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Yamal e Cubarsí: a geração mais talentosa de La Masia?

ResumoLamine Yamal, Pau Cubarsí, Marc Bernal e Xavi Espart formam a geração de 2007 de La Masia, promovida em conjunto ao time principal do Barcelona. O The Athletic compara esse grupo à safra de Lionel Messi, Cesc Fàbregas e Gerard Piqué, questionando se representa a base mais talentosa já produzida pelo clube catalão.

Lamine Yamal, Pau Cubarsí, Marc Bernal e Xavi Espart nasceram em 2007 e subiram juntos em La Masia. O The Athletic pergunta se esta é a geração mais talentosa da base do Barcelona, comparando-a à safra de Messi, Fàbregas e Piqué.

Letícia Camargo
por Letícia Camargo · 16 de setembro de 2026
Yamal e Cubarsí: a geração mais talentosa de La Masia?

Lamine Yamal, Pau Cubarsí, Marc Bernal e Xavi Espart têm em comum mais do que serem jovens titulares do Barcelona de Hansi Flick. Os quatro nasceram em 2007 e foram formados juntos em La Masia. A coincidência levou o The Athletic a levantar uma questão: seria esta a maior geração de talentos já produzida pela base do clube catalão?

A comparação mais direta é com a safra de 1987, que revelou Lionel Messi, Cesc Fàbregas e Gerard Piqué, tratados pelos treinadores das categorias inferiores como um Dream Team. Ainda é impossível saber se os quatro de 2007 alcançarão o mesmo nível histórico. Mas, na avaliação do The Athletic, há uma diferença relevante: a geração de 1987 tinha mais talento individual, enquanto a de 2007 é considerada mais completa, variada e profunda por profissionais que acompanharam ambas de perto.

O que mudou na transição para o profissional

Os quatro principais nomes de 2007 não chegaram ao time principal ao mesmo tempo, mas passaram anos compartilhando as categorias inferiores. Yamal e Bernal, por exemplo, jogaram juntos durante os primeiros sete anos de formação antes de o atacante subir de categoria precocemente. Cubarsí se destacou desde cedo, e Espart era visto como talento de grande potencial, ainda que com perfil mais discreto.

Albert Puig, que treinou a geração no sub-9 e no sub-12, acompanhou essa evolução. Segundo ele, Yamal e Cubarsí já estavam muito à frente dos demais naquela época, enquanto Bernal parecia estar um nível acima. "Era uma geração de muita profundidade. O nível era altíssimo", lembrou Puig ao The Athletic.

A trajetória no profissional confirma parte da expectativa. Yamal estreou pelo Barcelona aos 15 anos, em abril de 2023, e virou um dos principais jogadores da equipe. Cubarsí estreou poucos meses antes de completar 17 anos e, pouco depois, foi eleito o melhor em campo contra o Napoli, pela Champions League. Bernal foi o terceiro a chegar, aos 17, após 31 partidas pelo Barcelona B, e chamou a atenção de Flick na pré-temporada de 2024/25 como solução interna para a posição que o clube tentava reforçar desde a saída de Sergio Busquets. Espart foi o último a estrear: disputou seis partidas na última temporada e, com problemas nas laterais, passou a ser usado como lateral-esquerdo nas primeiras rodadas da atual La Liga, respondendo com duas assistências e seu primeiro gol pelo clube.

A diferença estrutural em relação a 1987

A existência de uma geração tão forte remete inevitavelmente ao grupo de 1987. Messi, Fàbregas e Piqué eram considerados especiais na base. O ex-treinador Rodolfo Borrell chamou a atenção do jornalista Marcet para Fàbregas quando o meio-campista ainda era pouco conhecido: "Achava que aquele garoto era como Guardiola, só que com faro de gol". Piqué também impressionava. "Nunca vi um defensor marcar tantos gols", disse Marcet.

Aquela geração, porém, tem uma particularidade. Apenas Messi chegou diretamente ao time principal do Barcelona entre os três. Piqué foi para o Manchester United, e Fàbregas seguiu para o Arsenal antes de retornar. O grupo de 2007, por outro lado, faz a transição praticamente em bloco. "Todos tinham muita fé de que eles poderiam realizar esse sonho, mas não que isso acontecesse tão cedo e com um impacto imediato no futebol de elite", explicou Puig.

O Barcelona chegou a ter uma escalação só de jogadores da base em 2012, com Messi, Piqué, Fàbregas, Xavi, Iniesta, Busquets, Puyol e Valdés. Mas a geração atual tem uma característica que chama atenção até de quem acompanhou aquele período. "A geração de 2007 é a mais completa, a mais variada e a mais rica que já vi", resumiu Marcet.

Para ele, a geração de 1987 era superior em talento puro. O grupo atual apresenta combinação maior de características e posições: um atacante como Yamal, um zagueiro como Cubarsí, um volante como Bernal e um lateral como Espart já no time principal. Há também a quantidade de jogadores que chegaram perto da elite. Andrés Cuenca, Jofre Torrents e Quim Junyent, da mesma geração, eram considerados promissores. Cuenca e Torrents deixaram o Barcelona neste verão, e Junyent se transferiu para o Almería.

A produção da La Masia sob Flick vai além dos quatro de 2007. Desde que assumiu o clube, em junho de 2024, o alemão promoveu a estreia de nove jogadores formados na base: Bernal, Espart, Sergi Domínguez, Andrés Cuenca, Toni Fernández, Dani Rodríguez, Jofre Torrents, Dro Fernández e Tommy Marqués. Yamal e Cubarsí já estavam consolidados antes da chegada do treinador, e Gavi, Fermín López e Alejandro Balde também integram a lista de jovens formados no clube que ganharam espaço no time principal.

Marcet aponta outro fator para o impacto imediato da geração de 2007: esses jogadores parecem ter chegado ao profissional sem se intimidar com o tamanho do Barcelona. "Essa geração não se sentiu intimidada ao subir para o time principal. Isso é o mais surpreendente. Eles se sentiram mais apoiados por terem companheiros da mesma idade."

Talvez seja cedo para colocar Yamal, Cubarsí, Bernal e Espart ao lado de Messi, Fàbregas e Piqué. A comparação do The Athletic aponta para algo que pode ser tão importante quanto o talento individual: raramente uma mesma geração da La Masia chegou tão cedo ao time principal, em tantas posições diferentes e com tamanho impacto simultâneo.

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