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Vanderson e Rio Branco: Justiça analisa milhões da venda

ResumoVanderson e Rio Branco (SP) são alvo de análise judicial sobre a destinação de milhões provenientes da venda do lateral ao futebol europeu. A Justiça apura divergência de R$ 5,7 milhões entre a contabilidade oficial do clube e os documentos da transação. A investigação busca esclarecer a aplicação dos recursos recebidos pelo time paulista.

A venda do lateral Vanderson, revelado pelo Rio Branco (SP), injetou milhões nos cofres do clube. Agora, a Justiça apura como esses recursos foram usados, com diferenças de R$ 5,7 milhões entre a contabilidade e os documentos.

Rafael Quintana
por Rafael Quintana · 03 de agosto de 2026
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Justiça apura uso dos milhões da venda de Vanderson no Rio Branco (SP)

A venda do lateral Vanderson, revelado pelo Rio Branco (SP) e com passagem por Grêmio e Seleção Brasileira, representou uma das maiores receitas da história recente do clube de Americana. Os milhões que entraram nos cofres do Tigre, porém, hoje fazem parte de um dos principais pontos de questionamento da recuperação judicial.

Documentos obtidos pela Gazeta Esportiva mostram que a Justiça determinou uma apuração específica para verificar como o Rio Branco utilizou os valores recebidos pela negociação internacional do jogador. A análise foi realizada pela administradora judicial, que conseguiu identificar boa parte da movimentação financeira, mas concluiu que ainda existem diferenças milionárias entre a contabilidade do clube e a documentação apresentada.

Quanto o Rio Branco recebeu pela venda de Vanderson?

Segundo a administradora judicial, o Rio Branco recebeu R$ 7.312.067,49 entre outubro de 2023 e março de 2025 referentes à terceira e à quarta parcelas da negociação de Vanderson. Segundo o clube informou à administradora judicial, a primeira e segunda parcelas foram recebidas em 2022 e retidas na Justiça do Trabalho e na Justiça Comum, respectivamente.

O clube também informou existir um bônus pendente de 85,5 mil euros, condicionado ao cumprimento de metas pelo atleta, valor que está em discussão no CNRD (Câmara Nacional de Resolução de Disputas) da CBF.

Para onde foram os recursos?

Revelado pelo Rio Branco, Vanderson foi vendido pelo Grêmio ao Monaco, da França, em 2022, por cerca de 11 milhões de euros. Na época, o Rio Branco ainda era dono de 30% dos direitos do jogador, mas como Vanderson foi revelado na categoria sub-17 do Rio Branco em uma época na qual esta era administrada pelo ex-jogador Sandro Hiroshi, 70% dos valores aos quais o clube tinha direito eram da empresa de Sandro e os outros 30%, do clube.

O Rio Branco recebeu então os 30% da negociação, em quatro parcelas, sendo que 70% desse montante precisava ser destinado à empresa de Sandro Hiroshi.

A análise feita pela administradora judicial mostra que parte dos recursos teve destinação identificada. O principal pagamento foi um repasse de R$ 4.019.999,00 à SH Sports Ltda., a empresa de Sandro Hiroshi.

Além disso, foram identificadas despesas com honorários advocatícios, manutenção, folha salarial, impostos, prestadores de serviços e outras obrigações do clube. Ao todo, a administradora conseguiu comprovar documentalmente a aplicação de R$ 7.068.741,96.

A diferença que a Justiça quer explicar

Apesar da prestação de contas apresentada pelo Rio Branco, a administradora judicial informou que a documentação não foi suficiente para explicar toda a movimentação financeira.

Segundo o relatório, enquanto o clube registrou R$ 12.775.990,26 em despesas na contabilidade, apenas R$ 7.068.741,96 puderam ser comprovados por meio da documentação apresentada. A diferença é de R$ 5.707.248,30.

"Foram considerados nas análises apenas os documentos nos quais era possível identificar o Clube como devedor das despesas, em número de 1.844 (foram submetidos mais de 2.600 documentos para análise), tendo sido desprezados quaisquer outros não vinculados diretamente ao Recuperando", escreveu a administradora judicial.

O relatório não afirma que houve desvio de recursos nem desaparecimento de dinheiro. A conclusão da administradora é que essa diferença precisa ser reconciliada e explicada pelo Rio Branco. Foi justamente essa conclusão que levou a Justiça a intensificar a fiscalização do processo de recuperação judicial.

O papel da Manager Serviços Administrativos

Outro ponto observado durante a análise diz respeito à forma como parte dos pagamentos era realizada. A administradora judicial registrou que grande parte das despesas do Rio Branco é processada por meio da Manager Serviços Administrativos Ltda.

A Gazeta Esportiva apurou, com base nos extratos bancários anexados ao processo, que recursos recebidos pelo clube, incluindo valores provenientes da negociação de Vanderson, transitaram por contas da empresa.

A empresa Manager Serviços Administrativos Ltda, de pequeno porte, foi fundada em 24 de janeiro de 2023. Tem capital social de R$ 10 mil, sede em Americana, e conta como sócio-administrador Claudio Luiz Bonaldo, presidente do clube. Sua atividade principal é de atividades de condicionamento físico e as secundárias de "ensino de esportes" e "atividades de administração de fundos por contrato ou comissão".

Até o momento, porém, o Rio Branco não apresentou, nos autos da recuperação judicial, uma explicação sobre a utilização da Manager para movimentação desses recursos. Em balanço mais recente, a própria Manager passou a aparecer como credora do clube, com aproximadamente R$ 50 mil a receber.

O que esperar daqui para frente

A Gazeta Esportiva procurou o Rio Branco para esclarecer a destinação dos recursos recebidos pela negociação de Vanderson e os apontamentos feitos pela administradora judicial. Até a publicação desta reportagem, o clube não havia se manifestado.

A tendência é que a Justiça continue acompanhando de perto a recuperação judicial do clube, cobrando explicações sobre a diferença de R$ 5,7 milhões. Para o torcedor, fica a expectativa de que a transparência prevaleça e que o clube consiga superar esse momento delicado.

Perguntas Frequentes

Quanto o Rio Branco recebeu pela venda de Vanderson?

O Rio Branco recebeu R$ 7.312.067,49 entre outubro de 2023 e março de 2025, referentes à terceira e à quarta parcelas da negociação.

Qual é a diferença apontada pela administradora judicial?

A diferença é de R$ 5.707.248,30 entre os R$ 12,7 milhões registrados na contabilidade e os R$ 7,06 milhões comprovados por documentos.

O relatório afirma que houve desvio de recursos?

Não. O relatório diz que a diferença precisa ser reconciliada e explicada pelo Rio Branco, sem afirmar desvio ou desaparecimento de dinheiro.

Qual o papel da Manager Serviços Administrativos?

A empresa, do presidente do clube, processava grande parte das despesas do Rio Branco, e recursos da venda transitaram por suas contas, sem explicação do clube até o momento.

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