ao futebol de base e ao esporte como um todo em cada um dos 211 países-membros da entidade. Mas não precisamos vender as joias da família para financiar isso", escreveu a Uefa.
O que está em jogo para as federações
Se o projeto tivesse avançado, cada associação-membro da Fifa poderia ter recebido um pagamento único de US$ 20 milhões (R$ 101,5 milhões) no início de 2027, além de ter sua verba para o período 2027-2030 aumentada de US$ 8 milhões (R$ 40,6 milhões) para US$ 20 milhões.
O cenário eleitoral e a pressão sobre Infantino
Infantino enfrenta crescente oposição a menos de um ano para o fim de seu mandato e antes das eleições de março de 2027, para as quais é atualmente o único candidato. A pressão das confederações aumenta a incerteza sobre sua reeleição e sobre o futuro da governança da Fifa.
Perguntas Frequentes
Por que Uefa e Concacaf continuam pressionando Infantino?
Porque consideram que o dirigente perdeu a confiança das confederações, mesmo após a retirada do plano de investimento privado. A Uefa afirma que a tarefa de restaurar a confiança na Fifa está apenas começando.
O que era o plano da Fifa Forward Enterprise?
Era um projeto de criar uma sociedade aberta a investidores privados para gerir as atividades comerciais de eventos da Fifa, incluindo a Copa do Mundo. O plano foi retirado após massiva rejeição.
Quais confederações apoiaram a retirada do plano?
A Uefa, a Concacaf e a AFC comemoraram a retirada. As confederações da África e da Oceania pediram que suas associações avaliassem o projeto, enquanto a Conmebol pediu esclarecimentos.
O que a Uefa propõe agora?
A Uefa propõe usar parte das reservas financeiras da Fifa, estimadas em US$ 5 bilhões, para financiar o futebol de base nos 211 países-membros, por meio do programa Fifa Forward.
Qual o impacto da renúncia de Carlos Cordeiro?
A renúncia do principal assessor de Infantino enfraqueceu ainda mais o dirigente, que já enfrentava oposição de várias federações ao plano de investimento privado.