Espanha campeã mundial revive geração 2010: até onde vai a nova dinastia?
Ao vencer a Argentina neste domingo, a Espanha conquistou o bicampeonato mundial dois anos após a Eurocopa, repetindo a dobradinha de Alemanha e França. A geração de Lamine Yamal e Rodri revive os feitos de 2010, mas enfrenta limites táticos e físicos que aconselham cautela.
Campeã do mundo, Espanha revive geração de 2010 e sonha com nova dinastia
A Espanha se sagrou campeã mundial neste domingo contra a Argentina, dois anos após conquistar a Eurocopa. A seleção de Lamine Yamal, Rodri, Dani Olmo e companhia escreveu um novo capítulo na história do futebol, seguindo os passos da geração de ouro de 2010. Os comandados de Luis de la Fuente repetiram o feito dos antecessores liderados por Andrés Iniesta, autor do gol que garantiu o título mundial na final de 2010 contra a Holanda por 1 a 0.
Dobradinha histórica iguala Alemanha e França
A Espanha repetiu um feito de 'dobradinha' de títulos (Eurocopa e Copa do Mundo consecutivas) alcançado anteriormente apenas pela Alemanha (1972-1974) e pela França (1998-2000). Esse sucesso permite sonhar com a extensão da hegemonia, assim como ocorreu com aquela geração de ouro, que conquistou também a Euro 2012, alcançando uma 'tríplice coroa' inédita na história do futebol.
O que De la Fuente vê de semelhança com 2010
"Vejo certas semelhanças com o grupo que foi campeão em 2010", observou o próprio De la Fuente antes do Mundial. Sua equipe empregou algumas das mesmas estratégias vistas durante a campanha da Copa do Mundo da África do Sul. Assim como seus antecessores, os espanhóis se destacam por um estilo de jogo baseado na posse de bola que não deixa nada para seus adversários.
Na vitória na semifinal contra a França, os espanhóis deram um show de controle coletivo, sustentado por um meio-campo brilhante, capaz de monopolizar a posse de bola por longos períodos antes de atacar com explosão repentina de intensidade. A seleção francesa quase não criou oportunidades claras de gol e registrou um saldo de gols esperados de apenas 0,3 ao final da partida.
"A margem para melhorias, eu digo isso a eles com frequência, é infinita, e os jogadores provam isso a cada partida", disse De la Fuente com satisfação após o jogo, elogiando seu elenco como "o melhor do mundo".
Retrospecto defensivo superior ao de 2010
Em oito jogos de Copa do Mundo, a 'Roja' sofreu apenas um gol, contra a Bélgica, nas quartas de final, um retrospecto defensivo ainda melhor do que o da geração de 2010 (que sofreu dois gols em sete jogos naquele Mundial).
Limites da comparação: estilo mais ofensivo, mas com riscos
Os paralelos entre as duas gerações têm seus limites. Sem uma dupla de meio-campo tão imponente quanto Xavi e Iniesta, a atual seleção espanhola é inegavelmente mais ofensiva, buscando explorar a velocidade dos pontas Lamine Yamal e Nico Williams, mesmo que este último tenha chegado à Copa do Mundo com poucos minutos de jogo.
O prodígio do Barcelona e o ponta do Athletic Bilbao tiveram um papel menos proeminente neste Mundial em comparação com a Eurocopa. Em 2024, Lamine Yamal foi decisivo, marcando um gol contra a França na semifinal (2 a 1) e dando uma assistência contra a Inglaterra na final (2 a 1).
Cautela com o futuro: o exemplo de 2010 aconselha prudência
O exemplo de 2010 aconselha prudência. Depois da tríplice coroa Euro-Copa do Mundo-Euro, os espanhóis não venceram outra partida de mata-mata de Mundial até 2026 (tendo sido eliminados na fase de grupos em 2014 e nas oitavas de final em 2018 e 2022).
O estilo de jogo da 'Roja', baseado em um grande volume de passes, às vezes pode se mostrar frágil. Durante os anos difíceis, correu o risco de se tornar uma caricatura de si mesmo, caracterizado por passes horizontais que não conseguiam furar as defesas adversárias. A equipe de De la Fuente enfrentou esse mesmo desafio desde sua estreia na Copa do Mundo da América do Norte, começando com um empate em 0 a 0 contra Cabo Verde.
Também será preciso monitorar a condição física de peças-chave como Fabián Ruiz (30 anos), Mikel Oyarzabal (29, com 5 gols nesta Copa do Mundo) e Rodri (30), vencedor da Bola de Ouro em 2024 e que mais tarde sofreu uma série de lesões. Tudo isso dentro do contexto do calendário exaustivo do futebol.
O próximo desafio: Euro 2028 e Copa em casa
O próximo desafio é 2028, no Reino Unido e na Irlanda, onde será disputada a próxima Eurocopa, para ver se os herdeiros da geração de 2010 conseguirão igualar as conquistas daquela seleção, antes de sonhar com uma Copa do Mundo em casa daqui a quatro anos.
Perguntas Frequentes
A Espanha é bicampeã mundial?
Sim, a Espanha conquistou o título mundial em 2010 (África do Sul) e em 2026 (América do Norte), tornando-se bicampeã.
Quem são os principais jogadores da nova geração espanhola?
Os destaques são Lamine Yamal (19 anos), Rodri (30 anos, Bola de Ouro 2024), Dani Olmo, Pedri (23 anos), Nico Williams e Pau Cubarsí (19 anos).
A Espanha repetiu a dobradinha Euro-Mundial de quais seleções?
A Espanha repetiu o feito de Alemanha (1972-1974) e França (1998-2000), conquistando a Eurocopa e a Copa do Mundo consecutivamente.
Quantos gols a Espanha sofreu na Copa de 2026?
A 'Roja' sofreu apenas um gol em oito jogos, contra a Bélgica nas quartas de final, superando o retrospecto defensivo da geração de 2010 (dois gols em sete jogos).
Quais são os principais desafios da Espanha para manter a hegemonia?
Os desafios incluem a condição física de peças-chave como Rodri e Fabián Ruiz, o risco de o estilo de jogo se tornar previsível, e o calendário exaustivo do futebol.